DDD – Festival Dias da Dança partilha histórias de migração, trabalho e género

O DDD arranca a 23 de abril com a estreia de “Os Gigantes”, de Victor Hugo Pontes & Dançando com a Diferença, e encerra a 4 de maio, com a estreia nacional de “Mont Ventoux”, do coletivo KOR’SIA.

A 9.ª edição do DDD – Festival Dias da Dança realiza-se entre os dias 23 de abril e 4 de maio nas cidades do Porto, Matosinhos e Gaia. Ao longo de 12 dias serão apresentados 27 espetáculos – 19 em estreia absoluta ou nacional –, num total de 49 récitas, com artistas consagrados e emergentes, em 18 palcos distribuídos pelo Porto (Rivoli, TMP Café, Campo Alegre – Auditório, Sala Estúdio e Café Teatro, Serralves, Palácio do Bolhão, mala voadora, CRL Central Elétrica – Auditório e Blackbox,  Mercado do Bolhão, Parque das Águas, Parque da Pasteleira, Bairro de São Victor), Matosinhos (Praça Guilherme Pinto, Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery) e Gaia (Auditório Municipal de Gaia, Parque Municipal da Lavandeira).

“A cada nova edição, encontramos a dança nas suas múltiplas formas e expressões. Apesar de não haver uma imposição de temática fixa, inevitavelmente há temas que surgem, moldados pelas visões artísticas que respondem ao aqui e agora. Algumas obras desta edição relacionam-se com as histórias do flamenco, da salsa, do tanztheater, do drag, entre outras. Mais do que homenagear essas formas, reenquadram-nas e reclamam-nas, jogando com o movimento e o contexto num espírito de colaboração”, afirma Drew Klein, Diretor de Artes Performativas da Ágora (responsável pelo TMP, DDD e Campus Paulo Cunha e Silva).

Consolidado no circuito nacional e internacional das artes performativas, o DDD tem deixado o seu cunho no apoio à criação artística, com destaque para as coproduções atribuídas a companhias e artistas que trabalham a partir das cidades do festival, potenciando a sua circulação e internacionalização, apresentando espetáculos – muitas vezes em estreia – dos mais reputados coreógrafos nacionais e internacionais.

Entre regressos, estreias e novos formatos, o DDD 2025 reforça o seu lugar entre os festivais de artes performativas de referência, integrando redes e projetos europeus: Big Pulse Dance Alliance, Visiting Artists Program, IMPACT e Grand Luxe.

A abertura do DDD 2025 acontece no dia 23 de abril, no Rivoli, às 21h30, com a estreia nacional de “Os Gigantes”, de Victor Hugo Pontes & Dançando com a Diferença. A partir da última peça de Pirandello, “Os Gigantes da Montanha [I giganti della montagna]”, interrompida pela morte do autor, o coreógrafo trabalha sobre a ideia de que tudo o que acontece em palco é inacabado, o que se vê em cena pode ser só sonho.

No mesmo dia, mas no Palácio do Bolhão, será apresentado “Fugaces”, de Aina Alegre/ Centre chorégraphique national de Grenoble & STUDIO FICTIF, em estreia nacional. A coreógrafa catalã interpreta livremente as danças e a energia da bailarina de flamenco, Carmen Amaya (1918–1963), como um fantasma fugidio.

De regresso ao DDD, Gaya de Medeiros apresenta no Auditório Municipal de Gaia, no dia 24, “Cafézinho”, com um elenco de bailarinas, cantoras e músicos, entre os 23 e os 61 anos. Em resposta a “Café Müller”, de Pina Bausch, este trabalho explora a coreografia como uma tentativa de acordar a raiva.

A 25 de abril estreia, no Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, a peça “OU” de André Braga & Cláudia Figueiredo / Circolando – Central Elétrica com Panaibra Canda.

No mesmo dia, e pela primeira vez no DDD, Be Dias apresenta, na CRL – Central Elétrica, “RE.SET a metaphor formy queer emancipation”, onde revisita memórias pessoais conectadas com a sua família, afetividades, romances e experiências profissionais para criar uma performance autobiográfica sobre a sua lesbianidade em contínua transmutação.

