O quarto e último dia do Bons Sons 2026 começou com pouca vontade de acordar devagar. Cortada entrou em cena e, em vez de oferecer uma chegada tranquila, atirou-se de imediato à energia própria de quem sabe que ainda há muito festival pela frente — mesmo quando o calendário já começa a escrever as últimas páginas.
Desde os primeiros momentos, o concerto mostrou-se agitado, com o palco rapidamente transformado num ponto de encontro entre ritmo, movimento e uma plateia pronta para entrar no jogo. Cortada não precisou de esperar pelo avançar do dia para aumentar a intensidade: eles estiveram presente desde o primeiro instante.
A atuação avançou com uma dinâmica quase inquieta. Os temas sucediam-se sem deixar espaço para que o ambiente perdesse força, enquanto a presença em palco ajudava a manter o público constantemente ligado ao que acontecia diante de si, mesmo debaixo de um calor extremo.
Cem Soldos começava a ganhar novamente vida depois de três jornadas de música. Havia quem chegasse para o último capítulo, quem ainda carregasse a memória da noite anterior e quem simplesmente quisesse aproveitar cada minuto restante. Cortada encontrou todas essas pessoas e deu-lhes uma boa razão para começar o dia em movimento.
Cortada não quis olhar para o relógio nem para o calendário. Preferiu acelerar.
E assim começou o quarto e último episódio do Bons Sons 2026: com o corpo em movimento, o palco desperto e a sensação de que ainda havia muito por acontecer em Cem Soldos.
__________________________________________________________________________________________________________________________
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


