Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Glam Magazine

Glam Magazine

O novo disco dos Lavoisier já “É TEU”

Chega ao mercado a 29 de Setembro, o novo disco dos Lavoisier, a dupla que junta Patrícia Relvas e Roberto Afonso. “É TEU” apresenta os primeiros originais, com letras e composição criadas da química transformada que é só deles. Um trabalho que conta estórias através de melodias, actos e pensamentos comuns. Por lá encontramos poetas mortos, desconhecidos vários, carnes inalcançáveis e a energia de um objecto com vida própria.

66ab8de5-f882-41fa-8608-415fa336faf9.jpg

O single “Opinião” é a primeira entrada neste universo.

Gravado e misturada por José Fortes, o longa duração terá edição apoiada pela CTL-Festival Silêncio e conta estórias através de melodias, actos e pensamentos comuns.

Nelson Motta à conversa com Os Tribalistas sobre o novo disco…

15 anos depois do sucesso do primeiro disco dos Tribalistas, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown voltam-se a se reunir para uma nova aventura musical. Assim como no primeiro disco, nada foi planeado com antecedência ou programado. O método foi o mesmo: um disco caseiro de 3 amigos compositores de origens e formações muito diversas, registrando uma música por dia com um grupo pequeno de músicos, todos parceiros e amigos, e a mesma equipe técnica do trabalho anterior. Uma nova edição do mesmo projeto. O disco foi gravado no Rio de Janeiro, entre 20 de março e 2 de abril deste ano.

FOTO_TRIBALISTAS

Parceiros entre si, o trio vem colecionando inúmeras canções e alimenta-se da diversidade de estilos e da harmonia entre os contrastes que os separam e os unem. Um dos maiores sucessos da inicio do milênio, Tribalistas (2002) não teve lançamento, entrevistas promocionais, shows ou apresentações em televisão. Apenas um showcase de meia hora com os três foi apresentado em Paris, em 2003, e a força da música se comunicando com as pessoas. O sucesso espetacular e inesperado foi como nos velhos tempos, pelo rádio e no boca a boca.

 

O mundo mudou muito nesses 15 anos mas Marisa, Carlinhos e Arnaldo continuam os mesmos, só que mais amadurecidos, mais populares, mais prestigiados e compondo melhor.

 

Nelson - Uma coisa que chama a atenção nesse novo trabalho é a personalidade musical que vocês criaram. Desenvolveram um "som Tribalistas", um tipo de levada, uma instrumentação acústica que você reconhece nos primeiros acordes, antes mesmo de começarem a cantar. Uma sonoridade que até o pedreiro que estava em minha casa comentou, animado, ao me ver ouvir esse novo disco: “é os Tribalistas, é?” É tudo simples e ao mesmo tempo muito elaborado.

Marisa: É um DNA

 

Nelson: Como começou o disco?

Marisa: A gente mora em cidades diferentes, só que de vez em quando dá um jeito de se encontrar; às vezes em dupla, às vezes os três. E quando acontece o encontro, todos levam as suas coisas já começadas e as músicas e letras vão surgindo. Mas não estávamos pensando exatamente em fazer um disco. Estávamos em férias criativas, que pra gente é algo sempre revigorante, refrescante, gostoso. Além de curtir uma praia, e estar com os amigos, fazemos músicas. E conseguimos nos encontrar os três, por dois períodos, no ano passado. Foram duas fugas pra Bahia, de quatro, cinco dias, e aí as músicas surgem fácil: duas, três, todo dia! 2

Brown: É o ar da Bahia e o que o nosso ócio criativo propõe. De um certo modo nós somos retirantes, não é? E a nossa intuição de retirante nos leva a expandir nos nossos temas de uma forma que é impensada, que apenas acontece. A nossa forma de compor é muito intuitiva, mas isso acontece porque nós somos Tribalistas. É o melhor que a gente pode oferecer dos nossos dons ao ser humano.

 

Nelson: Esse som Tribalista, esse combo, humano e musical, étnico e cultural, tem aspectos fortíssimos da brasilidade, não é?

Marisa: É, os violões, as percussões, as vozes ...

 

Nelson: Um baiano intuitivo, um intelectual paulista e a morena carioca nascida no samba. São quase arquétipos, o sonho de marqueteiros. Eu estava brincando que vocês são um clichê! (rs...) Porque não podia ser mais perfeito. Isso é o som do Brasil que está no Nordeste, está em São Paulo, no Rio... Reflexão e intuição, a coisa carioca, malandra, toda a tradição do samba... É um encontro extraordinário sem o peso de ser um grupo permanente. Com os Tribalistas vocês vivem só a parte boa de um grupo.

Marisa: São férias!

 

Nelson: Tem dia que você não aguenta a si mesmo, não é? Imagine um grupo! (rs...)

Arnaldo: São férias. Não tem a obrigatoriedade e há uma coisa muito espontânea. Tem uma magia... Quando a gente se encontra, tudo sai com uma naturalidade e com essa complementariedade. Os três estados brasileiros, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro… Ao mesmo tempo, personalidades tão diferentes… A gente conseguiu juntar agora a mesma turma que gravou o primeiro Tribalistas. Não só nós três, mas o Dadi, o Cézar Mendes, o Alê Siqueira, a Dora Jobim, aqui filmando este nosso encontro e que tinha documentado tudo do primeiro Tribalistas. Marisa novamente como produtora; e eu, Brown, Alê Siqueira e Daniel Carvalho, filho do Dadi, como coprodutores…

 

Nelson: Tem homem e mulher, preto e branco, origens e formações diferentes, tem tudo… é uma síntese de todas essas coisas.

Arnaldo: É meio assim, a gente se junta e aquilo pode sair ou não, mas acaba saindo sempre, de um jeito muito inesperado. A gente fazer uma música sobre os refugiados (Diáspora), sobre o trabalho (Trabalivre), outra sobre as ocupações das escolas (Lutar e Vencer), são questões que a gente em nenhum momento sentou e disse: vamos falar sobre isso. São assuntos que vieram quando a gente se juntou para compor. Então é muito espontâneo, muito natural, não tem nada intencional…

Brown: Eu vejo muito como um encontro de percussionistas, e percussão é um instrumento que você não pensa para tocar. Embora essa ocupação que a gente traz para o pensar é também responsável, por mais que a gente esteja em férias. Nós temos um prazer em conjunto que transcende qualquer situação. E o tempo inteiro a gente está desejando que as pessoas encontrem esse prazer, encontrem esse afeto familiar. A gente está sempre circundado pelos filhos, pelos amigos, com pessoas que gostamos, então tem algo familiar que nos envolve muito e termina, dentro dessa espontaneidade, trazendo algumas responsabilidades, não sem durezas, para os temas que espontaneamente saem.

 

Nelson: Também vejo os Tribalistas como uma música muito agregadora, muito gregária. Você ouve aquele som, aqueles violões, parece que tá na sala, tá no mato, tá na praia… (rs...) Parece um som que “ah, isso qualquer um faz, né?” Você sente que não é uma coisa dolorida, é prazerosa, é música de acampamento. Tem uma leveza...

