Steve Miles lança o seu segundo álbum enquanto European Sun, acompanhado por Ian Button (bateria), Rob Pursey (baixo) e Elin Miles (vozes adicionais).
Se há um disco capaz de contrariar a cultura tóxica da chamada “energia masculina” e a fúria alimentada pelos tech bros que continua a envenenar o nosso quotidiano — é este.
E isso está bem presente nas letras. A nostalgia por um passado imaginado, onde “os homens eram homens” e o racismo era regra, é desmantelada na faixa‑título “When Britain Was Great”. A fetichização da Segunda Guerra Mundial por patriotas demasiado inflamados para perceber que a guerra foi, afinal, uma luta contra o nazismo, é desmontada em “Angels In The Clouds”. Já a luta trapalhona, meio desajeitada, para procurar algo melhor — para tentar escapar à armadilha da aceitação cínica de tudo — é observada com sarcasmo na acidentada e quase cómica “Falling Down The Stairs With Arthur Seaton”.
Entre estes temas, surgem também momentos profundamente pessoais, como “The Space She Left”, que expõe sem filtros vulnerabilidade emocional e ansiedade, e canções pop despreocupadas que recuperam a sabedoria maravilhada da infância: “The Sea Is A Pirate’s Best Friend” evoca uma alegria que todos já sentimos, mas que entretanto deixámos escapar.
A própria música funciona como uma rejeição dessa “energia masculina”: está totalmente desprovida daquela postura sombria e jactante que tantas vezes define o homem moderno.
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🖋 Redação / press release


