Entre Lisboa, Porto e Loulé, o Misty Fest 2026 revela novos nomes do cartaz e apresenta a programação completa da Sala Luís de Freitas Branco, no CCB.
Nancy Vieira & Francisco Sassetti, Youn Sun Nah, Maria João & João Farinha e Eliana Glass juntam-se à edição deste ano, enquanto Raül Refree & Maria Mazzotta somam uma nova data em Loulé, assinalando o regresso do festival ao Cineteatro Louletano.
Jazz, música do mundo, eletrónica, improvisação, voz e piano cruzam-se assim no encerramento de uma edição marcada pela diversidade estética, pela proximidade e pela descoberta artística.
Dois nomes maiores dos respetivos universos musicais encontram-se numa das propostas mais arrojadas desta edição do Misty Fest. De um lado, Nancy Vieira — multipremiada referência da música cabo-verdiana, cuja voz atravessa diferentes geografias e influências com rara naturalidade. Do outro, Francisco Sassetti — nome incontornável do neoclássico português, que há mais de 30 anos se distingue pela capacidade única de transformar experiências pessoais e quotidianas em envolventes narrativas ao piano.
Ao longo do seu percurso, Nancy Vieira tem vindo a cruzar a tradição musical de Cabo Verde com diferentes linguagens e sensibilidades, construindo uma obra profundamente marcada pela ideia de encontro e diálogo. Já Francisco Sassetti desenvolveu um universo musical contemplativo e cinematográfico, onde intimidade, memória e emoção ocupam lugar central.
Juntos, prometem transformar a Sala Luís de Freitas Branco, no CCB, num espaço de proximidade e descoberta criativa, num concerto tão intimista quanto livre dia 27 de novembro.
Elogiada pelo The Guardian pela forma “fluida” como se move “entre o dramatismo impressionista, a improvisação abstrata e a simplicidade desarmante da folk”, Youn Sun Nah afirmou-se como uma das mais singulares e admiradas vocalistas do jazz contemporâneo. Natural de Seul, na Coreia do Sul, estudou jazz e música contemporânea em Paris antes de se estrear em disco com “Reflet” (2001), iniciando um percurso marcado por sucessivos álbuns aclamados internacionalmente, como “Same Girl” (2010) e “Lento” (2013), ambos distinguidos com Disco de Ouro em França e na Alemanha.
Nesta edição do Misty Fest, apresenta o seu universo musical ao público português, em concertos intimistas dia 28 de novembro naCasa da Música no Porto e a 29 de novembro no CCB em Lisboa.
O nome de Maria João confunde-se com a própria história do jazz português. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, a cantora construiu um percurso singular, marcado pela improvisação, pela experimentação e por uma constante recusa de fronteiras estéticas. No centro desse itinerário esteve sempre a voz como lugar de liberdade e transformação, “repleto de espaços, silêncios, sons, ambição e fôlego”, como explica a artista.
É precisamente nessa voz, descrita por Maria João como “sem vergonha” e “amorosamente musculada”, que se centra o espetáculo que apresenta nesta edição do Misty Fest, ao lado do produtor, teclista e multi-instrumentista João Farinha. Colaborador de longa data e cúmplice musical de diversos projetos, Farinha cruza a formação jazzística com uma afinidade especial pela música eletrónica, ligando piano, texturas sintéticas e processamento digital.
Juntos exploram as múltiplas possibilidades expressivas da voz num concerto guiado pela curiosidade e pela descoberta. “Vamos tentar fazer da voz a protagonista, a acompanhante, a percussionista, o coro e a poeta”, afirma João Farinha, resumindo o espírito livre e imprevisível deste encontro em palco, dia 28 de novembro no CCB em Lisboa.
Formada em jazz na The New School (Nova Iorque), sob orientação de mentores como Andrew Cyrille, Ben Street, Kris Davis e Jay Clayton, a australiana Eliana Glass desenvolveu os seus talentos de vocalista, pianista e artista visual.
Fiel ao brilho sugerido pelo próprio nome, a música de Glass refrata a vida contemporânea como um prisma, revelando as suas estranhezas e fragilidades com rara delicadeza. A sua voz intemporal transporta uma sensibilidade melancólica e profundamente humana, enquanto a relação de toda uma vida com o piano se faz sentir na clareza e subtileza da sua interpretação. Entre composições minimalistas, depuração sonora e um lirismo poético muito próprio, as suas canções movem-se entre a nostalgia agridoce, a contemplação e o assombro.
O álbum de estreia “E” (2025), que apresenta nesta edição do Misty Fest dia 28 de novembro no CCB em Lisboa e dia 30 na Casa da Música no Porto, marca um ponto de partida entusiasmante para uma artista cuja música parece existir permanentemente em aberto, entre a curiosidade e a suspensão.
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