A edição de 2026 do “Conta-me Uma Canção” terminou com a dupla Samuel Úria + Rui Reininho numa sala completamente esgotada há vários meses.
O concerto teve início com a canção “Em Caso de Fogo” de Úria, uma troca no alinhamento previsto e o início de uma noite pautada, acima de tudo, pela admiração mútua e por uma amizade em que a ironia impera. De seguida, Reininho inaugurou o microfone para cantar “Homens Temporariamente Sós”, que inspirou Samuel a contar a história do dia em que se conheceram: no estádio do Jamor, numa final da Taça de Portugal em que o FCP defrontava o Leiria, e em que o facto de torcerem por equipas diferentes não impediu a amistosidade de Reininho quando abordado pelo cantautor. Saberíamos mais para o fim da noite que foram apresentados oficialmente por Inês Meneses, na Avenida da Liberdade, desta feita sem claques nem divisões.
Acompanhado em palco por Rui Maia, Rui Reininho cantou “Piloto Automático”, com um afinado coro do público no refrão (“vodka vodka”), seguida de “Um Adeus Português” e de “Era de Ouro”, ambas parte do último disco de Samuel Úria, “2000 A.D.”. As duas canções que se seguiram, “Yoko Mono” e “Fartos do Mar”, foram escolhidas de “Companhia das Índias”, o álbum a solo de Reininho no qual experimenta sonoridades distintas das que lhe reconhecemos no seu grupo de sempre, os GNR, e uma abordagem electrónica à sua voz, buscando assim novos personagens interpretativos. Foi também o momento em que o artista tocou bongós, emprestados por Benjamim, que actuou com Tozé Brito no passado dia 9, neste mesmo formato.
O segmento canção de outro artista foi preenchido por Samuel Úria com o tema “Borbulhas de Amor”, a versão em português de “Borbujas de amor” de Juan Luis Guerra, que encantou a sala e arrancou risos aos presentes. Seguiu-se uma versão de “Belle Vue”, original dos GNR, que Úria transformou numa balada, mas não sem antes referir a generosidade de Rui Reininho quando, no início dos anos 2000, a editora FlorCaveira o convidou para tocar na festa de Natal, convite que aceitou. Valeu ainda uma imitação de Morrissey, com a ironia e a singularidade inconfundíveis de Reininho.
Aproximando-se o final do concerto, Rui Reininho interpretou a canção “Teimoso”, de Samuel Úria, cantada também com a ajuda dos coros do público. Samuel cantou “Fusão”, Reininho cantou “Sete Naves” e juntaram-se em “Inferno” de Roberto Carlos, tema que deveria ter encerrado a noite, mas a ovação do público que não arredava pé levou ao segundo desvio do alinhamento da noite, com uma versão impromptu de “Usa”. Nova salva de palmas aclamando dois artistas que honram e dignificam a Canção, designadamente no requinte que imprimem nas suas letras.
A edição de 2026 do “Conta-me Uma Canção” chegou então ao fim depois de três sessões de características bem distintas entre elas. O “Conta-me Uma Canção” regressa para o ano, para mais uma edição que prova que a Canção está viva, recomenda-se e nos surpreende.
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🖋 Redação / press release
📸 Paulo Miranda


