Mitologia, memória e o trombone de Kalia Vandever são o espelho de “Mana”

O seu estilo nunca foi muito fácil de definir. Anda pelo jazz, pela eletrónica ambient, pela música drone ou até pela música minimal com laivos de Sakamoto. Ainda assim, nos últimos cinco anos, Kalia Vandever tornou-se numa figura aclamada da nova geração de experimentalistas que empurram a música para o futuro – como bem destacou a rádio norte-americana NPR.

No final do Verão, retorna a Portugal para apresentar o novíssimo “Mana” (2026), disco lançado pela conceituada International Anthem, em junho.

Imerso na mitologia havaiana, “Mana” refere-se ao poder sobrenatural e divino que permeia tudo à nossa volta. É com esta referência que Kalia Vandever constrói um disco que se desenrola como um ritual de louvor às suas raízes no arquipélago do Pacífico. Nas notas que acompanham o álbum, Kalia conta que traz consigo as histórias, a sabedoria e o carinho dos antepassados, enquanto navega por temas como o luto, o amor, a ideia de comunidade e a exploração. O trombone, fiel instrumento com o qual tem desenhado a sua carreira, continua a tomar a dianteira. Como bem nos habituou em trabalhos anteriores, o instrumento está sempre banhado em reverberação e mudanças polifónicas de tom. Mas “Mana” traz algo novo à equação. As melodias do trombone são agora pautadas por delicadas tríades ao piano e a voz de Kalia aparece, pela primeira vez, em força, dando um novo poder aos versos e à palavra. 

Trombonista e compositor, depois de frequentar a prestigiada Julliard, em Nova Iorque, Kalia Vandever começou a atuar a solo, em quarteto e noutras formações. Com o disco de estreia “In Bloom” (2019) e o seu sucessor, “Regrowth” (2022), afirmou-se rapidamente como um nome de referência nos círculos do jazz. Seguiu-se “We Fell In Turn” (2023), álbum que apresentou em Braga no festival Semibreve, em 2024. Um ano volvido voltou a juntar-se ao seu quarteto – e à guitarrista Mary Halvorson – para revelar “Another View” (2025).

A 15 de setembro apresenta “Mana” em Lisboa na Galeria Zé dos Bois e a 18 de setembro, o concerto é no gnration, em Braga. 

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🖋 Redação / press release

📸 Mikel Patrick Avery

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