Capicua edita novo álbum “Um gelado antes do fim do mundo”

Chega esta sexta feira 21 de março às lojas e às plataformas digitais o novo álbum de Capicua, “Um gelado antes do fim do mundo”. Este trabalho sobe ao palco da Casa da Música já no dia 27 de Março.

“Um gelado antes do fim do mundo” é um disco sobre o nosso tempo. Fala sobre a sobrevivência da poesia num mundo em colapso, sobre a nossa carência de futuro e de esperança, mas, sobretudo, sobre o encantamento, na arte e na natureza, como antídoto para tudo isso.

Sendo um disco sobre os complexos tempos que vivemos e seus grandes desafios, é sobretudo um convite à contemplação, no sentido em que convoca o resgate, a partir da arte (em forma de música e poesia), do nosso compromisso com a humanidade. Afinal, o encantamento (que está tão presente na infância e que se erode com o tempo) é o principal remédio para o cinismo, para a falta de empatia, para a incapacidade de tecer novas utopias.

Este disco convida-nos a limpar as lentes que o tempo foi tornando foscas, para nos deixarmos impactar, para não cedermos ao adormecimento e ao vício da dopamina rápida, para aguçarmos o espírito crítico, para renovarmos os votos com as utopias e não sucumbirmos à angústia vigente e à ansiedade da informação incessante.

Celebrando a força insubmissa das palavras e da música, como forma de construção de novos mundos, Capicua mistura a palavra dita e cantada com o rap, mostrando-se ora combativa, ora vulnerável, mas sempre profundamente humana. Ora, esse exercício é também um acto de resistência, num mundo em que o exercício poético é tão desaconselhado, em que as máquinas ameaçam substituir-nos até no ato da criação e em que o ensaio de qualquer utopia é imediatamente esmagado pela tecnocracia vigente.

Com a participação de Gisela João, Sopa de Pedra e Toty Sa’med, instrumentais de vários beatmakers e produção de Luís Montenegro (o grande cúmplice de Capicua na construção deste álbum), perfilam-se doze canções e cinco poemas. No meio de temas mais emocionais, há muito espaço para questões sociais, políticas e ecológicas, misturando-se registos (líricos e musicais), num disco que foi construído a partir da experimentação e do cruzamento de técnicas de composição com instrumentos analógicos, com as ferramentas da música eletrónica, sempre a partir da palavra (declamada, cantarolada e debitada em rap).

O tema em destaque, “Ao Ocaso”, tem a participação de Toty Sa’med, letra de Capicua, música de Luís Montenegro e Virtus e um Lyric Vídeo de André Tentugal, com os bailarinos Piny Orchidaceae e André Cabral.

É uma canção que evoca a irreparável perda que constitui a morte dos grandes poetas, como uma metáfora para o fim da poesia e como celebração da sua importância (até como necessidade humana). A poesia, tal como a fé, ajuda a dar sentido à existência diante da inevitabilidade da finitude, mas está (ela própria) ameaçada, num mundo em que o exercício poético parece ser anacrónico e mesmo desaconselhado e em que as máquinas ameaçam substituir-nos até no ato da criação. 

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? Redação / press release

? André Tentugal

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