Centro Internacional das Artes José de Guimarães revela novas exposições – Glam Magazine

Centro Internacional das Artes José de Guimarães revela novas exposições

No próximo dia 17 de fevereiro, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) inaugura uma nova montagem da sua coleção permanente e duas exposições individuais, “When Science Fiction was dead”, de Christian Andersson, e “Duplo Negativo”, de Miguel Leal que propõem pensar o museu como uma grande máquina de viajar no tempo e de atravessar o espaço, que produz verdade e ficção, expõe significados ocultos e induz o visitante a uma nova perceção da realidade mantendo com esta uma relação criativa e inventiva.

A exposição “When Science Fiction was dead”, de Christian Andersson, surge num contexto em que a noção de verdade está mais do que nunca em crise. A exposição individual do artista sueco, que ocupará as salas 9, 10 e 11 do CIAJG, reúne obras marcantes e outras inéditas, concebidas e produzidas especificamente para esta exposição, e oferecerá ao público português o mais extenso panorama alguma vez disponível no nosso país da obra de um autor que se interessa sobretudo pelas condições objetivas e subjetivas, espirituais e materiais de leitura e descodificação da proposta artística. A intervenção não é apenas ditada por conveniência de espaço mas por razões simbólicas — o artista pensou o espaço como um todo, estabelecendo um conjunto de relações, colocando um série de problemas ou de hipóteses, problematizando a ideia de museu ou de exposição, de coleção como todo ou como representação fragmentária do mundo, da falibilidade de sistemas de pensamento e de sondagem documental ou material do passado de disciplinas como a História ou a Arqueologia.

A mostra “Duplo Negativo”, que habitará as salas 12 e 13, é a mais ampla exposição realizada por Miguel Leal em contexto institucional. Nesta intervenção, especificamente concebida para o espaço expositivo do CIAJG, o autor põe em evidência algumas das principais caraterísticas do seu trabalho — sensibilidade ao espaço e ao tempo, atenção à construção do dispositivo e às condições de apresentação e uma capacidade discursiva marcada pelo engenho narrativo. Para esta exposição, concebeu um conjunto inédito de peças que cobrem um largo espetro de linguagens (objetos, escultura, instalação, desenho, pintura, vídeo) que, a partir de uma particular atenção aos mecanismos do tempo e da articulação da palavra, da imagem e do som propõem uma experiência da dissolução dos limites e das fronteiras territoriais e conceptuais. Mas, para além das diferentes peças, sobressai a escala arquitetónica da intervenção e a forma como transformou o espaço, desafiando o espetador a uma experiência tanto sensorial quanto intelectual, propondo diferentes modos de receção, abrindo o leque percetivo de quem o habita. Miguel Leal é, dos artistas da sua geração, aquele cujo universo de referências e o trabalho são menos conhecidos como um todo, o que contrasta com a solidez e a imprevisibilidade das soluções formais e concetuais que engendra a cada passo. Esta exposição antológica tem, assim, por objetivo revisitar e repensar o trabalho de Miguel Leal como um constructo em que a produção intelectual, curatorial e visual se articulam como um todo simultaneamente complexo e profundo.

Lógica circular, eterno retorno, repetição e diferença, “Teoria das Exceções – Ensaio para uma História Noturna”, é o título da nova montagem da coleção permanente, vigente durante o ano de 2018 nas salas 1 a 8, uma exposição que regressa ao mapa delineado pela exposição inaugural do CIAJG, “Para além da História”. Prossegue-se, assim, um projeto sem tempo plenamente consciente do tempo em que é realizado, afirmativamente contemporâneo sem ser exclusivamente constituído por objetos de arte contemporânea. A sua natureza é ser transversal, poroso, impuro, aberto e circular, procurando nexos, relações, permanências; por outras palavras, sonda o impercetível que o tempo histórico, tão marcado por uma memória seletiva e fatalmente grosseira, acaba por expurgar. A exposição reúne obras de José de Guimarães, Vasco Araújo, f.marquespenteado, Ernesto de Sousa, Franklin Vilas Boas, Rosa Ramalho, Jaroslaw Fliciński, Mumtazz, Rui Horta Pereira e Christian Andersson, para além da coleção de Arte Africana, Arte Pré-Colombiana e Arte Chinesa Antiga da Coleção de José de Guimarães.

No âmbito desta nova montagem, Mumtazz, uma das mais singulares artistas do panorama nacional, apresenta nas salas 2 e 6 a mostra “Ascensor d’Mente”, no âmbito do seu universo Hilaritas. Estreitamente ligado à prática da contracultura, implicado política e ecologicamente, retomando estratégias e modos do psicodelismo, o trabalho artístico de Mumtazz articula influências e elementos de diferentes culturas, diferentes tempos históricos e as mais diversas linguagens – a poesia, o som, o bordado, a fotografia, a instalação, o efémero, o geométrico e o orgânico. Este ciclo alberga, ainda, a exposição “Sono”, de Rui Horta Pereira, presente desde o passado dia 13 de janeiro no emblemático Gabinete de Desenho, situado na sala 4 da coleção permanente do CIAJG. Rui Horta Pereira apresenta um conjunto alargado de desenhos reunidos em torno da série “Sono”, que desvelam uma produção diversificada que coloca em questão a identidade autoral como categoria fixa.

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