Marisa: Acho que o nosso processo é leve. A gente procura manter esse prazer, essa alegria. Acho que isso acaba imprimindo porque pra gente é um prazer enorme poder estar junto! Por exemplo, cada um de nós tem suas carreiras, todo mundo batalhando o dia a dia, viajando por aí, fazendo seus shows, então é quando a gente pode se encontrar e descarregar aquele peso das costas e dividir isso (rs...). “Tem o Arnaldo, tem Brown? Ah que beleza!” Você contar com o time todo ali e poder somar em vez de estar ali sozinha, isso é um alívio e um privilégio.

Arnaldo: E é engraçado como a música dos Tribalistas tem uma personalidade própria, que eu não faria no meu trabalho solo, nem Marisa, nem Carlinhos. Tem uma cara, uma linguagem ali que a gente mesmo se surpreende quando ouve o que gravou. A gente fala: “Nossa, a magia tá aí!”

 

Nelson - Diáspora é uma das músicas que mais me chamaram a atenção quando ouvi, porque há 15 anos, na época do primeiro Tribalistas, certos temas sequer existiam. As ocupações urbanas, os refugiados, a ocupação de escolas… Antes falava-se de diásporas africanas, judaicas, já estabelecidas na História, mas isso virou um tema que ganhou uma urgência, uma inevitabilidade.

Brown - O tema da diáspora não é momentâneo, ele parece cíclico, persiste. Para nós aqui, todos nós, até brasileiros, tem muita gente que veio fugido da guerra. Eu sou baiano e vivo muito uma cultura dos galegos que fugiram da Guerra Civil espanhola, da Galícia... Mas meus outros avós também fugiram da seca. Isso gerou nas cidades um conceito de coesão, mas também de estranheza. Mas Tribalistas quer dizer tudo isso, que nós somos uma aliança constituída pela música.

 

Nelson: Tem algumas músicas nesse disco com temáticas que não estavam, não poderiam estar, no Tribalistas 1, que era uma coisa mais leve de um modo geral. Mas ao mesmo tempo tem também músicas levíssimas como nem no primeiro Tribalistas tinha. Músicas como Os Peixinhos (em parceria com Carminho), delicadíssima, que, por contraste, acaba valorizando mais as "canções de guerra", como Diáspora e Lutar e Vencer.

Marisa: A gente identificou três polos temáticos. Então é um disco tripolar! (rs...)

 

Nelson: Tripolar! Isso é ótimo! Vocês são um grupo tripolar!

Marisa: Um é esse foco dos assuntos coletivos, das coisas que a gente está vivendo hoje e fazem parte do dia a dia e aparecem como um reflexo natural ali nas músicas. São as canções que falam desses assuntos mais políticos, mais cotidianos, do momento, crônicas do nosso mundo contemporâneo. E tem um outro lado que é mais existencial mesmo, que é Ânima, mais profundo, mais individual e reflexivo, como Fora da Memória. E o terceiro é o campo amoroso, que aparece em Aliança e Feliz e Saudável. Um campo que é uma questão na vida de todo mundo, que é coletivo também mas fica no meio do caminho entre o coletivo e o individual. Eu acho que tem um pouco esses três polos.

Arnaldo: Uma coisa dá contraponto à outra. Tem um equilíbrio

 

Nelson: Você ouvir uma música dura como Diáspora e depois uma coisa tão leve e amorosa como Aliança, que é uma música de casamento, o verdadeiro sentido de aliança. E as pessoas pensam que é um anel no dedo, né? (rs...)

Marisa: É você ter um aliado...

 

Nelson: Duas pessoas que se aliam para uma coisa. Isso é o que sempre vi como o sentido de aliança e raríssimas músicas expressaram tão bem, com o que isso tem de leve, de bonito, de natural... É totalmente idealizado. Isso enche o coração das pessoas também.

Brown: Há 15 anos o Tribalistas era um bebê que agora está adolescente! (rs...) A gente terminou vendo guerras, nós vimos insatisfações, vimos várias coisas que terminaram sendo absorvidas nas temáticas de uma forma intuitiva. Mas acredito que nós continuamos apartidários e colaboradores nesse servir prazeroso. Isso é um delírio emocional bonito que a gente fica tentando explicar, mas a arte não se explica. Eu acho que toda essa cadeia de desejo, de envolvimento, ela vai vir no sentimento de cada pessoa: quem vai casar primeiro, eu ou o cara que estava ouvindo o disco? Nós vamos nos casar através da música! (rs...)

 

Nelson: Uma coisa que o público de música tem curiosidade em saber é como se faz uma música com cinco pessoas? Como é essa mecânica?

Arnaldo: Tem muitos jeitos, às vezes parte de uma harmonia, às vezes de uma melodia, de um pedaço de letra...

Brown - Se por exemplo Marisa, que toca um bom violão, começa a tocar, se inicia ali um processo de construção.

Arnaldo: Tem um registro muito bacana disso num DVD da Marisa (Barulhinho Bom), em que a gente está junto por acaso, um encontro pré-Tribalistas. A gente começa a compor ali na hora e é um momento muito interessante porque mostra como aquilo realmente começa, assim do nada!

Marisa: É igual a jogar baralho. É um jogo, uma brincadeira...

 

Nelson: Volta duas casas!

Marisa: Volta duas casas, abandona, mela o jogo, começa de novo... Pra isso precisa ter intimidade, admiração… Pode surgir de um assunto qualquer. A gente está falando de uma pessoa, de um personagem, uma frase engraçada que alguém falou... Qualquer coisa pode ser a fagulha que dá início a uma história. Ou alguém nos traz algo. O Pedro Baby trouxe uma música e a gente fez a letra com ele. Às vezes eu venho com uma letra, às vezes o Arnaldo vem com uma melodia, por mais que todo mundo pense que "ah, o Arnaldo é um poeta!"... Mas ele também faz música, como eu também faço letras. Os papéis se alternam… É que nem um jogo de tabuleiro onde o objetivo é terminar e fazer uma música no final. Pra isso precisa ter intimidade, respeito, admiração… porque você não vai fazer uma música com uma pessoa que você não curte.

Arnaldo: Um serve de impulso ao outro! Às vezes alguém joga uma ideia que acaba não servindo, mas por causa dela alguém cria uma outra ideia que entra na música. Então é um processo muito dinâmico...

Marisa: E acho que nós três somos generosos com a criação. A gente abre, a gente divide, a gente gosta disso.

Arnaldo: Porque na composição coletiva você tem que saber contribuir, mas tem que saber também abrir mão. Às vezes reivindicar, defender, às vezes largar uma coisa de que você gosta… E deixar a música ir para onde tem que ir. Isso é exercício coletivo.

Marisa: Outro dia me disseram uma coisa que achei muito interessante: tem que ser generoso não só para dar, mas também para receber. Se você não for generoso, você não consegue receber. Quando terminamos de compor, a gente tinha esse universo de canções e percebemos que não era um disco que poderia ficar esperando para ser gravado. E que ele seria mais potente com os três gravando juntos. Porque se eu cantasse Diáspora no meu disco, não ia ter a potência deles junto comigo. A gente fez 20 músicas, então ficaram de fora dez que eu vou gravar, o Arnaldo vai gravar, o Carlinhos vai gravar, alguém vai gravar, porque elas não tinham essa característica de parecerem mais fortes com os três juntos.