No Café Teatro do Campo Alegre, também a 25, sera apresentado “Durarei por Paz e Nunca por Mal”, onde a dupla Mélanie Ferreira & Daniel Matos desenha um dispositivo em que o público é convidado a estar perto e a esperar um caminho contemplativo, onde a solidão e a força são o centro de um processo de trabalho que constrói possibilidades de imagens ou a sua ausência por completo.

Já no Auditório do Teatro Campo Alegre, Vânia Doutel Vaz estreia “violetas”, uma peça íntima de dança onde se existe e resiste num ambiente minimalista, onde se joga com a expectativa e perceção num lugar de intimidade e reflexão.

De volta a CRL – Central Elétrica, Jo Castro apresenta “LABIA”, no dia 26, um projeto processual e transmutante de encontro entre artistas multidisciplinares que navegam entre mundos sem se encerrar em formas enraizadas.

No mesmo dia, mas na Sala Estúdio do Campo Alegre, Ana Rita Xavier & Daniel Conant estreiam “BEAUTIFUL”, um subterfúgio para a rebelião, sobre lugares que nos inquietam e espaço entre intimidade e colaboração; subversão e reivindicação; amizade e performatividade.

No Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, Sónia Baptista estreia, a 29 de abril, “KING SIZE”: um confronto entre os dispositivos de criação de performances drag contemporâneas com os códigos rígidos de representação de género na dança e no teatro tradicionais.

De volta ao Rivoli, estreia, a 29, “C.C. Crematística e Contraforça” de Vera Mantero & Cúmplices.

A 2 de maio, no Palácio do Bolhão, Marcelo Evelin estreia “Bananada: OPERANTÍPODA (parte I)”, um objeto coreográfico físico e sonoro criado para e com oito artistas-colaboradores da companhia Demolition Incorporada. Uma ópera desenterrada dos trópicos primordiais – ressuscitada de um tempo remoto –, contrária e em oposição, reconstruída na ficção de uma memória inventada.

No Auditório Municipal de Gaia, também no dia 2, Ana Isabel Castro estreia “Adoçar”, como sinónimo de lavar, explora a ideia de limpeza, de criar espaço que origina disponibilidade.

No dia seguinte, o Campo Alegre recebe a estreia nacional de “Magic Maids”, de Eisa Jocson & Venuri Perera, que desmistifica as muitas formas como a história da caça às bruxas europeia se entrelaça com as redes globais de trabalho de assistência e a exploração do corpo feminino colonizado.

De volta ao TMM Constantino Nery, destaque para a estreia nacional de “VAIVÉM” de Camilo Mejía Cortes, também no dia 3 de maio. Nesta peça, o multifacetado artista colombiano analisa a relação intrincada entre o seu corpo e o género musical salsa, com o objetivo de revelar as múltiplas camadas que definem essa ligação.

Fábio (Krayze) Januário estreia-se no festival com “Musseque”, na mala voadora, a 24. Antes de ser uma peça para quatro bailarinos, “Musseque” é casa, nas periferias de Luanda, é o encontro de onde saíram, há muito tempo, e para onde voltam em memória – e em corpo – através do kuduro.

O primeiro sábado do DDD, dia 26, é de festa aberta à comunidade. A partir das 22h30, o TMP Café será palco da festa-performance “Solte a sua fera”, do Coletivo Afrontosas, que reflete o encontro de difusões de cores (ou ausência delas), formatos, sons dissimulados, por seguir a hora do encantamento, como algo que tudo pode acontecer. A entrada é livre.

A 29 de abril, no Auditório do Campo Alegre, coproduzido pela La Biennale di Venezia, nota para a estreia nacional de “Friends of Forsythe”, espetáculo de William Forsythe & Rauf “Rubberlegz” Yasit, Matt Luck, Julia Weiss, Brigel Gjoka & JA Collective. Nesta peça, que celebra a diversidade das culturas de dança e a noção de união, o coreógrafo norte-americano explora as raízes e as origens da dança folclórica, do hip-hop e do balé, mostrando a diversidade de experiências e linguagens dos bailarinos através da sua comunicação física em palco. 

