Não é normal entrar na sala Suggia da casa da música ao som de Ágata ou de Quim Barreiros, mas este sábado, 11 de janeiro, o público era recebido ao som da “Garagem da Vizinha” e até pelos dois amores de Marco Paulo.
A realidade é que o som de sala debitava portugalidade, palavra que transporta em si mesma uma pluralidade de sentidos semióticos, tão complexos quanto controversos.
Linguística à parte, esse mesmo som de sala era interrompido pelo DJ / entertainer de serviço, de seu nome António Bandeiras.
As expectativas estavam TOP, pois era a primeira vez que David Bruno pisava o palco da Casa da Música, o mesmo “db” que tinha já esgotado os Coliseus, vestia-se de gala para enfrentar um público de gala, numa sala muitas das vezes avessa à portugalidade, ou talvez não.
Nada melhor para saudar a portugalidade, como a recuperação de uma “merecida homenagem” aos nossos imigrantes ao som de “Doucement” porque “Faites attention avec le camien… Porque eles vêm tolos em contramã”.
Chegados a Gaia, David Bruno de forma aleatória e ao sabor da música, explora cada espaço e cada vivência da cidade, percorrendo o espaço físico desde Miramar até Vilar do Paraíso. Em Miramar, onde se inala iodo, percorremos o já famoso roteiro turístico do lugar onde Adriano Malheiro (e Paula) ficaram rotulados de caloteiros, acabando por se tornarem “Interveniente Acidental”.
Seguimos, não propriamente por esta ordem, pela avenida da Républica onde reservamos uma mesa para dois no Carpa, e com passagem assertiva num toque de sofisticação no Mozart Piano Bar, onde apreciamos de forma singela um “Azeitona Cocktail” com a ajuda da Helena Neto (a Rainha Helena se faz favor). Helena, “Na pista do Muxima perguntei-te quem és” complementa o “10 em 10” com ajuda de Presto dos Dealema sem antes “Pra tua segurança vou ter que por um açaime” em “Redlaine” na esplanada do Alex.
No final passamos junto do cemitério de Mafamude onde paramos o Lamborghini na roulotte.
Entre confissões e histórias, qui ça verídicas, ficamos a saber que David Bruno era grande fã de George Michael mas que escondia esse “guilty pleasure” da sociedade, vá-se lá saber porquê. Numa homenagem de sussurro descuidado pensou convidar o Marante para a cantar, mas seria João Não, de Gondomar, a dar voz a “Jorge Micael”.
Pelo meio recordamos as férias de verão da adolescência de David Bruno em plena “Festa da Espuma” no mês de agosto… “tu nem convides, dança comigo Hélder o Rei do Kuduro”.
Por falar em férias, “Miramar” regressa novamente com o seu roteiro turístico de forma calorosa e participativa por parte do público com Benidorm a ficar para trás.
Se Presto já tinha citado Bruno e Miguel, “Inatel” traz a dupla, mas sem Miguel, a palco com uma viagem a Albufeira, um sitio à maneira à beira mar.
Se na adolescência dominavam as festas da espuma, o bullying ficou presente na infância de David Bruno. “N gosto k m mentem” retrata essa pseudo homenagem.
Ao longo de duas horas fomos descobrindo Gaia, descobrindo a tal portugalidade repescada em histórias e acontecimentos, mas sobretudo nas relações humanas que a música de David Bruno conquista. Numa sala esgotada, o público ocupava faixas etárias tão diversas entre o petiz que se tornou fã dos temas pela simplicidade linguística como são tratados, até ao idoso que vive algumas das histórias como se fizessem parte da sua (deles) própria vida.
A cultura kitch que a musica de David Bruno transmite resume-se apenas a uma máxima,
“Eu sou de Gaia, nasci e cresci em Gaia…”
P.S.
Ficou de fora a máquina de lavar da Teka e a secar da Candy…
? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