Arnaldo: Como no primeiro havia a música Tribalistas, com os versos "os tribalistas já não querem ter razão", nesse disco também tem uma que é uma voz coletiva nossa: "somos todos eles da ralé da realeza, somos um só / somos um só, um só / 123, somos muitos, quando juntos / somos um só, um só”.

Brown: Acho que está realmente na delícia de se encontrar, na delícia do coletivo! Nesse respeito que é mútuo, nesse ouvir, nesse silêncio que é necessário, porque minha realização de pensamento, de estrutura, está muito no que o outro vai dizer. Porque ele passou por aquilo, ou porque ele está vendo aquilo de um lugar que tem muito mais espaço e densidade. A coisa da tristeza ou de uma saudade do futuro, torna-se mais maleável, mais doce, porque a gente parou para entender o pensamento do outro. 6

 

Nelson: Vocês acrescentaram outros elementos nesse combo, nessa sonoridade. Como o Pretinho da Serrinha, que é de uma outra escola musical, um tipo tão especial de criatividade, de linguagem... Como é que apareceu o Pretinho nos Tribalistas?

Marisa - Pretinho é da turma, né? Apareceu numa varanda com seu cavaquinho e entrou na roda! Ele e o Pedro Baby passaram para nos visitar em um desses encontros na Bahia, ficaram conosco dois dias e acabaram entrando no disco com duas músicas. As pessoas que estão no disco, tanto os dois como a Carminho, estão como autores, porque acima de tudo o disco é um registro autoral.

 

Nelson: E a Carminho, como entrou?

Marisa: Já havíamos gravado juntas uma música que eu e o Arnaldo fizemos para ela, Chuva no Mar. Eu tinha umas coisas começadas com a Carminho e aí a gente compôs Trabalivre, uma música sobre relação com o trabalho, que inclui o autoconhecimento e o aprimoramento pessoal, e ao mesmo tempo a necessidade de subsistência, de você se sustentar. O trabalho não é apenas emprego, o trabalho é a construção da vida. Mas ao mesmo tempo o que a gente procura fazer é o "trabalivre", que é esse trabalho voluntário, amoroso, por vontade, pelo privilégio de fazer o que gosta, com quem você quer. Isso é o ideal, não é? A Carminho me disse: “Portugal tem tantos cantos de trabalho”. E eu falei: “no Brasil também”. E aí a fizemos juntas essa música falando desse assunto; primeiro a melodia, e depois a letra, por acaso, por coincidência... Arnaldo e Brown não sabiam que eu e Carminho estávamos falando disso...

Arnaldo: É, foi mesmo uma coincidência… A gente também começou a fazer uma letra sobre o trabalho quando Marisa veio com essa informação: “a nossa música tem a ver com cantos de trabalho”!

Marisa: A Carminho também trouxe um início de outra música, uma ideia, Os Peixinhos, uma música que a gente começou aqui no Rio, depois eu levei meio pronta e a gente fez a letra junto na Bahia. Veio o primeiro verso, que eu acho inclusive que é da Carminho (cantarola): “os peixinhos são…” A gente foi indo e depois Arnaldo e Brown terminaram. E eles ainda nem conheciam pessoalmente a Carminho.

Arnaldo: Depois ela participou do meu DVD gravado ao vivo em Lisboa.

Marisa: Ela entrou na turma assim, entrou na onda, ela veio aqui gravar, veio visitar a gente bastante no estúdio, e acho que pra ela também é uma experiência única. Em Portugal, que é um país pequeno e com uma música muito típica (o fado), a Carminho é grande. Mulher que se relaciona bem, viaja o mundo todo e eu sinto que ela tem vontade de romper essas fronteiras. Ficou bem clara a naturalidade com que ela encontrou a gente aqui. E a comunicação dela, o jeito dela se colocar, faz dela uma mulher do mundo.

 

Nelson: Em Portugal querem que ela seja só uma fadista, na tradição da família dela, e ela é muito mais que isso! 

Brown: Os países, ou até cidades, tornam-se demasiadamente tradicionais, e passam a cobrar dos seus artistas que eles sejam uma manutenção daquelas veias estéticas já estabelecidas. Isso quando o artista é novo, e ela não deixa de ser. Como o Pretinho da Serrinha. Ele não está sozinho na música, a família dele é da tradição do jongo. Você vê que em Diáspora a gente começa com uma célula do jongo, tocada com um instrumento que é o karkabou, da África marroquina. É isso que as tradições estão de um certo modo nos cobrando, que elas sejam mantidas, dentro de uma estética que encontre os seus parceiros e a renovação necessária para a evolução.

Arnaldo: Ao mesmo tempo a gente traz o poema de Castro Alves, o trecho do Guesa, do Sousândrade, que abre a música; traz outras informações que fazem com que essa mistura fique potencializada.

Nelson: A poesia do Sousândrade é moderníssima até hoje, mesmo escrita em 1850. Outra canção que tem esse espírito mais do momento cotidiano, da crônica social, é essa da ocupação das escolas. Como é que ela surgiu?

Marisa: Tanto eu como o Arnaldo participamos um pouco desse momento. Quando aconteceram as ocupações, eu fui visitar no Rio e o Arnaldo em SP. A gente percebeu que essa geração mais nova é bem melhor que a nossa, porque a gente cresceu na ditadura, onde não havia associação nenhuma, de nenhum tipo, de estudante, de bairro, de nada! Então você vê como eles já conseguem se organizar, têm mais consciência política e como estavam ali batalhando por uma causa muito nobre. Eram garotos de 15, 16 anos dormindo na escola, lutando por seus direitos, pela educação, nesse momento tão polarizado, em que você é ou não é; como num sistema binário, só existe zero ou um: se você não é uma coisa, então você é outra radicalmente oposta Ao mesmo tempo, estamos num momento de ruptura política, dando um xeque-mate no sistema todo e existe a vontade de criar novos horizontes …

 

Nelson: Novas formas de se expressar, de exercer o poder.

Marisa: A gente não quer os velhos líderes, os velhos símbolos. A gente quer líderes, mas não são os velhos líderes, a gente quer os símbolos, mas não os velhos símbolos. Temos essa busca de novas orientações para tudo isso. “Vencer um ao outro, assim não dá, o negócio é vencer a si mesmo”. A gente tem que se superar em cada um de nós, e não ficar lutando um contra o outro. Essas mudanças começam em cada um!

Arnaldo: Vivemos esse momento de antagonismo. A gente vê intolerância de muitos lados, a internet é o reino disso, as redes sociais com os haters... Eu acho que tem várias músicas no disco que valorizam essa maleabilidade das pessoas. Você pode mudar de opinião, como em Feliz e saudável

 

Nelson: Essa é uma música muito provocativa. Como ousa alguém se dizer feliz e saudável nos dias de guerra em que vivemos? Não pode, não é possível! Desperta um ódio…rsrs

Marisa: Na verdade, feliz e saudável porque a pessoa é capaz de rever suas posições. Eu posso me arrepender justamente porque eu sou feliz e saudável.

