Noites Azuis é a tradução para o Lux Frágil de Notas Azuis, programa de novo jazz que Rui Miguel Abreu assina na Antena 3. O programa nasceu depois da estreia da coluna de crítica com o mesmo nome na revista digital Rimas e Batidas, projecto independente de jornalismo musical que o veterano crítico e radialista criou em 2015.
Reconhecendo uma particular vibração na nova cena jazz, nos sinais que nos chegam de Londres, Chicago ou Los Angeles, mas também de Lisboa ou Porto, Rui Miguel Abreu deu início a uma coluna, primeiro, e a um programa de rádio, depois, com que pretende mapear esses novos sons que estão a transformar o presente e o futuro do jazz.
Noites Azuis é mais uma forma de investigar esses novos caminhos do jazz, com sessões mensais regulares a ocuparem uma das mais nobres e progressivas salas da nossa cidade, o Lux Frágil. A primeira edição acontece a 11 de Junho com a presença dos Mazarin e DJ Set de Rui Miguel Abreu
Não é que a geografia seja determinante – há nos Mazarin músicos que chegam de Beja, outros que aterraram na banda vindos ainda de lugares mais a sul –, mas importa saber que foi em Lisboa que se cruzaram, entre estudos académicos avançados de música clássica, derivas pelo Hot Clube em busca de formação jazzística e, sobretudo, espaços dançantes nocturnos onde captaram a vibração contemporânea do hip hop e de múltiplas velocidades electrónicas.
Vicente Booth (guitarra), João Spencer (baixo), Léo Vrillaud (teclas) e João Romão (bateria) integram agora a família da Monster Jinx, assinalando a entrada nesse universo roxo com a edição de um single que é um perfeito indicador da fórmula que têm vindo a desenvolver tranquilamente no laboratório que mantêm na zona Ocidental da capital, mas o som que hoje dominam é o resultado de um percurso atribulado de dois anos de gravações, palcos, estradas e muitas audições.
E agora é tempo de preparar a chegada de 2021, não sem antes firmarem os seus pés no mais estranho dos tempos presentes com a edição de um single que inclui os temas “Batata Palha” e “Vasenol”. Gravado durante uma residência na Etic, em Lisboa, esta dupla declaração de intenções dos Mazarin parte do jazz, acerca-se de um boom bap clássico, mas possui uma distinta identidade musical que é o resultado das incontáveis horas passadas em cima do palco, em permanente busca de um som próprio que não finja sotaques de Chicago ou de Londres, mas que ostente orgulhosamente o travo do sul de onde chegaram e a ginga da Lisboa contemporânea que adoptaram. Os Mazarin são daqui, sem dúvida, mas acreditamos que são bem capazes de irem muito mais longe.