No mesmo dia, no Café Teatro, palco para a nova criação de Cristian Duarte em companhia, “e nunca as minhas mãos estão vazias”, numa referência a um verso de um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, declamado por Maria Bethânia. A obra confronta uma realidade marcada por desigualdades, propondo a força e a diversidade do coletivo como uma resposta sensível.

Em Serralves, a 3 de maio, André Uerba apresenta “Æffective Choreography”, onde investiga estruturas, políticas e práticas de intimidade.

No mesmo dia, no Campo Alegre, estreia nacional de “Vagabundus” de Ídio Chichava/ Converge+. Uma performance na qual 13 intérpretes dançam e cantam músicas moçambicanas antigas e atuais, gospel e motivos barrocos sem parar, expondo as suas almas e mostrando que juntos podem exceder o seu potencial.

Já no Rivoli, em estreia nacional, o coletivo KOR’SIA revisita a obra que Francesco Petrarca escreveu em 1336, “Ascesa al monte Ventoso”, em “Mont Ventoux” – uma história que permite aprender com o passado, que pode ser transformado numa experiência melhor do presente e, como tal, na construção de um futuro melhor.

A 9.ª edição do DDD termina, a 3 de maio, com uma festa no TMP Café.

Dando continuidade à parceria com o balleteatro, o Corpo+Cidade vai apresentar seis espetáculos em espaços públicos do Porto, Matosinhos e Gaia: “Budô”, de Joana Couto & Leo Calvino, dia 25, na Praça Guilherme Pinto, em Matosinhos; “Echoes of the Void” de Helder Seabra, a 26, no Mercado do Bolhão, no Porto; “P_Z_L_S” de Max Oliveira, a 3 de maio, no Parque da Pasteleira; “Encontros instáveis” de Elisa Miravalles, dia 4, no Bairro de São Victor; “as bestas, as luas”,de Elisabete Francisca, a 27 de abril, no Parque Municipal da Lavandeira, em Gaia; e “ARBOREUS de Pedro Ramos” d’ Ordem do O, no Parque das Águas, a 2 de maio.

Tal como tem vindo a acontecer nos últimos anos, os artistas que participam no DDD 2025 são convidados a fazer workshops para profissionais e estudantes de artes performativas no CAMPUS Paulo Cunha e Silva. Em “Imagination and rhythm as a medium of invocation”, Aina Alegre vai partilhar ideias desenvolvidas em “FUGACES”; Selma Mylene vai falar de “Kuduro/ Afro-house” e transmitir as noções e bases do movimento com origem angolana; Cristian Duarte aborda “Dramaturgia Tátil”, uma articulação voltada para a sensorialidade do movimento; Justin Talplacido Shoulder apresenta algumas das suas metodologias de conceção concetual e performativa em “Creature Lab”; Camilo Mejía Cortes promove um workshop de movimento, “Cuerpos Manglar”, através de formas de dança populares como a salsa; Ídio Chichava aborda elementos técnicos que visam a aquisição e expansão de uma consciência corporal que procura estabelecer uma interface entre a linguagem da dança em “Uploading the Rhythm”; Eisa Jocson & Venuri Perera exploram o poder da intenção através do movimento e da expressão colectiva em “Magic Maids: Broomology 101”; e os coreógrafos e diretores da KOR’SIA, Mattia Russo e Antonio de Rosa, prepararam um workshop onde vão explorar a memória corporal, os limites físicos e novas formas de expressão através de exercícios guiados e improvisações.

Paralelamente, os estudantes da Escola Secundária Almeida Garrett terão a oportunidade de participar num workshop exclusivo com Gaya de Medeiros, cujo título é “Perdidos e Achados”.

O público em geral é convidado para uma conversa participativa centrada nas respostas criativas e críticas à performance e a abordagens experimentais às artes performativas. Este evento propõe um diálogo aberto com profissionais locais, incluindo a escritora Cláudia Galhós, e a plataforma Performing the Archive.

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? Redação / press release

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