A noite do primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura 2026 ganhou uma nova dose de irreverência quando Wet Leg chegaram ao palco. Depois de uma jornada que já tinha atravessado diferentes territórios sonoros, a banda britânica trouxe consigo uma energia descontraída, provocadora e impossível de levar demasiado a sério.
Desde os primeiros acordes, ficou evidente que Wet Leg sabem transformar simplicidade em atitude. As guitarras avançaram com uma força descomplicada, as melodias ficaram rapidamente na memória e o sentido de humor da banda atravessou a atuação, criando um concerto tão divertido quanto musicalmente sólido.
Os temas mais reconhecíveis foram recebidos com entusiasmo, enquanto o publico acompanhava cada mudança de ritmo e cada momento de cumplicidade vindo do palco. Havia dança, havia vozes e, sobretudo, havia uma sensação de liberdade que combinava perfeitamente com o ambiente do festival.
A identidade das Wet Leg está precisamente nessa capacidade de não escolher entre o lado mais descontraído do indie rock e uma escrita pop extremamente eficaz. As canções podem parecer leves à primeira escuta, mas escondem uma construção cuidada e uma personalidade que rapidamente se torna impossível de confundir.
Em palco, essa personalidade ganhou ainda mais dimensão. A banda alternou momentos de maior intensidade com outros em que o humor assumia o protagonismo, mantendo o público permanentemente ligado. Não havia necessidade de transformar cada instante num acontecimento grandioso: bastava deixar as canções e a atitude fazerem o trabalho.
Àquela altura, o Vodafone Paredes de Coura já estava completamente mergulhado na noite, mas Wet Leg conseguiram acrescentar-lhe uma energia diferente. Uma energia que não precisava de dramatismo para funcionar e que encontrou na ironia uma das suas melhores armas.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


