O segundo dia do MEO Kalorama 2026 continuou com Femme Falafel, nome artístico de Raquel Pimpão, que levou ao festival uma proposta onde a música eletrónica, o pop, o indie e as influências de italo-house convivem com uma escrita carregada de ironia.
Cantora, compositora e pianista, a artista portuguesa tem vindo a afirmar uma personalidade muito própria dentro da música independente nacional. Alfacinha de nascimento e criada nas Caldas da Rainha, Raquel Pimpão encontrou em Femme Falafel uma forma de transformar situações quotidianas, emoções e contradições em canções simultaneamente divertidas e desconcertantes.
As batidas convidavam ao movimento, mas as letras introduziam uma camada diferente. Há humor, há melancolia e há uma espécie de inteligência mordaz que permite a Femme Falafel falar de assuntos sérios sem nunca perder a capacidade de brincar com eles.
A artista ganhou maior projeção com “Depressão”, single lançado no final de 2022 que encontrou uma combinação pouco óbvia entre uma temática pesada e uma produção suficientemente dançável para transformar a melancolia em movimento.
Entre sintetizadores, batidas eletrónicas e melodias pop, Raquel Pimpão mostrou que uma canção pode ser simultaneamente leve e desconfortável, divertida e melancólica, dançável e profundamente pessoal.
Depois da abertura de Raquel Martins, o segundo dia ganhou rapidamente outra personalidade.
Femme Falafel trouxe o humor para dentro da pista e mostrou que, por vezes, também se pode dançar aquilo que nos incomoda.
E talvez seja precisamente aí que esteja a graça.
Femme Falafel não pede para escolher entre rir ou sentir.
Faz as duas coisas ao mesmo tempo.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


