Os Pontos Negros abriram o Rock & Dão 2026 com duas décadas de rock em português

A primeira edição do Rock & Dão começou com uma banda que conhece bem o caminho que o rock português percorreu nas últimas duas décadas. Quase no fim da tarde, Os Pontos Negros subiram ao Palco Principal, em Viseu, para inaugurar musicalmente um festival que nasceu com vontade de celebrar o rock nas suas diferentes formas.

A escolha ganhou um significado ainda maior por acontecer precisamente no ano em que a banda celebra 20 anos de carreira. Formados em Queluz, em 2005, Os Pontos Negros tornaram-se uma das formações mais importantes da renovação do rock cantado em português, levando para as suas canções a energia da garagem, a leveza da pop e um olhar atento sobre o quotidiano.

Jónatas Pires, David Pires, Filipe Sousa e Silas Ferreira construíram desde cedo uma identidade muito ligada às suas origens. A Linha de Sintra não aparece apenas como cenário biográfico: faz parte da própria personalidade da banda, das histórias que conta e da forma como transforma experiências urbanas em canções diretas, melódicas e cheias de personalidade.

No Rock & Dão, essa identidade encontrou um novo contexto. Vinte anos depois do início da aventura, Os Pontos Negros regressaram ao palco para mostrar que algumas canções conseguem atravessar gerações sem perder a frescura que lhes deu origem.

A força da banda esteve precisamente no equilíbrio entre a urgência do rock e uma escrita que nunca precisou de complicar para dizer muito. As guitarras trouxeram a energia necessária para abrir um festival, enquanto as teclas e a secção rítmica ajudaram a construir uma sonoridade que continua a viver entre a atitude e a melodia.

Havia também uma dimensão simbólica naquele primeiro concerto. Um festival novo começava a escrever a sua história ao mesmo tempo que uma banda com duas décadas de percurso celebrava a sua própria viagem. O encontro entre esses dois momentos criou uma espécie de passagem de testemunho: entre aquilo que o rock português já construiu e aquilo que ainda pode vir a construir.

Ao longo deste ano, Os Pontos Negros têm assinalado os 20 anos através da recuperação de histórias e temas que marcaram o seu percurso, numa celebração que olha para trás sem deixar de apontar para o futuro.

E talvez não houvesse melhor forma de começar a primeira edição do Rock & Dão: com uma banda que ajudou a provar, há duas décadas, que o rock português também podia falar diretamente a partir das ruas, das cidades e das experiências de uma nova geração.

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🖋 Diana Silva

📸 Paulo Homem de Melo

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