O quarto e último dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 começou de uma forma particularmente especial. Noiserv foi o responsável por abrir a derradeira jornada e trouxe consigo um universo sonoro construído praticamente a solo, onde cada instrumento parece ter uma função própria na criação de uma paisagem musical profundamente íntima.
Por detrás de Noiserv está David Santos, músico e compositor lisboeta que há anos constrói uma das propostas mais singulares da música alternativa portuguesa. Em palco, a ideia de “homem-orquestra” ganha um significado literal: rodeado por dezenas de instrumentos, David Santos transforma o palco num pequeno laboratório de sons, melodias e texturas.
A atuação começou com uma atmosfera naturalmente mais contemplativa.
Cada instrumento acrescentava uma nova camada. Uma pequena alteração podia mudar completamente o ambiente e, quando diferentes elementos se juntavam, aquilo que parecia nascer de forma simples transformava-se numa composição muito mais complexa.
A grande particularidade de Noiserv está precisamente aí. Apesar de estar sozinho em palco, nunca existe verdadeiramente a sensação de solidão. Os instrumentos multiplicam a presença do músico e fazem nascer uma banda inteira a partir de uma única pessoa.
Em Coura, esse efeito ganhou uma dimensão especial. Depois de três dias de festival marcados por diferentes intensidades, começar o último capítulo desta forma permitiu ao público abrandar, escutar e reparar nos pequenos detalhes.
Havia algo quase mágico em observar David Santos passar de um instrumento para outro, construindo ao vivo uma música que parecia crescer diante dos olhos de quem assistia.
E, enquanto o Vodafone Paredes de Coura 2026 entrava na sua última jornada, Noiserv lembrou que uma despedida também pode começar em silêncio, com dezenas de instrumentos e uma só pessoa a fazê-los falar.
🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


