Considerado pela própria organização como um festival com uma identidade muito própria, o Basqueiral tem ao longo dos anos – e caminha a passos largos para o seu 10º aniversário -, trilhado um caminho entre os limites da pop, do rock, do alternativo e da dance music.
Sem uma identidade previamente definida, assiste-se a um desafio constante às propostas que surgem nos dois palcos do festival. Se na edição de 2025, no primeiro dia tínhamos os The Parkinsons como “cabeças de cartaz”, as restantes propostas levaram o público por caminhos travessos e até confusos na sua ideologia sonora.
Já é habitual nas outras edições, e esta não foi exceção, constatarmos junto do público uma grande franja “fã” de Heavy Metal, sim de Heavy Metal, em direção oposta ao que foi proposta musicalmente este primeiro dia de festival.
Calcutá abriu o festival com a sua dream pop alternativa, estrategicamente apresenta no Palco Capela.
Já no recinto do festival, a noite iniciava-se ao som da “revolt indie pop rock“ dos bbb hairdryer onde apresentaram o álbum “A Single Mother / A Single Woman / An Only Child” no Palco Museu.
Perante o indie rock de Chica, Francisco Couto, Miguel Gomes, e Elisabete Guerra, o público, salvo algumas boas exceções, vibrava de forma metaleiro, perdendo o rumo ao que se apresentava (de costas para o público) em palco.
Segui-se o “stoner psicadélico” dos Black Bombaim com a participação de Pedro Alves Sousa a juntar-se a Paulo Gonçalves (bateria), Ricardo Miranda (guitarra) e Tojo Rodrigues (baixo). “Stoner Rock” de alta velocidade (e qualidade), encontra em t-shirts de bandas de metal o seu encosto. Uma vivencia sonora por parte do público de festival a encontrar duas fações, os amantes das “guitarras” e os amantes dos “comes e bebes”. Perante tal descarga de energia assiste-se a um ambiente atípico e sem o apoio do público que merecem estes gigantes da música “made in Barcelos”.
A noite continuava e prometia ser longa. No palco Museu preparava-se a apresentação do primeiro projecto internacional desta edição de 2025 do Basqueiral.
Oriundos da Belgica, os Avalanche Kaito, formados pelo guitarrista Nico Gitto, pelo baterista Benjamin Chaval e abrilhantados por Kaito Winse, originário do Burkina Faso, revelaram perante o público uma energia e um peso espiritual que surgiram de forma profunda e sonoramente variada, onde a fusão, o rock e até a world music, num grito de declamação poética, levou ao consumar de uma energia pura que emanava do público, e que circulava livremente entre as antigas tradições griot e o thrash mais acelerado (com muitas paragens pelo meio).
Do outro lado do recinto, o palco tendinha preparava-se para receber os expoentes máximos do Punk nacional, The Parkinsons. Sim, a banda formada em Coimbra no ano 2000 após o fim dos Tédio Boys, e anunciada ao mundo em Londres, são sem dúvida o melhor registo punk nacional e internacional.
Afonso Pinto, Victor Torpedo, Pedro Chau e Ricardo Brito, sendentos de Rock´n´Roll, sem tréguas ou eufemismos, rapidamente mostraram ao público porque estavam ali, no Basqueiral, o festival sem identidade previamente definida.
Afonso Pinto, sempre curto e directo nas canções, revela-se igualmente curto e direto junto do público que se aglomerava de forma tímida junto do palco, ostentando as já referidas t-shirts de bandas de metal, questionado os “festivaleiros”, “Quem é que daqui gosta de Heavy Metal?”
A resposta por parte do público não se fez esperar, com uma eufusiva afirmação, ao que Afonso contra respondeu “wrong answer”
O “Sim” não era a resposta ideal para uma banda que transpira rock, responsável por abraçar o punk rock nos últimos 25 anos e formados por músicos com décadas de rock, mas os The Parkinsons mostraram neste regresso aos palcos o porquê da sua jornada musical… “God save The Parkinsons”
Resumindo o primeiro dia, encontramos um Basqueiral sempre fiel à sua linha programática, sempre com um rock mais musculado como banda sonora original, misturando um cocktail de emoções sonoras desde o indie, passando pelo stoner e terminando no punk rock. Em contra ciclo, e bem destacado pelo Afonso dos The Parkinsosn, um público que espera encontrar o lado mais pesado do rock, entre guitarras e gritos de revolta, quer em Português, quer no dialecto do Burkina Faso.
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? ? Paulo Homem de Melo


