“Heartbeat” fala da relação metafísica de uma personagem com a realidade. O diálogo lírico da faixa expressa o jogo entre a inevitável materialização do corpo e a subjectividade da mente. Ao mesclar estas duas dimensões, a certa altura não se sabe a que plano a música se refere. Ainda mais porque a letra reflecte o desejo profundo da personagem em afirmar que se sente viva, apesar de, no seu íntimo, lhe parecer que já não está.
As linhas musicais do tema são um crescendo de sonoridades dos anos 80, correndo os ambientes sonoros de David Lynch, em Twin Peaks, ou mesmo de uns Berlin, elevando o refrão a uma pop Manchesteriana, com linhas de guitarra a saber a Smiths.
Num plano mais conceptual, o videoclip de “Heartbeat” procura escavar em busca de um ‘gatilho universal’ que represente mais do que o bater físico do coração, caracterizador de toda a manifestação de vida humana. O vídeo transmite um ambiente que combina serenidade e inquietude, uma espécie de luta visual sobre o batimento do coração, o faz o vibrar, o que altera o seu ritmo, o que o faz estagnar ou até parar, por vontade premeditada ou não antevista.
Photo: João Azevedo


