Ao contrário de muitas bandas, os Suede não vivem do passado.
A sua postura anti-nostálgica — já demonstrada nas residências recentes em Londres, onde tocaram apenas material pós-reunião — mantém-se firme em palco. Claro que clássicos como “Animal Nitrate” ou “Beautiful Ones” fazem falta aos fãs mais saudosistas, mas a verdade é que a banda soa mais viva e relevante do que nunca quando se concentra no presente.
Uma iluminação dramática com sombras recortadas, num palco que favorece a proximidade e uma banda que toca com a urgência de quem sabe que cada concerto é único.
O resultado na noite de quinta feira 19 de março na Super Bock Arena, foi uma experiência sensorial total, onde cada gesto de Brett Anderson parecia coreografado para atingir o público no centro do peito, tornando-se rapidamente numa catarse coletiva, um verdadeiro “antidepressivo” partilhado entre banda e público.
Três décadas depois, os Suede não são uma banda em revivalismo — são uma banda em plena maturidade criativa. A digressão Antidepressants: Dancing with the Europeans confirma isso mesmo: intensidade, emoção e uma entrega que poucos conseguem igualar.
Um concerto dos Suede não é apenas música. É um lembrete de que a pop pode ser arte, catarse e comunhão.
A primeira parte esteve a cargo dos Swim School.
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🖋 Paulo Homem de Melo
📸 Sérgio Pereira


