O disco de estreia de O Bom, O Mau E O Azevedo

E aí está o disco de estreia de O Bom, O Mau E O Azevedo. Nada melhor que o Pedro Tenreiro descrever o disco de estreia da banda do Porto

Quem me conhece bem sabe que tenho um fetiche muito particular por não alinhados: projectos que, independentemente das tendências dominantes, procuram de forma autónoma o seu caminho, convictos de que a simples expressão das suas paixões será suficiente para conquistarem o seu espaço, nesta realidade fragmentada em que tudo aparece e desaparece a uma velocidade alucinante.

O Bom, o Mau e o Azevedo é um desses casos…

Uma banda com a qual me tenho cruzado regularmente, desde que, em 2015, começou a pisar os palcos do circuito mais subterrâneo da Invicta, iniciando um percurso que lhe rendeu o culto de um número apreciável de devotos fiéis, como eu.

É que os instrumentais que Martelo, Kinorm, Varejão e Azevedo nos dão sabem ao mais intenso Surf de Dick Dale e ao mais visceral Western Spaguetti de Ennio Morricone ou de Bruno Nicolai; ao deserto onde Johnny Cash e os Calexico se encontram e à selvageria dos filmes de Tarantino ou à tesão pervertida de Willem Dafoe ao desafiar Laura Dern a implorar-lhe por sexo em “Wild at heart”, de David Lynch; sabem à mais deliciosa e nociva gordura regada por Mojitos, Margueritas ou apenas Tequilla; enfim, sabem a vida vivida.

A experiência diz-me que levar esta energia original, partilhada em clubes suados, para o rigor de um estúdio e conseguir que nada se perca e, se possível, que a música se transcende é desafio que não está ao alcance de todos.

O Bom, o Mau e o Azevedo fizeram-no com distinção…

É que este belíssimo Lp, que marca a sua estreia em disco e que está dividido em dois lados – um declaradamente contemplativo e outro carregado de intriga e acção – mostra bem a mestria deste quarteto único que, aqui, tem a companhia pontual de compinchas como Manuel Cruz, Eurico Amorim, Joel Costa, Dario Alexandre e Ivo Moreira.

Um disco para guardar de uma banda a não perder de vista.

 

photo: Paulo Homem de Melo / arquivo Glam Magazine

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