Chico César: Um homem, um violão e 30 anos de Músicas e Histórias

Chico César comemora os 30 anos do seu primeiro álbum «Aos Vivos», lançado em 1995 da mesma forma que gravou. Apenas com a liberdade da voz e som do violão.
Nesta segunda-feira, foi a vez do Porto na Casa da Música, com um concerto que certamente atemporal. Seguindo a ordem do álbum, Chico abre com «Beradêro», uma autêntica Ode que retrata a identidade nordestina e a vida do interior, de seguida «Mama África», que agitou o público nas cadeiras.

Contando histórias entre algumas músicas, relembrou parceiros como Itamar Assunção, as dificuldades e desafios que enfrentou, além de cenas engraçadas. Falou sobre Migrações, um tema muito atual na cena política portuguesa, lembrando que «Todos somos Migrantes» e relembra em tom de brincadeira, um facto real dessa relação entre Portugal e Brasil, «Os Portugueses foram com as Caravelas e nos voltamos com as Novelas», um produto Cultural muito consumido por Portugal nos anos 80 e 90, quando o País quase parava no horário da novela.

 «Saharienne» a sua canção mais triste e melancólica, possui uma mensagem muito forte. (Atenção, não confundir com o casaco do mesmo nome, que foi reinventado por Yves Saint Laurent nos anos 60). A letra é uma crítica social e política com referências sensoriais, abordando temas como a violência no Oriente Médio, a indiferença ocidental, a escravidão e a arte. A letra menciona conflitos em Beirute, as teias da mídia (termo utilizado no Brasil para média) e a mortalidade, finalizando com a ideia de que a arte é imortal.

Chico César, não é somente ouvir a música e deixar-se embalar pelo ritmo, é preciso escutar, entender a letra das canções que são verdadeiras amostras da vida nordestina e de acontecimentos Mundiais, um excelente músico e um expoente máximo da MPB.

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🖋 📸 Sérgio Pereira

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