Ex-guitarrista dos The Church lança crowdfunding para trazer o seu arquivo musical para Portugal

Marty Willson-Piper, ex-guitarrista dos The Church, construiu um eclético arquivo musical ao longo dos últimos 50 anos, que integra milhares de exemplares nos mais variados formatos, do vinil à fita magnética. Até agora sediado em Penzance, no Reino Unido, Willson-Piper quer trazer o In Deep Music Archive para o Porto e lançou um crowdfunding para apoiar a mudança.

Na página da sua campanha, o ex-guitarrista de bandas como The Church, All About Eve e os suecos Anekdoten, descreve o seu arquivo como “um trabalho de amor”. “Mas a tarefa de o mudar para Portugal será um enorme empreendimento”, afirma, explicando que uma mudança de senhorio desencadeou o processo da vinda para o Porto, o que, escreve, “pode vir a ser uma benção disfarçada.”

 

“Ainda assim, se conseguir juntar o dinheiro para o fazer (…) posso mesmo algures no próximo ano concretizar o meu sonho de ter instalações que o público possa apreciar com todos os LP, todos os singles, todos os CD, todas as cassetes, todos os cartuchos, todos os 78. todos os livros, todas as guitarras e os amplificadores, os artefactos, os candeeiros de lava, aqueles loucos projectores russos que me dera, e a visão de construir um centro único de cultura musical para o mundo apreciar.”

Determinado a instalar a colecção no Porto, onde reside actualmente, Willson-Piper revela que o sonho é um espaço que integre um estúdio, um pequeno palco, e um espaço  que, entre sumos frescos e “bolos portugueses”, dê a “oportunidade a pessoas de todo o mundo de virem visitar e vivenciar uma colecção de longa data tão magnificente.” A campanha de angariação de fundos agora lançada na GoFundMe permanecerá disponível até ao final de 2021 e tem como objectivo financiar o transporte do arquivo do Reino Unido para Portugal e a sua posterior instalação no Porto. “O montante que estamos a tentar angariar pode parecer alto, mas isto não vai ser barato e a ideia de ter o arquivo, como um museu de história e do contemporâneo é alimentá-lo continuamente com novos e velhos artefactos”, explica.

 

“Aqui no Porto, há tantos edifícios óptimos a precisar de recuperação que seriam perfeitos, mas talvez até já haja um sítio que seja suficiente em tamanho onde poderíamos depositar a colecção”, explica. “Isto não é um passatempo elitista de coleccionar primeiras edições de álbuns raros de rock progressivo dos anos 70 ou discos originais dos Beatles dos anos 60 ou nada disso. Ou até mesmo edições contemporâneas de discos de hip hop com 300 exemplares. É só um lugar para a música, é só um lugar onde colecciono todos os tipos de música.”

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