Carlão subiu ao palco do Rock in Rio Lisboa 2026 como quem regressa a casa. E rapidamente transformou o Parque Tejo num espaço de partilha coletiva, onde a memória, a reinvenção e a energia de palco se cruzaram num dos concertos mais completos do dia.
Desde os primeiros instantes, ficou claro que a atuação seria uma viagem por diferentes fases da sua carreira. Entre a herança dos Da Weasel, os capítulos a solo e as novas sonoridades do projeto “Quinta-Essência 75/25”, o artista construiu um alinhamento que uniu passado, presente e futuro da música portuguesa num só momento.
Temas como “Os Tais”, “Assobia Para o Lado”, “Agulha no Palheiro”, “Viver Pra Sempre”, “Entre o Céu e a Terra”, “Na Batalha” e “Bebe um Copo” foram recebidos com entusiasmo imediato. Cada canção parecia desbloquear memórias diferentes no público, que respondeu com uma impressionante sinfonia de vozes, acompanhando cada refrão como se fizesse parte de uma história coletiva.
Em palco, Carlão mostrou a habitual intensidade e uma presença absolutamente natural. Entre momentos de maior energia e passagens mais introspectivas, conduziu o concerto com uma confiança tranquila, sempre próximo do público e com uma entrega que nunca perdeu autenticidade.
Um dos pontos altos da atuação aconteceu com a entrada de Carolina Deslandes, recebida com uma forte ovação. A cumplicidade entre os dois artistas trouxe uma nova dimensão ao espetáculo, elevando a emoção e acrescentando uma camada extra de sensibilidade ao concerto, num momento que rapidamente se tornou um dos mais marcantes da noite.
As novas faixas de “Quinta-Essência 75/25” trouxeram também uma energia renovada ao alinhamento, revelando um artista em constante evolução, capaz de reinventar o seu percurso sem perder identidade. O público respondeu com curiosidade e entusiasmo, mostrando abertura para este novo capítulo da sua carreira.
Ao longo da atuação, o Parque Tejo transformou-se num enorme coro. Havia quem cantasse, quem dançasse e quem simplesmente se deixasse levar por uma sequência de temas que atravessam gerações e continuam a encontrar novos significados ao vivo.
Na reta final, o ambiente atingiu um dos pontos mais altos do concerto. A ligação entre palco e plateia tornou-se ainda mais evidente, com aplausos prolongados e uma energia coletiva que parecia não querer terminar.
Quando Carlão se despediu, ficou a sensação de que o concerto tinha sido mais do que uma atuação.
Foi uma celebração da música portuguesa na sua forma mais viva — feita de histórias, colaborações inesperadas e canções que continuam a crescer sempre que são cantadas em conjunto.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo / Diana Silva / Francisca Pinto