Brown: É bonita essa ligação do feliz e saudável com a ocupação. Na minha geração chamava-se de invasão. A gente pegava algum lugar, uma casa, e gerava o que se chama de novas favelas, mas com o intuito de que ali houvesse escola e postos de saúde, ações sociais... Não pela visão do dirigista, mas sim de que a coletividade pudesse ocupar aquilo. Isso sim é feliz e saudável, porque nós não podemos esperar que a educação seja formatada apenas pelos desígnios políticos. As novas gerações estão preparadas porque elas estão fazendo um tipo de ocupação que não é apenas do imóvel, mas uma que diz: "olha, eu estou ocupando meu pensamento com a possibilidade de que o mundo vai ser melhor."

Marisa: E de tomar para si uma causa coletiva, algo que é público, algo que ao invés de não ser de ninguém, é de todos nós.

Arnaldo: A gente cresceu na ditadura, era criança na época da contracultura, nos anos 60. Depois, nos anos 70, a gente já era meio adolescente e viveu uma série de conquistas que vieram dali e permaneceram, que ficaram como valores que não têm mais volta: a preocupação ecológica, as conquistas comportamentais, a liberdade sexual, enfim, o direito das minorias. A gente viu tudo isso acontecer... E, de repente, a gente passou a viver uma época de vários retrocessos. Coisas que a gente achou que já não existiam mais começaram a voltar, então isso tudo é assustador. E aí tem uma juventude defendendo a escola, que é talvez o valor mais importante, mais básico, para se pensar um futuro melhor… A gente se empolgou com isso. Eu acho que é um motivo inspirador.

 

Nelson: E os filhos, de que forma a convivência e a experiência com eles, o que eles trazem para casa, contribuiu para essa visão de vocês?

Arnaldo: Eles estiveram presentes o tempo todo lá na Bahia. Meu filho Brás participou de uma das músicas, deu sugestões de letra, acabou entrando como parceiro. Mas o tempo todo havia também o Tomé (meu outro filho); Miguel e Chiquinho, de Brown; o Mano e a Helena, de Marisa. Enfim, nossos filhos estão sempre presentes…

Marisa: Isso já faz parte do cotidiano deles. Contei que outro dia estávamos aqui em casa eu, a Adriana Calcanhotto e a Teresa Cristina quando a Helena chegou e falou: "vocês todas são cantoras ou alguém aqui é normal?" (rs...)

 

Nelson: Vocês têm planos de shows ao vivo?

Marisa: A gente não tem muito plano, não… A gente tem muitos sonhos. Muitos sonhos, poucos prazos e poucos planos! Vamos ver... A gente se encontrou no ano passado no palco, eu fui fazer show em Salvador, eles apareceram pra dar uma canja e foi lindo! Foi muito poderoso.. Quando rolou foi surpresa total, ninguém sabia! E quando os dois chegaram, parecia um gol do Brasil, final de Copa do Mundo, tipo pênalti. Mas essa pergunta já tem 15 anos: “vai ter mais? vai ter mais? vai ter mais?” 9

 

Nelson: E ali começou o Tribalistas 2..

Brown: Realmente não era uma coisa que estava no plano da nossa turma ter, mas está tão gostoso, surgiu com uma força e uma espontaneidade ...

Marisa: Na verdade, a criação tem vida própria. A gente não manda muito nisso não, a coisa acontece. A gente pode disponibilizar tempo, disponibilizar vontade, violões, letras e melodias, papel, caneta... mas a coisa tem vida própria, ela que manda, não é?

Arnaldo: A gente também nunca parou de compor. Se aconteceu de fazer uma outra gravação juntos, um projeto mais concreto juntos, é porque chegou esse momento, e a gente não podia forçar e antecipar isso por causa da expectativa dos outros. A gente sentiu que era a hora. Enfim, o próprio volume de composições que tínhamos ajudou...

 

Nelson: Me falem sobre a música Baião do Mundo

Arnaldo: É uma coisa de chamar importância para uma questão que se tornou essencial diante da escassez, de quando a Cantareira esvaziou... É uma questão que está aí há anos, é mundial. Mas na música a gente explora um ponto de vista celebrativo da água, do poder da natureza.

Brown: Festejar a água. A gente quer ver as coisas melhorando, e eu acredito muito no planeta. Eu estou falando como indivíduo, mas não é diferente no coletivo. Nós continuamos acreditando, nós não desistimos deste lugar chamado planeta Terra, onde precisamos de água, onde precisamos de coesão social, onde precisamos ver o ser humano como pássaro, entende? O pássaro passa por cima das fronteiras. O cara não fica lá: epa, cadê seu passaporte? (rs...) Tô aqui, meu amigo, voando! Ele larga a “caca” dele lá de cima e já é uma semente, já é uma nova flor que brota, é uma nova árvore.

Arnaldo: Somos otimistas! Na hora que a gente tem o refrão "Where are you? Where are you?", é o personagem que perde o familiar e o está procurando, mas é também a gente falando pra qualquer ouvinte, “where are you?”

Brown: Vambora! Tamos juntos!

Arnaldo: Uma questão que está aí pra todo mundo: qual o seu papel no planeta, na sociedade?

Brown: Está fazendo o quê? Só está reclamando?

Marisa: Tomara que esse novo trabalho traga alegria pra muita gente.

Brown: Pra muita gente!

Sean Riley & The Slowriders celebram 10 anos de “Farewell”

Sean Riley & The Slowriders celebram em Outubro o décimo aniversário do seu primeiro álbum, “Farewell”. Para além da reedição especial do disco em CD e a sua estreia em Vinil a 20 de Outubro, a banda vai percorrer o país numa série de espetáculos onde vão revisitar “Farewell” na íntegra.

600px_58fe15045192794192925a.jpg

“Em 2007, no press release de apresentação de Farewell, o disco de estreia de Sean Riley & The Slowriders, atrevi-me a compará-lo a discos fundamentais como “The Queen Is Dead” dos Smiths ou “The Velvet Undergound & Nico”, elevando-o de imediato à condição de clássico.
Não há como o filtro do tempo para avaliar uma obra de arte, e dez anos volvidos, ao ouvir de novo as onze canções de Farewell, não restam dúvidas que são hinos intemporais.

A banda bebeu da melhor herança folk-rock anglo-saxónica, de Bob Dylan a Nick Drake, de Tim Buckley a Townes Van Zandt, e surpreendeu-nos com um disco imaculado e genuíno, quer ao nível da composição, quer ao nível dos arranjos, feitos de simplicidade e sobriedade, revelando uma maturidade invulgar numa estreia discográfica.

Sean Riley (Afonso Rodrigues) é detentor de uma voz de múltiplas virtudes e notável projecção, simultaneamente versátil e encantadora, ouça-se uma ou cem vezes, e a sua guitarra destila meio século da história do pop/rock. Os Slowriders são só dois, mas multiplicam-se no disco, com Bruno Simões a alternar entre o baixo e a melódica, e Filipe Costa com o omnipresente orgão Hammond e assegurando as percussões, qual “one man band”.

Moving On, o single de apresentação de Farewell, é um clássico instantâneo. E quem resiste à melodia de piano em Lights Out? Ou às histórias cantadas de Harry Rivers, Marble Arch, Motorcycle Song, Let Them Good Times Roll e Spider’s Blues? São razões de sobra para afirmar Farewell como um disco coeso e inspirador, onde todos os instrumentos estão no lugar certo.

