Casa Capitão e Casa da Música recebem concertos dos Ão em dezembro

Depois do lançamento de “Malandra”, o segundo álbum de originais, e na antevéspera de atuarem no Ancienne Belgique – uma das mais importantes salas de espectáculos da Europa, com capacidade para 2000 pessoas -, que esgotaram há mais de três meses, os Ão anunciam concertos ao vivo em Portugal no final do ano: primeiro, a 18 de dezembro, na Casa Capitão, em Lisboa, e no dia seguinte, 19 de dezembro, na Casa da Música, no Porto.

Lançado em fevereiro, “Malandra” não é apenas um segundo disco. É um aprofundamento, mais denso, mais exposto, mais consciente da matéria emocional que trabalha. Alicerçado num equilíbrio instável entre fragilidade e confronto, cada canção existe como um corpo próprio, atravessado por tensões internas que a voz de Brenda Corijn parece nunca querer resolver em definitivo. Ela é, aliás, a figura central desse movimento: uma identidade ambígua, livre e contraditória, que avança entre desejo e lucidez, entre jogo e sobrevivência. A sonoridade híbrida, fluida, onde cada elemento respira e se transforma, é contruída pela guitarras acústicas e elétricas de Siebe Chau, as camadas eletrónicas de Jolan Decaestecker e a percussão orgânica e mutante de Bert Peyffers.

Os Ão são uma banda belga que se exprime maioritariamente em português, não como um exercício estilístico, mas como linguagem emocional. A voz de Brenda, entre o íntimo e o dramático, conduz um universo onde eletrónica, art pop, folk e ritmos de matriz latina se cruzam com uma ideia de saudade que emana desse estado emocional, não como tradição. Há no disco uma consciência aguda da passagem do tempo, dos vínculos, das memórias, dos corpos, comum a temas como “Orgulho”, “Talvez” ou “Cinza”.

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🖋 Redação / press release

📸 Alexander Popelier

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