“Cue Blue”, o quinto álbum dos australianos Kerbside Collection, marca um regresso ao som mais clássico da banda: um quarteto enxuto — guitarra, baixo, bateria e metais — a explorar jazz‑funk cru, grooves de rua e uma estética que combina tradição e contemporaneidade.
O disco recupera a energia das primeiras gravações do grupo, evocando o funk bluesy de Nova Orleães e referências como The Meters, Boogaloo Joe Jones, Melvin Sparks ou Billy Butler, enquanto dialoga com a nova vaga do deep funk — The Greyboy Allstars, The New Mastersounds, Breakestra, Cookin’ on 3 Burners ou The Bamboos.
O single de avanço, “Shivers”, abre o álbum com tudo aquilo que define o som da banda: guitarras sedosas, linhas de baixo elásticas, breaks de bateria secos e arranjos de metais cheios de sabor. Seguem‑se explosões de mod‑funk com ecos de Motown, o groove descontraído de “City Park Avenue”, e o território b‑boy de “Coffee Grinder”, com um solo de trombone a ferver.
Em “Air Head Boogaloo”, o grupo mergulha no boogaloo dos anos 60, Harlem e Bronx, com um solo de barítono de “Papa Joe” Roberts. “Sittin’ On The Porch” abranda o ritmo e aproxima-se do blues do Delta, evocando o calor húmido de Brisbane com detalhes sonoros quase cinematográficos.
Há ainda espaço para uma revisitação de “San Francisco Knights”, clássico dos People Under The Stairs, antes de o álbum entrar numa fase mais suave com a balada soul‑jazz “Shimmer”. O fecho chega com “Cue Blue”, uma peça de blue‑eyed soul que respira R&B vintage à la Donny Hathaway ou Marvin Gaye.
Com arranjos funk refinados e composições sólidas — muitas assinadas pelo guitarrista Tyler Cooney — “Cue Blue” é um disco cheio de groove, alma e sabor retro, mas com os pés firmes no presente.
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🖋 Redação / press release

