Arcade Fire… A celebração de um “Funeral”

Foi em 2005 que os Arcade Fire se estrearam em Portugal, num concerto na Praia Fluvial do Taboão. O acontecimento histórico, no palco principal do festival Paredes de Coura, vive até hoje na memória de todos os que o presenciaram, e no imaginário de todos os que o perderam.
Na altura, foi com “Funeral” que o grupo de Montreal presenteou o público com uma actuação explosiva, catártica, capaz de provocar epifanias a tantos que ali estiveram. A banda, e a visão muito própria que criou do rock alternativo, continua a fazer História com a intensidade de sempre e uma carreira repleta de prémios e músicas (que viram verdadeiros hinos) no topo das tabelas internacionais.
Escreveu-se, na altura, que “não acontece assim tantas vezes, ouvir o som da história a fazer-se”.

Agora 20 anos depois de “Funeral”, encontramos os mesmos Arcade Fire mais adultos, mais experientes e a militar numa divisão superior à que abraçavam em 2005 aquando da sua estreia em Portugal.

Numa mistura encorpada e eclética de bossa nova, punk, canção francesa e música pop, os Arcade Fire ensombram o panorama musical de forma única e transcendente, numa abertura estética por vezes discutível mas que não deixa ninguém indeferente.

No palco principal do NOS Alive, a banda transporta os fãs e o público para um ambiente mórbido, benzido por incenso e estouvado por flores numa homenagem póstuma em pleno funeral ao som de David Bowie.
Despois da sua estreia no nosso pais em 2005, os Arcade Fire foram sempre uma presença regular em Portugal com a sua capacidade de transformar os seus ideais e problemas em celebrações, da vida, da morte e da própria essência da banda. Desta vez foi um “funeral”, servido com classe e requinte e com a magia de Win Butler… e não só.

? Sandra Pinho

? Paulo Homem de Melo

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