A.N.T.Í.G.O.N.A.: o movimento artístico do TEP estreia-se no TeCA

Resgaturgia e transdeleitura”. É através destes dois termos que Gonçalo Amorim, diretor artístico do Teatro Experimental do Porto (TEP), caracteriza o espetáculo que escreveu e leva agora a palco. A.N.T.Í.G.O.N.A., nome que remete para a personagem mitológica grega que inspira a peça, conta a história de “um coletivo de ativistas multidisciplinar que conseguiu acabar com o capitalismo”. Sendo um espetáculo complementado com um espaço expositivo, A.N.T.Í.G.O.N.A. vai “revelar-se” pela primeira vez ao público amanhã, no Teatro Carlos Alberto (TeCA).

 

Desde Sófocles, no século V a.C., passando por Jean Anouilh e María Zambrano, no séc. XX, ou por autores mais contemporâneos como Slavoj Žižek e Judith Butler, sem esquecer a coleção de ensaios Antígonas de George Steiner ou os portugueses Júlio Dantas, Hélia Correia, Eduarda Dionísio e António Pedro. São inúmeros os textos produzidos no âmbito da figura de Antígona e da casa dos Labdácidas. Em 2019, através de uma residência artística, a Gonçalo Amorim juntou-se um grupo multifacetado de artistas que fez uma análise artística e política a partir deste vasto reportório, nascendo assim A.N.T.Í.G.O.N.A.

 

Numa altura em se eleva uma nova vaga feminista e a democracia, a justiça e os direitos humanos geram manifestações por todo o mundo, procurando vencer poderes enraizados e patriarcais, evocar Antígona é transportar o público para uma história de resistência. Através de um novo olhar e com um cunho polissémico, o espetáculo explora de forma ampla a problematização destes temas, em busca da “força hereditária do derrotado”.

 

Já fora do palco, no foyer do Teatro Carlos Alberto, A.N.T.Í.G.O.N.A. perpetua a sua identidade artística num espaço expositivo, onde a estética e a ética se confundem constantemente. Construindo-se a partir de diferentes abordagens, de 11 cocriadores do espetáculo, a exposição leva os visitantes por registos de sound art, perfinst, imagem-movimento e instalação.

 

Em cena de quarta a sexta-feira, às 21h00, e no domingo, às 19h00, A.N.T.Í.G.O.N.A. resulta de uma coprodução Teatro Experimental do Porto e Teatro Nacional São João. Na sexta-feira, dia 18 de setembro, a récita será complementada com uma conversa informal, uma atividade orientada por Jorge Louraço Figueira. Já no dia seguinte, o espetáculo vai contar com tradução simultânea em Língua Gestual Portuguesa

 

Photo: João Tuna

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