Bruno Pernadas levou o MEO Kalorama 2026 para um lugar onde os géneros deixam de ter fronteiras

O segundo dia do MEO Kalorama 2026 encontrou em Bruno Pernadas uma das suas propostas mais livres e difíceis de catalogar. O músico e compositor português subiu ao palco para apresentar um universo onde diferentes linguagens musicais convivem sem necessidade de escolher apenas uma direção.

Jazz, pop, psicadelismo, eletrónica e referências cinematográficas cruzam-se no trabalho de Pernadas, criando uma sonoridade que tanto pode parecer familiar como completamente inesperada. É uma música construída sobre detalhes, pequenas mudanças e uma enorme liberdade criativa.

Em palco, essa diversidade ganhou uma dimensão particularmente envolvente.

As guitarras, os teclados e os diferentes elementos da composição foram criando camadas que se sobrepunham com naturalidade, enquanto as melodias conduziam o público por ambientes distintos. Havia espaço para a improvisação, mas também para uma atenção minuciosa à estrutura de cada tema.

Bruno Pernadas tem precisamente essa capacidade de transformar a complexidade em algo acessível.

A sua música pode partir de uma ideia de jazz e rapidamente encontrar uma textura pop, aproximar-se da psicadelia ou mergulhar numa atmosfera quase cinematográfica. As fronteiras entre géneros tornam-se secundárias perante uma identidade artística que vive sobretudo da curiosidade.

No MEO Kalorama, essa liberdade encontrou um público preparado para acompanhar a viagem.

Depois da Americana de Tyler Ballgame, o festival voltou a mudar de paisagem. As referências norte-americanas deram lugar a uma abordagem muito mais aberta, onde diferentes épocas e estilos parecem existir simultaneamente.

Pernadas não apresenta apenas canções.

Constrói pequenos universos.

E cada um deles parece ter as suas próprias regras.

O MEO Kalorama mostrou mais uma vez que a sua programação pode passar de um universo para outro sem perder coerência.

Bastou deixar Bruno Pernadas conduzir.

E aceitar que, na sua música, o melhor caminho é muitas vezes aquele que ainda não sabemos onde vai dar.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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