Midori Hirano e o que habita no espaço entre os sons chega ao gnration em Braga

Compositora japonesa, atualmente a viver em Berlim, Midori Hirano regressa a Portugal, pela primeira vez em dez anos, para apresentar “OTONOMA”.  Lançado pela histórica Thrill Jockey em fevereiro deste ano, chega a 9 de outubro ao gnration em Braga, numa data única no país.

Natural de Quioto, Midori Hirano cresceu a tocar piano. Pouco depois de terminar a formação clássica descobriu a música eletrónica, os sintetizadores e as quase infinitas possibilidades da experimentação eletrónica. Começou a escrever música sobrepondo a composição clássica e o novo interesse pelos sons sintetizados e pelo processamento sonoro.

Em 2006, mostrou-se ao mundo com “LushRush”, disco onde intercalava o piano com glitches (falhas eletrónicas) e samples. Dois anos depois, consolidou-se com o muito elogiado “klo:yuri”, disco editado pela japonesa noble. Depois deste primeiro sucesso mudou-se para Berlim e, em 2011, interessada pelo ritmo da música eletrónica, começa o projeto MimiCof. Com este pseudónimo e ao longo de uma década, Hirano editou cinco LPs – “RundSkipper” (2011), “KotoLyra” (2012), “Moon Synch” (2017), “Distant Symphony” (2022) e “Modulisme Session 072”  – e atuou em festivais de relevo na música eletrónica como Heroines of Sound Festival (Berlim) e L.E.V.Festival (Gijón) e ao Boiler Room Berlin.

Ao mesmo tempo, continuou a editar disco em nome próprio, destacando-se “Minor Planet” (2016), “Mirrors in Mirrors” (2019), “Invisible Island” (2020) e “Soniscope” (2021), que ajudam a definir o seu estilo distinto marcado por composições delicadas, que casam o piano e a música eletrónica.

“OTONOMA”, o disco mais recente, chega como o culminar destas duas décadas de carreira. Em japonês, “Oto” significa som e “Ma” pode referir-se ao espaço entre coisas ou à palavra sala. Assim, “OTONOMA” pode ser interpretado como o espaço entre sons ou a sala de sons. “Escolhi este título na esperança de que o público percorresse os diferentes espaços sonoros à medida que ia ouvindo”, revela Hirano nas notas que acompanham o lançamento. “Tal como quando se percorrem divisões, o álbum apresenta as minhas diversas paletas sonoras”.

Para além do trabalho a solo, Midori Hirano soma colaborações com a instrumentista Atsuko Hatano, o produtor Hprizm, também conhecido como High Priest do grupo de hip hop Antipop Consortium, ou o duo alemão Brueder Selke. Recentemente fez a banda sonora para os filmes Tokito (2024), de Aki Mizutani, e Satisfaction (2025), de Alex Burunova.

A 2 de outubro, antes da passagem por Portugal, Midori Hirano edita também a sua reinterpretação da banda-sonora do filme islandês The Juniper Tree (1990), realizado por Nietzchaka Keene e que marca a estreia de Björk no cinema. Foi também responsável por fazer a música e paisagem sonora para Expo 2025 em Osaka, que foi tocada nos espaços entre os diferentes pavilhões.


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🖋 Redação / press release

📸 Markus Wambsganss

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