Para comemorar os 10 de anos de Farewell, a Valentim de Carvalho presenteia-nos com uma edição-estreia em vinil e uma reedição de Farewell em CD - esta com três temas-extra: Bring Your Boy Home e as gravações originais de Wout Straatman para Moving On e Lights Out. Em vinil, o álbum surge em duas versões: uma a preto e a outra a cor-de-laranja, com o poster da primeira digressão da banda.”

Rui Ferreira (Lux Records)

"Tribalistas"… o regresso 15 anos depois

"Tribalistas" é o segundo álbum de estúdio deste supergrupo brasileiro formado por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, que regressa ao activo 15 anos depois do grande sucesso do seu álbum de estreia.

Tribalistas_ pic by Marco Froner

photo: Marco Froner

 

O novo álbum é composto por 10 temas, entre os quais a canção "Peixinhos" que inclui a participação da fadista de Carminho e ficou disponível, sem aviso prévio, sexta-feira, dia 25, em todas as plataformas digitais a nível mundial.

Já no passado dia 10 de Agosto, os Tribalistas tomaram de assalto a rede social Facebook com um conceito multimédia totalmente inovador, o chamado Hand Album.

Com as novas musicas, os Tribalistas optaram por ir além dos tradicionais formatos de discos e inauguraram uma plataforma musical em parceria com o Facebook e o Spotify, chamada Hand Album, uma espécie de encarte digital. A ferramenta, que traz letras, pautas, fotos, vídeos, músicas e a ficha técnica de cada faixa, foi feita a partir de um pedido de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown para dar um outro significado ao consumo de música digital.

O trio é o primeiro grupo do mundo a testá-la, visto que seu público abrange mais de 52 países fazendo com que o seu impacto ultrapasse os âmbitos nacionais.

Mais dias, palcos e mais público na 4ª edição do Festival F… que se despediu do seu mentor

Perto de 35.000 pessoas (9.000 na primeira noite, 12.000 na segunda e 13.000 na última) passaram este fim-de-semana pelo Festival F, em Faro, que decorreu nos dias 31 de Agosto, 1 e 2 de Setembro.

À 4.ª edição, o Festival F afirmou-se definitivamente como o último grande festival de Verão: cresceu de 2 para 3 dias e expandiu as suas fronteiras para fora das muralhas da Vila Adentro, zona histórica da capital algarvia, aproximando-se da Ria Formosa com o Palco Ria, que cria espaço para a circulação de mais público. A 5.ª edição do Festival F está prevista para o primeiro fim-de-semana de Setembro de 2018.

foto2.jpg

Com dois novos palcos (Músicos e Arco) o Festival F apostou numa forte programação de stand-up comedy e jazz ao longo das 3 noites da sua quarta edição. Ponto de encontro entre o que de melhor se faz na música portuguesa e ponto de convergência dos mais diferentes géneros musicais, o Festival F manteve a tradição de brindar o público com colaborações inesperadas: Samuel Úria subiu a palco no concerto de Deixem o Pimba em Paz, numa noite em que Manuela Azevedo também acabaria por participar no concerto de Samuel Úria;

Viviane acompanhou os Couple Coffee num tema; Frankie Chavez foi convidado de They're Heading West; Jorge Palma juntou-se a Miguel Araújo para uma versão de "Like a Rollling Stone", original de Bob Dylan; e Regula apareceu de surpresa no concerto de Dillaz.

 

As tertúlias ao final da tarde sobre temas tão variados como criação musical, humor ou futebol, continuam a mobilizar o público e as exposições mantêm-se um dos pontos fortes do evento, assim como a street food, o artesanato e a animação de rua, este ano reforçada com videomapping.

 

A 4.ª edição do Festival F fica ainda marcada pelo desaparecimento do seu mentor, Joaquim Guerreiro, que faleceu na madrugada de sexta para sábado e mereceu uma sentida homenagem por parte de toda a organização, imediatamente antes de Miguel Araújo actuar.

O Festival F é uma iniciativa do Município de Faro, Teatro Municipal de Faro, Ambifaro e Sons em Trânsito.

 

Mano a Mano mostram primeira música de novo disco

Mano a Mano é o duo formado pelos irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, maioritariamente no estilo Jazz, onde são considerados dois dos mais importantes músicos a nível nacional. Neste duo, que resulta de uma forte empatia entre os dois irmãos, a escolha de repertório é baseada em originais escritos ou adaptados especificamente para este o duo, e arranjos de canções de autores como Tom Jobim, Chico Buarque, Max, Jim Hall, Irving Berlin ou Thelonious Monk, que os manos foram descobrindo e partilhando ao longo dos anos.

CD-PROMO-final-GRAO-WEB.jpg

O primeiro disco, editado em 2014 de forma independente com o apoio de uma campanha de crowdfunding muito bem sucedida que contou com cerca de uma centena de participantes, foi apresentado em diversas salas do país num total de cerca de 40 concertos, e gerou várias críticas nacionais e internacionais.

Para este segundo disco, “Mano a Mano Vol. 2”, os manos Santos focam-se somente no “duelo” de guitarras, com repertório dinâmico, que incorpora momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato. Dando primazia ao som acústico, André e Bruno exploram várias formas de diversificar os seus arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros.) e técnicas percussivas. Outra das novidades é a inclusão do Braguinha/Machete em alguns temas, um instrumento tradicional madeirense, da família dos cavaquinhos, que para além de criar dinâmica no repertório, explora e incita a novas abordagens neste e noutros cordofones tradicionais.

 

Com o objetivo de tornar o duo ainda mais sólido em todas as vertentes, musicais e não-musicais, e com isso cativar novo público, o espetáculo ao vivo aliará a parte musical à visual. À imagem de marca de Mano a Mano, que consiste numa guitarra para cada lado, em formato V, resultado de André ser esquerdino e Bruno ser destro, juntar-se-á um cenário, como se os manos recebessem o público em sua casa, na sua sala-de-estar, onde tudo começou há cerca de 20 anos. A execução dos temas, o diálogo com o público, contextualizando e explicando o conceito do grupo e repertório escolhido, é assim apresentado num ambiente descontraído e familiar, tornando este formato mais acessível para público menos habituado a música sem palavras.

 

Mano a Mano é parte fundamental no percurso artístico de André e Bruno Santos, porque aqui se exprimem de forma orgânica, sem restrições de estilos, onde para além de uma química musical muito forte e bem trabalhada, existe uma empatia pessoal e toda uma história de irmãos que se transmite naturalmente nos concertos.

 

Iguana Garcia… novo single e álbum de estreia…

Cabaret Aleatório” é o título do álbum de estreia de Iguana Garcia e chega ao mundo a 29 de Setembro. Disco gravado, misturado e masterizado nos estúdios HAUS. A capa do disco é do próprio João Garcia.

21192063_344247862668478_8179621592890827477_n

Para celebrar o efeito, chega agora um vídeo do tema “60KF”, que será o novo single. O vídeo é realizado por Gonçalo Moleiro & João Garcia.

João Garcia chama-se Iguana Garcia, mas podia ser o Camaleão Paulo – tudo o que cabe no universo do Lisboeta assemelha-se mais ao réptil de cor mutável do que a um lagarto vegetariano, mas nem por isso o nome lhe fica a dever em algo. A música de Iguana Garcia precisa do catalizador UV com a mesma intensidade que o réptil a que rouba o nome, exalando tropicalismo, psicadelismo e outro tipo de ismos que não vivem de ideias, mas de construção de identidades sonoras. A de Iguana Garcia é maior do que as fronteiras em que nos fechamos.

