Esta oficialmente aberta a edição de 2025 da Web Summit

O primeiro dia da Web Summit 2025 em Lisboa ficou marcado pelo regresso em força da Inteligência Artificial como tema central, pela intervenção de Maria Sharapova e pelos alertas de Paddy Cosgrave sobre a perda de liderança tecnológica da Europa e América.

Paddy Cosgrave, fundador e CEO da Web Summit, deu início ao evento na MEO Arena, sublinhando que Europa e América estão a perder terreno face à China em áreas como robótica e modelos de IA open source.

Maria Sharapova, ex-tenista e vencedora de cinco Grand Slams, participou no painel “Smarter Plays: How AI is Changing the Game”, explicando como a IA revolucionou a análise e preparação desportiva.

O primeiro dia da Web Summit 2025 confirmou Lisboa como capital mundial da inovação tecnológica, reunindo líderes empresariais, políticos, investidores e figuras públicas. A IA dominou os palcos, mas também houve espaço para discutir mobilidade urbana, oportunidades para startups europeias e o papel da tecnologia no desporto.

A edição de 2025 reuniu 71.386 participantes de 157 países, um recorde histórico.
Estiveram presentes 1.857 investidores de 86 países, o maior número de sempre na Web Summit.
Participaram 2.725 startups, originárias de 108 países.
Cerca de 40% das startups eram fundadas por mulheres.
No total, 869 oradores estiveram nos vários palcos da conferência.
Temas centrais e tendências
Inteligência Artificial (IA)
A IA (e o machine learning) foi claramente o tema dominante, tanto nas palestras como nas startups.
Um discurso-chave (“Hidden data, visible cost”) destacou o impacto ambiental da IA, alertando para o consumo de energia nos data centers e a “lixeira digital” — muitos dados são armazenados sem uso, o que representa um grande custo ecológico.
A sustentabilidade da computação foi colocada em primeiro plano: não é só uma questão ética, mas de escalabilidade real, segundo alguns painelistas.
Investimento e ecossistema de startups
O recorde de investidores mostra que o apetite por fazer negócios presencialmente na Web Summit continua muito forte.
Segundo a organização, quase 200 startups que participaram no “Startup Programme” da edição anterior (2024) conseguiram levantar investimento depois do evento totalizando cerca de $715,5 milhões.
A diversidade é significativa: com 40% das startups tendo mulheres na fundação, o evento reforça a importância da inclusão no ecossistema tecnológico.
Mudanças geopolíticas e competitivas na tecnologia
No discurso de abertura, o CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave, alertou que Europa e América do Norte podem estar perdendo liderança tecnológica, mencionando a ascensão da China em áreas como robótica e IA open-source.
Há uma noção de que novos hubs (especialmente na Europa do Leste) estão crescendo e ganhando peso no ecossistema global.
Durante a conferência, houve espaço para jovens inovadores (sobretudo no palco da “People Summit”) mostrarem projetos impactantes — por exemplo, uma startup usa interfaces cérebro-computador para aliviar dor menstrual, outra desenvolveu uma solução para tratar câncer de pele com sabão
Debates importantes sobre como mentoria e participação ativa (não só “vender para” mas “colaborar com” jovens) são chave para sustentar a inovação.
Impacto local e económico
A Web Summit continua a ter um impacto importante na economia de Lisboa, especialmente no sector hoteleiro. No entanto, segundo a Associação da Hotelaria de Portugal, o efeito de pico nas reservas parece estar a “contener-se”, comparado com anos anteriores.
Do lado político, a Web Summit é vista como um instrumento de afirmação de Portugal no mapa global da tecnologia. Segundo análises, as 10 edições em Portugal ajudaram a transformar Lisboa num polo tecnológico atraente para investidores e talentos.
Em termos de controvérsia, há críticas logísticas: acessos a Lisboa ficam muito pressionados, o alojamento ainda sofre com a procura e muitos hotéis elevam os preços nessa altura.
Vencedores e destaques start-up
A startup portuguesa Granter venceu o “Pitch” da Web Summit 2025. É uma plataforma para ajudar empresas a identificar e candidatar-se a financiamentos e incentivos.
Isso reforça a presença relevante de startups portuguesas no evento e a competitividade delas no palco global.
Críticas e desafios
Apesar do crescimento, há vozes que dizem que o Web Summit tem cada vez mais foco em grandes investidores e menos no “espírito de startup inicial”, o que pode tornar a conferência menos acessível para algumas empresas.
A infraestrutura urbana (como transportes) e a capacidade de alojamento continuam a ser desafios durante o evento, especialmente com o grande número de participantes.
A sustentabilidade do evento e o impacto ambiental —particularmente pelo consumo energético gerado pela IA — foram destacados como preocupações
Conclusão
O Web Summit 2025 foi, para muitos, uma edição de recordes: mais participantes, investidores e startups do que nunca.
A IA consolidou-se como o tema central, com debates que já não são só sobre inovação, mas também sobre responsabilidade ambiental.
O evento reforça Lisboa como um hub global de tecnologia e inovação, ao mesmo tempo que evidencia desafios estruturais (logística, habitação, sustentabilidade) que precisam ser equilibrados para manter o crescimento saudável.
A força das startups portuguesas e a diversidade no ecossistema são pontos muito positivos, mostrando que o Web Summit continua a servir de vitrina importante para novos projetos.

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? Redação / press release

? Arlindo Homem

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