Could Be Worse: The Musical… de Cão Solteiro & André Godinho

Could Be Worse: The Musical, um espectáculo do Teatro Cão Solteiro & André Godinho, estreia em Lisboa, no Teatro São Luiz, no dia 27 de Fevereiro, estando em palco de quinta a domingo, até 8 de Março, e este Sábado, 15 de Fevereiro, é apresentado na Casa da Cultura de Ílhavo.

 

Com uma colaboração que se mantém desde 2007, Could Be Worse: The Musical é o mais recente trabalho e primeiro musical da parceria entre o Cão Solteiro e André Godinho, prosseguindo uma pesquisa de intersecção do cinema com o teatro, onde desta vez há uma abordagem a um dos géneros mais amados do cinema clássico norte-americano: o musical.

 

Com música original de PZ e música original adicional de Rodrigo Vaiapraia, Could Be Worse: The Musical tem texto de José Maria Vieira Mendes, coreografia de Sónia Baptista e Gonçalo Egito e conta com a presença em palco de André Godinho, Cecília Henriques, Gonçalo Egito, João Duarte Costa, Mariana Magalhães, Patrícia da Silva, Paula Sá Nogueira, Rodrigo Vaiapraia, e Tiago Jácome. Este grupo faz semanalmente uma reunião de Artistas Anónimos para procurar ajuda daqueles que, tal como eles, decidiram fazer da arte uma profissão e que buscam, numa tentativa vã, deixar de ser quem são e encontrar a cura para o que nunca vai poder curar-se. Um musical que não é completamente feliz. “Podia ser pior”!

 

Os figurinos de Mariana Sá Nogueira partem de referências teatrais e cinematográficas distintas que se misturam com roupas usadas no dia-a-dia, misturando tempos, géneros e sentidos de época. O artista Vasco Araújo assina a coreografia, um espaço que nos remete para a sala de Huis Clos, a peça onde Jean-Paul Sartre apresenta uma versão existencialista do Inferno. À mistura muita música e um placard cheio de LEDs multicoloridos numa espectáculo que reflecte sobre o papel da arte e dos artistas num contexto de depressão pós-pop.

 

Como pergunta Susan Sontag em Film and Theatre, “existe alguma coisa genuinamente cinematográfica?” e, neste caso, existe alguma coisa genuinamente teatral? As peças anteriormente produzidas, no âmbito da parceria entre o Cão Solteiro e André Godinho, exploram diversos pressupostos do cinema e do teatro, desde a relação entre as imagens e a narrativa (3, 2007), passando pela exposição dos mecanismos de construção, desafiando o lugar do espectador (Play The Film, 2011), à reflexão sobre a continuidade de lugar, sequência e montagem (Were Gonna Be Alright, 2017), construído a partir dos efeitos especiais usados nos blockbusters.

 

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