Marina Sena levou a natureza inquieta de “Coisas Naturais” ao Coliseu do Porto

O Coliseu do Porto recebeu, a 24 de outubro, Marina Sena para um concerto dedicado a “Coisas Naturais”, o álbum que marca uma nova etapa no percurso da cantora e compositora brasileira. Integrado na digressão que trouxe a artista de regresso a Portugal, o espetáculo colocou no centro da noite um universo sonoro onde a sensualidade, a liberdade e a experimentação se encontram, confirmando a identidade singular de uma das vozes mais marcantes da nova música brasileira.

Lançado em 2025, “Coisas Naturais” aprofunda o caminho artístico de Marina Sena, que tem construído uma linguagem própria através da combinação de pop contemporâneo, MPB, ritmos afro-brasileiros e elementos eletrónicos. Ao longo do disco, a cantora explora diferentes formas de sentir e de se relacionar com o mundo, sem perder a espontaneidade que distingue a sua escrita e a maneira como transforma experiências pessoais em canções.

No Porto, o novo trabalho foi o ponto de partida para um encontro com o público português, numa passagem particularmente significativa pela estreia da artista nos Coliseus nacionais. A dimensão da sala acompanhou um percurso que, desde “De Primeira” e “Vício Inerente”, tem vindo a consolidar Marina Sena como uma intérprete capaz de cruzar universos musicais distintos sem ficar presa a uma fórmula.

A música de Marina Sena vive de contrastes. Há uma sensualidade que atravessa a sua interpretação, mas também uma inquietação que impede as canções de permanecerem num único território. As melodias aproximam-se do pop, enquanto as bases rítmicas e as texturas eletrónicas abrem espaço a outras influências. É nessa mistura que reside parte da força de “Coisas Naturais”: um disco que procura a liberdade de experimentar e que encontra na voz da artista o elemento de ligação entre diferentes paisagens sonoras.

Temas como “Numa Ilha”, “Desmitificar”, “Anjo”, “TOKITÔ”, “Lua Cheia” e “Ouro de Tolo” ajudam a compreender a amplitude deste universo. Cada canção acrescenta uma nuance a um repertório que oscila entre a intimidade e a energia rítmica, entre a contemplação e o movimento. Mais do que uma coleção de temas isolados, o álbum constrói uma identidade onde a naturalidade não significa ausência de intenção, mas antes a liberdade de deixar coexistir diferentes impulsos.

A presença de Marina Sena na música brasileira contemporânea também se distingue pela forma como assume a sua própria identidade artística. A voz, a escolha dos arranjos e a relação entre palavra e ritmo fazem parte de uma linguagem reconhecível, que não procura apagar as suas referências, mas transformá-las em algo pessoal. O resultado é uma música que atravessa fronteiras entre géneros e que encontra no corpo, no desejo e na liberdade temas recorrentes.

A passagem pelo Coliseu do Porto representou, assim, mais do que a apresentação de um novo álbum. Foi a oportunidade de aproximar o público português de uma fase criativa em que Marina Sena amplia as possibilidades da sua música, mantendo o carácter distintivo que a trouxe até aqui. “Coisas Naturais” funciona como retrato de uma artista em movimento, interessada em explorar novas sonoridades sem abdicar da sua assinatura.

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🖋 Redação

📸 Sérgio Pereira

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