Devagar se vai ao longe, e pikika tem seguido a seu ritmo esse caminho tanto de descoberta como de revelação. Mas depressa tem deixado um rasto indissociável na sua pegada artística, ela que tantas vezes se revela também à procura do que tem vindo a encontrar precisamente na sua música. “depressa”, título da sua nova canção, é reflexo dessa ânsia pelas respostas às questões que, aqui, mais desarmada que nunca, expõe no leito da sua intimidade. Sem quaisquer ornamentos melódicos para além das cordas da voz e da guitarra, directamente ao ouvido de quem entra a convite neste seu espaço íntimo.
Mais uma vez, só pikika e a guitarra de volta onde, para si, a música começou. De voz completamente despida em tom frágil e confessional, a autora de “SOZINHA E MAL ACOMPANHADA” rejeita a solidão e abraça a solitude no âmago da sua introspecção.
Se em “TUDO O QUE ELE QUERIA” — o seu mais recente single — a ouvíamos numa sedutora dança hipnótica entre o ser e o sonho de quem mais a quer, em “depressa” é ela própria quem se confronta com esses desígnios do coração. E à medida que a canção se desenrola percebemos que esses sentimentos que a cantora e compositora, ao longo de todo o seu reportório, tantas vezes procura está e começa, na verdade, em si própria. A pressa de ver essas inquietações resolvidas mais depressa a levou a procurar compreendê-las no seu íntimo. Na sua forma mais vulnerável e, por isso mesmo, autêntica.
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