Lançado em abril de 2024, ano em que se comemoraram os 50 anos da Revolução, Vitorino pratica a habitual simplicidade inconformada, que tanto o identifica, optando em “Não Sei Do Que É Que Se Trata, Mas Não Concordo”, por uma paleta sonora diferente da existente em trabalhos anteriores, explorando novos caminhos estéticos.
Com uma carreira de 50 anos, Vitorino é um nome incontornável na memória da Revolução dos Cravos. Musical e politicamente activo desde essa altura, nunca deixou de escrever, compor e cantar ao vivo o seu repertório que tem raízes profundas no Alentejo.
Em noite de celebração e reconhecimento, Vitorino regressou às origens, ao Porto, onde segundo o músico, tudo começou na Rua de Santa Catarina junto da “família Arnaldo Trindade”.
De forma subtil e com toques de um humor inconformado, como já referido, percorreu algumas canções do novo disco destacando-se ene outros os temas “Cravos Vermelhos”, um poema de Florbela Espanca e “Uma Pontinha Por Ti” de Carlos Mota de Oliveira, tendo igualmente deslizado por algumas canções avulsas, repartidas por entre composições para projetos musicais em que participou ou elaboradas para outros intérpretes.
Seguindo um alinhamento caótico e desorganizado para os seus próprios músicos em palco, Vitorino estabelecia ao longo do concerto um fio condutor do seu próprio pensamento musical.
Para o encore estava reservada a surpresa que já toda a gente sabia, os Karetus juntam-se a Vitorino para juntos recriarem ao vivo o tema “Laurinda”
50 anos depois Vitorino em palco, é um artista com que se concorde… a discordar.
Uma nota negativa para o público que embora tenha esgotado a Casa da Música numa noite de domingo, viveu a intensidade das canções de forma amorfa e apática, despertando apenas no final quando Vitorino, pelas suas próprias palavras disse, “Vamos tocar aquela”, referia-se claro ao tema “A Queda do Império”, lançada no álbum “Flor de la mar” em 1983.
? Sandra Pinho
? Paulo Homem de Melo