"For no reason" é o segundo video de Tomara lançado hoje

Depois de “Coffee and Toast”, single apresentado em Maio passado, surge agora a segunda amostra para o LP “Favourite Ghost” de TOMARA, o projecto a solo de Filipe Cunha Monteiro.

TOMARA_For No Reason.jpg

“For no Reason foi talvez a canção mais difícil de terminar porque percebi que abordava, de uma forma muito directa, o medo de dar um passo que se revelava difícil e essencial para mim. Alguns medos perseguem-nos e, com a idade, tentamos arrumá-los num sítio onde achamos que já não nos vão atormentar. Porque acreditamos que a fase das grandes mudanças já passou, ficou lá atrás, e que nos podemos resignar a isso. Mas não creio que isso seja possível. Acredito que esses “fantasmas” só se tornam mais presentes com o passar do tempo.

Durante 2 ou 3 anos esta canção foi apenas um instrumental onde me deixei levar pela energia da guitarra e da secção rítmica. Tinha um pulso diferente das outras canções, mais visceral para mim. Um misto de angústia e esperança. Quando percebi que queria escrever e cantar algo sobre essa paisagem sonora foi inevitável ter de escrever de uma forma mais directa e mais dura. E esse foi um passo muito demorado, carregado de dúvidas e incertezas, até o sentir firme. Acho que a canção, em parte, explica o porquê de eu estar a lançar o primeiro disco a solo aos 38 anos.

Desta vez não quis assumir a realização do videoclip sob pena de trancar o significado da canção nas minhas próprias impressões sobre ela. Confiei no olhar da Joana Linda para me ajudar a transpô-la para imagens. E foi precisamente o que ela conseguiu.”

Favourite Ghost” será editado digitalmente a 22 de Setembro. Haverá igualmente uma edição física que estará disponível nos concertos ao vivo ou através de encomenda na página oficial do Facebook

"Pequeno-almoço Inglês" de Filipe da Graça

O novo disco de Filipe da Graça (aka Filipe Fernandes), intitulado "Pequeno-almoço Inglês" já tem data de lançamento. O disco foi gravado entre Londres e Lisboa e foi produzido e misturado pelo próprio Filipe da Graça. A masterização ficou a cargo do Eduardo Vinhas nos Golden Pony Studios e o trabalho gráfico é do Silas Ferreira. O disco conta ainda com participações de colaboradores habituais como C de Crochê (baixo), Blarmino (bateria) ou Sam Cockerton (violino).

Capa disco.jpg

A edição física do disco, numa parceira Picos Gémeos/FlorCaveira, vai estar disponível para venda no concerto de lançamento no dia 7 de Setembro no Estrela Decadente (Rua Josefa Maria, 4B - Senhora da graça).

Entretanto, o primeiro avanço do disco, "Paris", já está disponível para audição exclusiva no bandcamp de Filipe da Graça.

Cut Copy regressam com novo álbum… “Haiku From Zero”

Haiku From Zero”, o primeiro álbum de estúdio dos Cut Copy em quase 4 anos e o primeiro com o selo da Astralwerks, será lançado a 22 de setembro. A banda acaba de revelar o segundo single do álbum, “Standing in the Middle of the Field”. Entre kalimpas em loop, cowbells e sintetizadores, o cantor Dan Whitford oferece alguns conselhos: “You gotta give up the things you love to make it better.” A canção faz uma previsão da temática que atravessa todo o álbum, uma necessidade de sobressair no meio do ruído.   

Cut_Copy

“Muito deste álbum é sobre o mosaico de informação, imagens que nos cercam no dia a dia”, diz Dan Whitford. “Às vezes parece demasiado, mas existe uma estranha beleza aleatória nisso mesmo. A ideia de conseguir retirar poesia a partir do caos é o significado do título deste álbum – a ideia de encontrar algo de poético no excesso.”

Ao longo da última década os Cut Copy tornaram-se um nome de dimensão verdadeiramente internacional, esgotando concertos de grandes dimensões e liderando festivais prestigiados como Coachella, Ultra, Lollapalooza, Primavera Sound, Pitchfork Paris ou o Big Day Out, na Austrália. O espetáculo ao vivo dos Cut Copy distingue-se por uma grande energia, aliada à beleza da complexidade das suas canções. Temas que têm vários níveis, da melodia a secções com dissonâncias, referências a vários géneros musicais, incluindo o disco e o pós-punk, tudo isto é misturado de uma forma que dá origem a grandes canções pop.

 

Começaram por ser um projeto que nasceu no quarto do vocalista, Dan Whitford, tendo os Cut Copy evoluído para uma autêntica banda com a inclusão do guitarrista Tim Hoey, do baterista Mitchell Scott e do baixista Ben Browning. Os quatro álbuns de estúdio do quarteto incluem “Zonoscope” (2011), que venceu dois ARIA Awards e foi nomeado para um Grammy, e “Free Your Mind” (2013), que recebeu uma pontuação de 8/10 da “Under The Radar”.

 

Badweather… Novo projeto algarvio lança EP de estreia

Designado por "Near Life Experiences" o EP de estreia dos badweather traz consigo um estilo que reúne a música alternativa, instrumentais ambient, riffs de guitarra memoráveis e vocais puros, como resultado apresentam-se sete músicas que transparecem e fazem sentir à flor da pele uma montanha-russa de emoções que engloba sentimentos românticos evidentes ao longo de uma relação.

artworks-000238314483-q1ngc5-t500x500.jpg

Após 9 meses intensos de gravação completamente independente, do lançamento de dois singles que já se fazem ouvir pelo Algarve e pelo país e alguns concertos com boa crítica, os badweather apresentam agora o seu EP de estreia, inteiramente produzido, misturado e masterizado pelos membros da banda - Alberto Hernández, Hugo Oliveira e João Encarnação - num quarto, em casa.

O EP já está disponível para streaming e download em varias plataformas digitais.

The Clientele editam "Music for the age of miracles"

“Music for the age of miracles” é o tão aguardado disco após o EP “Minotaur” de 2010 e o seu primeiro disco editado pela Tapete Records. MacLean e Anthony Harmer conhecem-se e tocaram juntos em meados dos anos 90 mas perderam contacto. Actualmente, vivem a 3 ruas de distância e a sugestão duma jam juntos levou a que Anthony fizesse os arranjos das músicas de MacLean e isso aconteceu até terem músicas suficientes para um disco. MacLean perguntou a James Hornsey (Baixo) e Mark Keen (Bateria, Piano e Percussão) se queriam fazer um novo disco de The Clientele e assim nasceu “Music for the age of miracles”.

cover_1493909310407602.jpg

Harmer contribui no disco com os arranjos e também com guitarra, voz, teclas, saz e santoor.

