“É a primeira vez que tocamos em Portugal…” A frase ficou no ar no final do concerto da noite de quarta feira, 8 de junho na Casa da Música, e recebida com algum espanto.
O colectivo russo apresentou-se em palco apresentando um espectaculo onde a música serviu como banda sonora ao filme das Pussy Riot, ao filme que ia sendo apresentado de fundo e de uma forma nua e crua contava a história do grupo desde 2011 num claro desafio à autoridade de Vladimir Putin e critica às elites russas.
Recorda-se que a banda tinha passado em Agosto de 2018 pelo Festival Vodafone Paredes de Coura…
O número de membros foi sempre uma variável das Pussy Riot. Fundado por Nadya Tolokonnikova em 2011, em Moscovo, o elenco rotativo de músicos e artistas chegou a contar com 11 activistas nos seus protestos. Apresentações provocadoras, e não autorizadas, em locais públicos, como forma de promover a igualdade de género, os direitos LGBT e a oposição clara ao presidente russo, Vladimir Putin e às elites russas.
Protestos que lhes valeram, e valem, uma série de condenações: Maria “Masha” Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova cumpriram pena de 21 meses de prisão após uma apresentação em 2012; “Masha” foi detida em Agosto de 2017 na cidade siberiana de Yakutsk, após um protesto contra a prisão do cineasta ucraniano Oleg Sentsov. Maria “Masha” Alyokhina em Abril de 2022 conseguiu fugir às autoridades russas juntando-se assim aos restantes elementos que iniciaram a digressão que passou pela Casa da Música.
Mas, mais do que penas de prisão, as ações das Pussy Riot trouxeram-lhes um público mundial para a sua mensagem e para a música pós-feminista que fazem enquanto banda punk. A atual digressão tem igualmente como objetivo criticar a invasão da Ucránia por parte da Russia bem como uma angariação de fundos para um Hospital da Ucránia.
Fotografias / Reportagem: Paulo Homem de Melo








































