O MEO Marés Vivas voltou… mas não foi no Cabedelo

Para desilusão dos quantos pensavam que, por mudar de sítio, o festival MEO Marés Vivas não tivesse o hino das Manhãs da Comercial, Vasco Palmeirim adaptou o já hit musical que se canta em todo o recinto. Em 2018 o festival nortenho assenta arraiais na antiga Seca do Bacalhau. Com um cartaz recheado, coube a Jamiroquai e a Richie Campbell fazer as honras da casa.

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O festival teve início no Palco Santa Casa. Mesmo com a prévia atuação dos WAZE no Palco KIA, o primeiro grande espetáculo foi da autoria de Fernando Daniel.

O cantor, vencedor da quarta edição do “The Voice Portugal” entrou com toda a força para fazer esquecer a nortada e o frio que se fez sentir. Começou, para delírio das mais jovens, pelos hits mais conhecidos. Passou por Kodaline (somewhere only we know) para terminar como tinha começado.

Sempre com o apoio do público, foi uma excelente surpresa. Nunca se tinha assistido, se a memória não me atraiçoa, a um concerto tão “grande” num palco secundário.

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Manuel Cruz entra em palco com a sua postura caraterística e informal. Amigo do público, desde cedo o trata com conforto. “Pede-se ao DJ para por a música mais baixo, ou temos de cantar por cima”. Aparentemente o DJ não acedeu e o concerto teve mesmo de prosseguir e abafar o “ruído” que vinha do outro lado do recinto.

Quem conhece Manuel Cruz sabe bem que a excelência da sua voz e da sua música contrasta com a postura em palco. Sempre muito fora da postura de vedeta, mantém-se agarrado ao que mais gosta – a música.

Membro integrante de vários projetos musicais, foi em nome próprio que se apresentou no Palco MEO. Mítica (e eterna) voz dos Ornatos Violeta, não conseguiu deixar o palco sem antes lembrar o “Capitão Romance“. Não há festival de música sem álcool como não há música portuguesa sem a voz de Manuel Cruz.

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Quem nunca viu “A Cidade dos Anjos“? Quem nunca delirou ao som de Iris? A música que eternizou os Goo Goo Dolls foi a escolhida para encerrar o concerto, mas já lá vamos!

O tempo é traiçoeiro e faz esquecer muitas memórias. O semblante de Johnny Rzeznik está escondido atrás de algumas pásticas. Mais velhos, mas pujantes, os americanos entraram em palco para tocar “Dizzy“.

Com o seu último disco editado em 2016, é normal que a constituição da setlist tenha incidido nos temas mais conhecidos. Esperam voltar à ribalta e têm capacidades para isso. Ficou bem presente a vontade e calor que transmitem em palco.

Fãs não lhes faltam! Pais e filhos vão cantando em conjunto temas como “Big Machine”, “So Alive” ou até mesmo “Stay With You“, música dedicada à sua mulher, que foi escrito num dia em que … bebeu muito (citando).

O tempo vai passando e todos esperam o verdadeiro hit que os catapultou para o estrelato. “Íris” é cantado por todo o Marés Vivas, em tom de despedida.

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Chegou o momento mais aguardado da noite, os bitânicos Jamiroquai. JK enverga o tradicional adereço, qual Estátua da Liberdade. Com uma silhueta bem mais “cheia” do que o habitual, previa-se pouco solto de movimentos, mas a indumentária desportiva fazia crer que talvez pudesse dar o seu habitual show de dança.

O “groove” aumenta e o pé solta-se. Enquanto canta os hits mais conhecidos do seu repertório, como “Cosmic Girl”, “Canned Heat“, ou “Little L” o público delira com a (menor, mas ainda existente) agilidade. Não há dúvida que o primeiro grande nome anunciado desta edição do Marés Vivas não podia desiludir, e assim foi. O espetáculo nunca desceu de tom, avizinhando-se uma tarefa difícil para Richie Campbell, o último a subir ao Palco MEO.

Havendo a possibilidade de existir alguém que não gostava de Jamiroquai, estamos certos que a opinião mudou. Não há dúvida que ninguém pode ficar indiferente à presença de um verdadeiro entertainer.

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O português mais jamaicano do mundo subiu ao palco era já 1h da manhã. Com muita gente desgastada, não houve alternativa senão dar o lugar (da frente) aos mais novos. Com uma plateia mais juvenil, Ricardo Dias de Lima Ventura da Costa entrou com tudo. Talvez tenha sido estratégia para acordar os que já marcavam presença no recinto desde o início da tarde. Contudo, se assim foi, a aposta foi ganha!

O público saltou, cantou e vibrou ao som do reggae “nacional”. Um espetáculo de fazer inveja ao próprio Bob Marley… “Heaven”, “Water”, “Slowly” e “Do You No Wrong” não faltaram, nem podiam. Mas foi em “Water” que surgiu a grande surpresa. Ao palco, para acompanhar Richie Campbell, sobe o próprio Slow J para delírio do público.

Sempre confiante e com vontade de “agarrar” o público, Richie insistia no bom que era estar de regresso ao Porto e na forma como é sempre muito bem recibo pelas gentes do norte. A noite terminou em grande festa e amanhã, no segundo dia deste festival, espera-se novamente casa cheia.

 

Fotografias: Nuno Machado
Reportagem: Ana Machado

 

Goo Goo Dolls

Dizzy

Slide

Big Machine

Here Is Gone

Black Balloon

Free of Me

So Alive

Name

Over and Over

Come to Me

Tattered Edge / You Should Be Happy

Stay With You

Broadway

Better Days

Iris

 

 

Jamiroquai

Shake It On

Little L

Use the Force

Light Years

Alright

Planet Home

Runaway

Superfresh

Cosmic Girl

Travelling Without Moving

Canned Heat

Love Foolosophy

 

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