Nova edição de “Busto” de Amália Rodrigues

Foi o encontro de Amália com Alain Oulman que criou a modernidade no Fado. Uma revolução consciente mas não premeditada que muitos sentiram alheia, estrangeira, mas que para sempre elevou a qualidade musical e poética do repertório fadista, ampliando o seu público e as implicações artísticas do próprio género.

 

As primeiras sessões de gravação que fizeram juntos, e que deram origem ao Disco do “Busto”, aconteceram no Teatro Taborda, ao Castelo, de madrugada, entre 1960 e 1962, e permanecem aquilo que melhor nos transporta a esse momento refundador da música portuguesa.

 

A longa vivência de Amália no meio mais tradicionalista do fado, desde 1939, ao lado de Alfredo Marceneiro ou Armandinho, Hermínia Silva ou Lucília do Carmo, Berta Cardoso ou Filipe Pinto, permitiu-lhe depois, com Alain Oulman, atingir um imenso requinte artístico sem nunca perder a autenticidade. Amália inscreveu o Fado nas disciplinas do espectáculo internacional, mas guardou nela o respeito basilar pela essência do género e um conhecimento profundo do repertório e das maneiras de cantar que a antecederam. A atracção pela sofisticada música de Oulman foi um natural e requintado florescimento dessas raízes, nunca se transformando em experimentalismo sem consequências para o futuro. Se os fados de Oulman trazem novos encadeamentos harmónicos e novas amplitudes melódicas, respeitam as estruturas e a liturgia do Fado.

A famosa frase do guitarrista José Nunes “vamos às óperas”, quando a eles se referia, condensa a estranheza e a reverência que esta música suscitou.

 

A nova edição do disco inclui gravações em estúdio, ensaios, atuação e entrevista

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