“As Cantigas”, ou Orin, são cânticos sagrados transmitidos através de línguas africanas — neste álbum, iorubá, kimbundu e também português do Brasil, profundamente marcado pelas culturas africanas trazidas por homens e mulheres escravizados. Estes cantos funcionam como um canal direto de comunicação com os Orixás (Orisha), divindades da tradição iorubá presentes em rituais sincréticos afro‑brasileiros e afro‑cubanos, como o Candomblé (Brasil), a Santería (Cuba) e o Vodu (Haiti).
São intermediários entre o ser supremo Olorun e a humanidade.
Cada canção é uma expressão intensa de fé, capaz de evocar os elementos da natureza e da condição humana, narrando histórias de luta, resiliência e da dignidade do povo negro em toda a diáspora.
A voz de Nilza Costa há muito dá vida à revolução de um povo que, através da música e da espiritualidade, reivindica o seu caminho rumo à emancipação. As suas canções contam as histórias de homens e mulheres arrancados da sua terra natal — narrativas marcadas tanto pela melancolia como pela esperança.
“As Cantigas” são também uma arte do encontro: um convite à acolhida, ao respeito e à partilha. Neste álbum, com edição agendada para 6 de fevereiro via Brutture Moderne, renascem com uma energia renovada, transformando‑se numa viagem musical que une espiritualidade, tradição e expressão contemporânea.
Antecipando a chegada do novo álbum “Cantigas”, “EXU” revela‑se uma canção refrescante e luminosa, onde a doçura da voz de Nilza Costa dança sobre um delicado tapete de instrumentos acústicos.
Exu é um Orixá primordial no Candomblé — o mensageiro entre os mundos espiritual e físico, a personificação do movimento e das encruzilhadas que moldam as escolhas da vida. A música celebra essa energia vital, evocando a força ancestral que atravessa toda a obra de Nilza Costa.
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