Há algo de arrebatador na forma como as músicas como “Falling Asleep” e a requintada “Everything you see tonight is different from itself” se estendem numa harmonia coral e numa sincopação rítmica. O solo de trompete de Leon Beckenham é um dos melhores momentos do disco, tal como a forma como as palavras “ballerina, breathe” reaparecem aos três minutos. Ao mesmo tempo, os belos evocativos interlúdios de Keen “Lyra in April”, “Lyra in October” e “North Circular Days”, o último deles gravado com o som do vento captado no exterior da casa do realizador Derek Jarman, significa que este álbum soa subtil mas siginificantemente diferente dos anteriores.

Tetê Espíndola apresenta "Outro Lugar"

O convite de Tetê é simples… “coloque o disco (com headphones melhor ainda) num daqueles bons momentos quando você pode se desligar do seu próprio cotidiano e dos acontecimento deste mundo em tempos tão barulhentos, para então imergir em cada tessitura sonora, pelos detalhes entre voz e instrumentos, mas principalmente, se permitir ir pra Outro Lugar.” 

Captura de Tela 2017-08-24 às 10.50.24

Em “Outro Lugar” corre um rio atemporal, alimentado por riachinhos de diversos tempos. Este é o fio condutor do novo álbum de Tetê Espíndola, músicas sobrepostas por diversos momentos de sua carreira e vida, a "desaguar" em um disco de muitas épocas e lugares - físicos e emocionais.

 

"Cada um de nós tem que encontrar um lugar ou lugares dentro da gente mesmo, pode ser na loucura da cidade ou no meio da natureza. Encontrar a tranquilidade dentro de si mesmo. É a sina de todo ser humano, encontrar o seu lugar e a paz interior", conta Tetê, que retorna com este registro de inéditas, 3 anos após o lançamento do último trabalho, “Asas do Etéreo” (2014).

 

18º disco de carreira, apresenta 12 canções inéditas, composições de Tetê com parceiros especiais e de longa data, como Marta Catunda, Bené Fonteles, Arrigo Barnabé, Geraldo Espíndola, Philippe Kadosch, Luisa Gimenez, o imortal Manoel de Barros (em poema musicado pela cantora) e Arnaldo Black, autor da música título. A direção musical é de Sandro Moreno, Adriano Maggo e Tetê, ambos parceiros de estrada. Produzido pela LuzAzul, o disco foi gravado em Campo Grande (MS), sua terra natal, em São Paulo e finalizado em Paris, com o francês Philippe Kadosch.

 

São canções acima de tudo frescas e latentes na memória da alma de Tetê Espíndola, garimpadas pelos caminhos sonoros da artista, apontando para um “Outro Lugar”. 

Vodafone Paredes de Coura foi o festival mais mediático de Agosto

O Vodafone Paredes de Coura foi o vencedor da Maratona de Festivais de Verão – Ranking Cision, no mês de agosto. O evento que se realizou de 16 a 19 de agosto foi mencionado em mais de mil notícias (1.023) e quase 24 horas de tempo de antena nas televisões nacionais. Em segundo lugar deste ranking Cision, não muito longe, ficou o Meo Sudoeste. O festival que decorreu na Herdade da Casa Branca, na Zambujeira do Mar, apareceu em 805 notícias e uma exposição superior a 21 horas na rádio e na televisão.

Festivais-Verao-Agosto-2017-anexo.png

Em terceiro e último lugar do pódio surge o Festival EDP Vilar de Mouros, que teve lugar nos dias 24, 25 e 26 de agosto. Para este resultado, muito contribuiu o tempo de exposição na televisão e na rádio – mais de 11 horas.

 

Num ranking naturalmente dominado pelos festivais que se realizaram em agosto, seguem-se O Sol da Caparica, com mais 500 notícias e 10 horas de tempo de antena na televisão; e, já algo distante, o Festival Bons Sons, citado em mais 300 notícias e com pouco mais de uma hora e 20 minutos de presença em televisão e rádio.

 

Por ordem decrescente, constam ainda deste ranking o NOS Alive, o NOS Primavera Sound, o Super Bock Super Rock, o EDP Cool Jazz, o Meo Marés Vivas, o Sumol Summer Fest e o RFM SOMNII.

 

Os festivais monitorizados pela Cision somaram 3.697 notícias no mês de agosto. A Maratona dos Festivais de Verão – Ranking Cision é um estudo realizado de forma continuada pela Cision, que analisa a evolução do mediatismo comparado de diversos festivais de música realizados em Portugal, ao longo dos meses, até ao final do verão. O desempenho mediático conquistado por cada festival é calculado tendo em conta a metodologia Cision de avaliação de comunicação, que considera o número de notícias identificadas, o espaço ou tempo de antena ocupado, as oportunidades de visualização, tendo em conta as audiências alcançadas, e o valor do espaço editorial, contabilizado em função das tabelas de publicidade de cada órgão de comunicação social.

 

O objeto de análise deste estudo são todas as notícias relativas aos diferentes festivais de verão, veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2.000 meios de comunicação social, Televisão, Rádio, Imprensa e Online. Neste caso, o Ranking reflete o resultado de 1 a 31 de agosto de 2017. A Cision divulga, mensalmente, uma tabela com os resultados apurados e as consequentes variações observadas.

PAUS em residência artística no Aleste

É já em Setembro que os PAUS estarão na Madeira para um residência artística que irá finalizar os trabalhos de lançamento do próximo disco, a ser editado no arranque de 2018. A semana de trabalhos culminará, a 22 de Setembro, com um concerto, de acesso livre, a ter lugar no Jardim Municipal do Funchal, onde a banda mostrará, em primeira mão, alguns dos novos temas. A noite contará ainda com o djset dos Dirty Shufflers.

95f857f2-cf83-4cf0-ae6c-5da3c9ebd129

É já longo o namoro entre a organização do Aleste e o quadrado que junta Hélio Morais, Joaquim Albergaria, Makoto Yagyu e Fábio Jevelim. Partindo da ligação especial que a banda construiu com Madeira, o Aleste decidiu dar-lhes uma Carta Branca para, ao longo de uma semana, finalizarem no arquipélago o processo criativo, que levará ao lançamento do quarto disco de originais do colectivo.

 

A edição de Setembro do festival itinerante, contará ainda com a performance Meet me in the Middle, de Gwendolyn van der Velden e Joaquim Albergaria, um diálogo entre a música e a pintura que, pela improvisação, procura desenhar uma linguagem comum entre a bateria e a tela.

A apresentação terá lugar a 20 de Setembro, no foyer do Teatro Baltazar Dias.

“Os Melhores do Mundo” em estreia dia 7 de Setembro...

É já no próximo dia 7 de setembro que estreia “Os Melhores do Mundo”, o novo espetáculo de Commedia a la Carte que promete juntar em palco “os melhores improvisadores do mundo”. A César Mourão e Carlos M. Cunha, no elenco fixo, junta-se Gustavo Miranda (formador num dos maiores grupos de improvisação brasileiro, Barbixas, e ator no “Portátil” de Porta dos fundos) e Marco Gonçalves (elemento do talkshow de sucesso brasileiro, Lady Night, da atriz Tatá Werneck,  expert em improvisação musical e um aclamado talento do Noite de Improviso, outro dos grandes grupos de referência em improvisação no Brasil) os dois atores “phenomenais” convidados, para improvisar e fazer rir nesta nova temporada. 

