CITEMOR regressa de 17 de julho a 8 de agosto em Montemor-o-Velho e Coimbra

O CITEMOR regressa de 17 de julho a 8 de agosto, em Montemor-o-Velho e Coimbra, com um programa que reúne uma dúzia de propostas artísticas entre teatro, dança, performance, música, cinema, videoarte e artes visuais. Cruzando várias gerações de artistas de Portugal, Espanha, Brasil, México e Japão, o festival apresenta estreias, antestreias, produções próprias e obras desenvolvidas em residência de criação, reafirmando a sua vocação enquanto espaço de criação e experimentação artística. Em diálogo permanente com o território, a programação convoca diferentes linguagens e discursos para refletir sobre questões centrais da contemporaneidade através de acontecimentos únicos.

O arranque desta edição acontece no dia 17 de julho, às 21h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo, com a apresentação de Dressing Room, de Lígia Soares. Atriz, coreógrafa e dramaturga incontornável da criação contemporânea portuguesa, Lígia Soares regressa ao Citemor para inaugurar esta edição com uma obra que questiona a viabilidade do luxo num contexto de desigualdades sociais crescentes. Partindo do contraste entre um vestido da intérprete — responsável pela maior fatia do orçamento de produção do espetáculo — e uma proposta de crítica social, Dressing Room interroga o próprio conceito de espetáculo. Entre luxo e política, entretenimento e denúncia, a obra expõe as contradições da sociedade contemporânea e a espetacularização do poder.

O festival segue para o Teatro Esther de Carvalho, no sábado, dia 18, em Montemor-o-Velho, com A.P.S.A. e Filho, Lda, primeira criação escrita e dirigida por Bruno Ambrósio, que também integra o elenco. Entre gestos técnicos e rotinas repetidas, dois homens revisitam memórias familiares enquanto descrevem os processos de corte e tratamento da carne, os sistemas de abate e as lógicas do comércio animal. A partir desse universo, confrontam-se com as heranças familiares, a relação dos pais e uma ideia de masculinidade que os acompanha desde a infância. O diagnóstico de uma doença degenerativa crónica vem intensificar o questionamento sobre o lugar de um deles na família, numa criação que cruza corpo, herança e expectativas familiares.

Ao longo de várias décadas, o Citemor vem a afirmar a região de Montemor-o-Velho como um território propício à criação artística contemporânea, gerando um contributo efetivo para a sua identidade, para a economia e para a coesão territorial. 

Realizar este festival é também refletir sobre a liberdade de criação, sobre a igualdade de acesso, de participação, de representação, e sobre o papel que a cultura desempenha no reforço da democracia.

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🖋 Redação / press release

📸 Alipio Padilha

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