O segundo dia do CA Vilar de Mouros 2026 encontrou nos Fishbone um daqueles concertos que não se explicam facilmente. Às 18h30, a lendária banda de Los Angeles abriu uma porta para outro universo e, durante a atuação, pareceu não existir nenhuma fronteira entre ska, punk, funk, reggae, soul e heavy metal.
Os Fishbone nunca foram uma banda interessada em escolher apenas um caminho. Desde 1979 que fazem da mistura uma identidade e, em Vilar de Mouros, essa liberdade ganhou uma dimensão completamente diferente.
À frente do caos organizado esteve Angelo Moore, uma presença impossível de ignorar. Entre voz, saxofone e uma energia quase inesgotável, o músico conduziu a banda por uma atuação que parecia estar permanentemente a mudar de forma.
Um momento podia nascer de um groove funk e, poucos segundos depois, transformar-se numa explosão punk. O reggae aparecia pelo meio, o ska acelerava o andamento e, quando parecia que já não havia mais espaço para acrescentar nada, surgia outra mudança.
E era precisamente aí que estava a magia.
Os Fishbone não tocaram simplesmente vários géneros.
Destruíram as fronteiras entre eles.
A banda mostrou também porque é considerada uma das grandes forças disruptivas da música alternativa americana. O seu percurso influenciou nomes como Red Hot Chili Peppers, Jane’s Addiction, No Doubt e Primus, mas em Vilar de Mouros ficou claro que os Fishbone continuam a ter uma identidade que não depende da influência que deixaram.
A formação atual juntou diferentes gerações da história da banda, com figuras fundamentais como Christopher Dowd ao lado de músicos que mantêm o projeto em permanente movimento. Em palco, essa combinação resultou numa máquina sonora que parecia funcionar sem travões.
Talvez seja por isso que seja tão difícil definir o concerto.
Foi rock, foi funk, foi punk, foi ska, foi reggae, foi tudo ao mesmo tempo…
E, acima de tudo, foi Fishbone.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


