Ex-Easter Island Head é um quarteto de guitarras de Liverpool. Esta frase tão simples até pode ser suficiente para resumir a essência banda, não fosse este coletivo do Merseyside “um dos experimentos mais interessantes da música britânica”, como descreveu o The Guardian, em 2024. Domingo 1 de novembro, Ex-Easter Island Head aterra no gnration para um concerto único no país. Bem apetrechados, vêm mostrar-nos que ainda há muita coisa para se inventar com as guitarras elétricas.
Herdeiros das experiências de Glenn Branca, Rhys Chatham ou Fred Frith, do minimalismo de Steve Reich e John Cage ou da repetição ritmada da Penguin Café Orchestra, Ex-Easter Island Head baseia-se essencialmente em música instrumental feita com guitarras preparadas e percutidas. Com os instrumentos pousados na horizontal, Benjamin D. Duvall, Benjamin Fair, Jonathan Hering e Andrew PM Hunt afastam-se dos gestos habituais de tocar, privilegiando uma técnica em que as cordas, os corpos dos instrumentos e até os objetos que usam estão em pé de igualdade. Baquetas, varetas de bambu, chaves Allen, robôs mecânicos, linhas de pesca e até vibrações de telemóveis são algumas das ferramentas essenciais no arsenal da banda.
Entraram em cena com a trilogia “Mallet Guitars” (2010, 2012 e 2013), um título muito sugestivo da música que propõem. Começaram com um alinhamento simples: duas guitarras pousadas numa mesa e baquetas nas mãos. Pouco depois recrutaram um baixo, que deitaram também sobre uma mesa, e uns instrumentos de percussão. Seguiram-se os discos “Large Electric Ensemble” (2014) e “Twenty-Two Strings” (2016). Recentemente, voltaram aos lançamentos com o brilhante e muito aclamado “Norther” (2024), desta vez adotando o termo meteorológico dos ventos fortes e frios do Norte. Este trabalho incorpora ainda gravações de uma harpa eólica construída por Duvall, permitindo que o vento seja um agente na composição.
Este sexto e mais recente álbum valeu à banda destaques por toda a imprensa especializada anglo-saxónica, como The Wire, Loud and Quiet, Uncut, Pitchfork, Prog, The Guardian, Far Out Magazine, New York Times, para além de ser eleito disco do ano para a Quietus.
Ao longo dos anos, Ex-Easter Island Head tem-se apresentado tanto em salas de referência europeias como em locais inusitados, como numa pequena ilha escocesa ou numa cervejaria com 150 anos em Berlim. Passaram também por festivais de proa, como Le Guess Who? (Utrecht, Países Baixos), Rewire (The Hague, Países Baixos) ATP – All Tomorrow’s Parties (Londres, Reino Unido) e Supersonic (Birmingham, Reino Unido), contando ainda com uma passagem pelo Serralves em Festa, em 2019. Em 2025, acompanhando todo este destaque, foram convidados por Robert Smith, dos The Cure, a reinterpretar a canção Alone, inserida no álbum Mixes of a Lost World.
Colaboraram ainda com a BBC Philharmonic, a Liverpool Philharmonic e com o compositor norte-americano Arnold Dreyblatt.
🖋 Redação / press release
📸 Simon Gabriel’s


