Se houve um concerto onde a palavra “contenção” não teve lugar, foi o dos Viagra Boys.
A banda sueca regressou ao Primavera Sound Porto 2026 com a mesma fórmula que a tornou num dos nomes mais explosivos do circuito alternativo: riffs abrasivos, ritmos imparáveis, uma atitude desafiante e uma energia capaz de contagiar tudo e todos à sua volta. O resultado foi uma atuação avassaladora, daquelas que deixam marcas muito depois de o último acorde desaparecer.
Liderados pelo carismático e imprevisível Sebastian Murphy, os Viagra Boys fizeram do palco um espaço de permanente provocação e intensidade. A banda mostrou uma garra inesgotável, alimentando constantemente a energia da multidão, que respondia a cada música com ainda mais entusiasmo.
A exaltação era visível em todo o recinto. Braços no ar, rodas de mosh improvisadas, corpos em movimento constante e milhares de vozes unidas numa só. Não havia espectadores passivos. Havia apenas participantes de uma experiência coletiva onde a única regra parecia ser viver o momento até ao limite.
Entre saxofones frenéticos, linhas de baixo hipnóticas e guitarras afiadas, os suecos construíram uma atuação onde o caos era o principal ingrediente. Mas era um caos perfeitamente compreendido por quem estava ali. Um caos libertador, catártico e profundamente divertido.
O público português, que há muito adotou os Viagra Boys como uma das suas bandas favoritas dentro do universo pós-punk contemporâneo, voltou a responder em massa.
Com o público do costume, entregue do primeiro ao último minuto, os Viagra Boys voltaram a fazer história no Primavera Sound Porto, e desta vez acertaram o nome da cidade.
E durante aquela hora de caos absoluto, ninguém quis saber do amanhã.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


