Entre 27 e 29 de janeiro de 2027, Braga volta a receber a conferência do SQUARE, integrada na segunda edição do festival-convenção dedicado à música nascida nas margens do Atlântico. Sob o tema “Continuidade”, o programa reúne conversas, entrevistas, assembleias, espetáculos, visitas guiadas e programas de rádio para refletir sobre as condições que permitem à criação musical persistir, transformar-se e atravessar gerações.
As rádios comunitárias estarão no centro de uma das primeiras conversas, enquanto espaços de experimentação, risco e trabalho quotidiano, onde a repetição permite aprofundar ideias e construir relações duradouras. A sessão reúne Leona Ojake, diretora de programação da rádio comunitária berlinense Refuge Worldwide e da plataforma de educação cultural Unity In The Community; Jinan Vyent, responsável pela direção e desenvolvimento comunitário da Oroko Radio, no Gana; e Alejandro “Ale” Cohen, diretor musical da KCRW.
A relação entre arquivo, memória e criação será explorada em “Arquivo e memória: uma exploração do não familiar”, uma conversa sobre práticas que recuperam e reativam arquivos sonoros, catálogos e colaborações entre gerações. A moderação estará a cargo de Jennifer Lucy Allan, escritora, investigadora e radialista britânica, apresentadora de “Late Junction”, na BBC Radio 3. A programação inclui ainda uma entrevista multigeracional que reunirá três artistas com percursos distintos na música portuguesa, contando já com a presença confirmada de Bia Maria, cantora e compositora natural de Ourém.
Já “Como se desenha o mapa da continuidade?” propõe uma reflexão sobre as formas de apoio e colaboração necessárias à sustentabilidade dos ecossistemas musicais independentes. Moderada por Margaret Munchheimer, artista, escritora e editora com colaborações em projetos como Le Guess Who? e Current Obsession, a conversa reúne Emma Thompson, diretora criativa da From the Other, e Arlen Dilsizian, cofundador das editoras Nyege Nyege Tapes e codiretor do Nyege Nyege Festival, no Uganda. A partir de experiências ligadas à programação, edição, experimentação e construção de comunidades musicais, a sessão procurará identificar práticas e recursos capazes de fortalecer as redes de suporte entre artistas, salas de espetáculos, agentes e organizações culturais. Os contributos serão reunidos num kit de continuidade, pensado para permanecer útil para lá do encontro.
A conferência olha também para os 15 anos da Príncipe, editora que contribuiu para transformar a paisagem da música eletrónica portuguesa e para a circulação internacional de linguagens nascidas nos bairros periféricos de Lisboa. A conversa reunirá DJ Marfox, figura fundadora da editora e pioneiro da batida lisboeta, e Helviofox, produtor de uma nova geração.
A conferência estende-se ainda à cidade e ao seu património com uma visita e conversa em torno do órgão de tubos da Igreja de São Lázaro. Quando o antigo edifício esteve ameaçado de demolição, a população guardou as peças do instrumento, permitindo a sua remontagem em 1976. Esta história de preservação coletiva serve de ponto de partida para uma reflexão sobre arqueomusicologia, vontade popular e acústica dos espaços sagrados, com a participação de Jonathan Uliel Saldanha, compositor, artista visual e encenador cujo trabalho cruza música experimental, performance, instalação e sistemas sonoros.
A Continuidade será, ainda, pensada através de uma correspondência sonora entre diferentes geografias. A convite do SQUARE, dois parceiros partilharão gravações de campo e mensagens sonoras nos meses anteriores ao festival, materiais que servirão de ponto de partida para uma conversa sobre escuta, território e circulação de experiências. A sessão reúne Luis Alvarado, produtor discográfico, curador e diretor da Buh Records, editora dedicada à recuperação e divulgação da música experimental e de vanguarda do Peru e da América Latina, e Katía Truijen, investigadora, curadora e música ligada ao festival Rewire, cujo trabalho aborda práticas de escuta, organização coletiva e transformação cultural. A moderação estará a cargo de Kaitlyn Davies, produtora cultural, investigadora e radialista radicada em Lisboa, com um percurso que inclui plataformas como Boiler Room, SoundCloud e !K7 Music.
Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2025, o SQUARE volta a organizar um conjunto de assembleias populares com artistas das quatro cidades que acolhem o evento. Estes encontros procuram escutar as comunidades artísticas locais, identificar desafios e necessidades e abrir espaço à partilha de experiências sobre as condições de criação e sustentabilidade cultural em cada território.
Os resultados serão apresentados na Assembleia SQUARE ao vivo, moderada por Ricardo Baptista. As assembleias realizam-se a 16 de novembro, no Sé la Vie, em Braga, entre as 19h30 e as 21h00; a 17 de novembro, no CAAA, em Guimarães, entre as 18h30 e as 20h00; a 23 de novembro, no Pacóvio, em Viana do Castelo, entre as 18h30 e as 20h00; e a 24 de novembro, no Cru, em Famalicão, entre as 18h30 e as 20h00.
O programa completo da conferência será lançado no final de novembro.
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