No Primavera Sound Porto 2026, os Slowdive voltaram a provar porque continua a ser uma das referências incontornáveis do shoegaze, oferecendo ao Parque da Cidade uma atuação que pareceu existir algures entre a realidade e o sonho. Durante mais de uma hora, o tempo perdeu definição, as fronteiras entre palco e público diluíram-se e a música transformou-se numa experiência quase sensorial.
Desde os primeiros acordes, uma muralha de guitarras envolveu o recinto. Não como algo agressivo ou esmagador, mas como uma maré lenta e hipnótica que avançava sobre o público. As camadas sonoras características da banda encontraram no cenário do Primavera Sound o espaço perfeito para respirar, expandindo-se pelo parque como uma névoa luminosa.
A voz etérea de Rachel Goswell, acompanhada pela serenidade vocal de Neil Halstead, serviu de guia para uma viagem onde cada tema parecia fluir naturalmente para o seguinte. Não existiam rupturas nem momentos de pressa. Apenas uma sucessão de paisagens sonoras cuidadosamente desenhadas, capazes de suspender o mundo exterior por instantes.
As projeções visuais e o jogo de luzes reforçaram a dimensão cinematográfica do concerto.
À medida que a noite avançava, a atuação ganhava contornos quase transcendentes. Como se o Parque da Cidade tivesse sido transportado para um universo paralelo onde a melancolia não pesava, mas flutuava suavemente sobre cada acorde.
Porque assistir a um concerto dos Slowdive nunca é apenas ver uma banda em palco.
É entrar num sonho acordado.
E naquele inicio de noite, no Primavera Sound Porto, milhares de pessoas sonharam juntas.
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🖋 Diana Silva
📸 Paulo Homem de Melo