CALC OMDM key 5

No Teatro Villaret até ao dia 26 de novembro “os melhores do mundo” podem ser vistos de quinta-feira a domingo, às 21.30h. “Gustavo Miranda, o melhor improvisador colombiano do mundo, vai estrear-se com os Commedia a la Carte e junta-se ao elenco nos meses de setembro e outubro”, explica César Mourão. “Já Marco Gonçalves, o melhor improvisador brasileiro do mundo e que já improvisou com o grupo em 2013 para fazer “Commedia com sotaque”, fica aos comandos no Villaret até ao mês de novembro”, avança. Quanto ao espetáculo propriamente dito: “esse, é fraquinho!”, avisa o ator.

 

Depois da temporada no Villaret, “Os Melhores do Mundo” rumam ao norte para improvisar na cidade do Porto. Vão estar em cena no Teatro Sá da Bandeira de 30 novembro a 10 de dezembro, de quinta-feira a domingo, às 21.30h. César Mourão, Carlos M. Cunha e Marco Gonçalves são os responsáveis por fechar assim esta nova temporada dos Commedia a la Carte, que termina no Porto e não tem, para já, datas previstas para 2018.

 

Mimicat… Novo disco “Back In Town” a 22 de Setembro

Back in Town” é o nome do novo disco de Mimicat. Este álbum marca uma viragem na carreira da artista, agora com uma imagem e sonoridade mais Pop e versátil. Este disco é sobre autoconfiança e autoconhecimento. Mimicat é agora mais segura, enquanto mulher e enquanto artista, tendo passado por um processo de transformação interior e exterior também.

MIMICAT - Back in Town - capa disco

 “Back in Town” é fresco, forte e moderno. Um disco Pop recheado de canções onde se cruzam a alma e carisma inconfundíveis da artista com as influências da música negra  Soul,  Hip-Hop e R&B, tanto na composição e melodias como na produção instrumental, com baladas minimais como “Lord”, temas grandiosos como “Nobody Knows” ou o atrevimento obscuro de “Cold Feet”.

Back In Town” mostra-nos uma Mimicat capaz de se re-inventar e surpreender. Uma artista confiante, audaz e genuína. Dona de uma presença incontornável, está de volta e veio para ficar.

 

Agenda de concertos:

16 de Setembro 2017 - Festival Viana Bate Forte (Viana do Castelo)

28 de Outubro 2017 - Centro Cultural Olga Cadaval (Sintra)

18 de Novembro 2017 - Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra)

Dar Letra à Música em Setembro com David Fonseca

David Fonseca é o convidado na abertura da terceira temporada do ‘Dar Letra à Música’. Revelação nos anos de 1990, com os Silence 4, o músico de Leiria iniciou-se a solo em 2003. “Sing Me Something New” foi o álbum de estreia e, já em 2005, a eleição de “Our Hearts Will Beat As One” como melhor disco pop do ano para os media abriu caminho a uma nomeação para os MTV European Music Awards de 2006.

davidfonseca_1

photo: Paulo Homem de Melo

 

Em simultâneo, a estreia em realização, “Superstars” (vídeo musical recordista de visualizações), acompanhou a escolha de Artista do Ano pelos leitores da revista Blitz. Depois de “Dreams In Colour” (2007), “Between Waves” (2009) e “Seasons – Rising : Falling” (2012), o primeiro álbum em português, “Futuro Eu”, marcou o ano de 2015.

 

De rapaz tímido a criador da comunidade online ‘Amazing Cats Club’, David Fonseca vai agora irradiar perante a informalidade e o humor da dupla habitual de moderadores do ‘Dar Letra á Música’, Tito Couto/Jorge Oliveira.

O evento é uma organização do Museu FC Porto, em parceria com a Associação Sótão Paralelo (“Conta-me Histórias”), sujeito à lotação da sala.
Dia 22 de Setembro no Museu FC Porto

Moullinex apresenta “Hypersex” no 1º aniversário do MAAT

O dia 4 de Outubro está marcado na agenda e será dia de festa. “Hypersex” vai ser, no entanto, mais do que o lançamento terceiro álbum de Moullinex. Será antes uma celebração de dez horas, e uma declaração de amor colectiva à Club Culture que se irá fundir com o 1º aniversário do mais recente ex-libris da cidade de Lisboa, o MAAT. Este evento que arranca com um espetáculo de Moullinex, onde apresentará em primeiríssima mão o novo disco e continuará até de manhã numa maratona de DJ sets, num choque controlado entre o fim de rave e o público do dia aberto do MAAT.

6b40df50-4e41-4958-9e05-f72b6c130241

Hypersex” @ MAAT não será uma rave, nem tão-pouco uma exposição, mas sim uma zona autónoma temporária contendo as duas entidades e, no encontro da “caixa negra” com o “cubo branco” da galeria, o resultado é surpreendentemente muito pouco cinzento. Até porque Bráulio Amado, um dos mais prolíficos e internacionalizados designers nacionais, está metido ao barulho, dando corpo e forma visual a “Hypersex” com toda a elegância, sujidade e aparato que este projecto merece. Além de toda a componente gráfica do álbum, Bráulio traça a narrativa estética deste modus-operandi “Hypersex”, que além de musical é óbvia e estupidamente visual.

 

Esta ideia de promiscuidade criada na pista de dança materializa-se também numa fanzine, tão colaborativa e diversificada como o álbum e que contará com pesos-pesados da ilustração e design gráfico como Gonçalo Duarte, Lord Mantraste, Sonja, Germes Gang, Oscar Rana, Sollidha, Simão Simões, Rita matos, Francisco Ferreira e Rudolfo, que exploram graficamente a sua relação com o tema e ainda com os videos de Bruno Ferreira, em casting dançante realizado em NYC, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, entre muitos outros. Em grande formato e à escala humana, assim serão exibidas estas homenagens ao lado mais DIY e espontâneo da Club Culture, em paralelo com uma curadoria de arte contemporânea feita pelo MAAT e uma amostra do nosso “gabinete de curiosidades” recolhidas em alguns dos videoclipes que acompanham os singles, cada um deles assente na colaboração entre agentes improváveis ou colocados em zona de desconforto.

 

Voltando à música, no espectáculo de Moullinex, Ghetthoven vestirá a pele de vários personagens num momento que cruza a tecnologia de Realidade Virtual e Realidade Aumentada com a história da pista de dança, acompanhado de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira com o seus canhões fálicos operados por Aurora Pinho cobertos de glitter que disparam confetti durante uma maratona de dez horas de DJ sets, num cartaz totalmente secreto, mas garantidamente incrível. Destaque ainda para o facto de no dia seguinte, 5 de Outubro, feriado, a exposição permanecerá no Open Day do MAAT.

Shania Twain está de volta com novo álbum… “Now”

Shania Twain prepara-se para lançar o seu novo álbum, “Now”, a 29 de setembro. Após 3 décadas de uma carreira brilhante que a tornou a artista feminina de country com mais vendas de sempre, Shania entrega-se com confiança a este momento triunfante que culmina no seu quinto álbum de estúdio, e o primeiro editado desde 2002. Assumindo, pela primeira vez, o papel de única compositora, e supervisionando o trabalho de produção como coprodutora, esta é a mulher que o mundo inteiro conhece e adora na sua melhor e mais arriscada fase do seu percurso.

shaniatwain

Além deste novo álbum, o Country Music Hall of Fame and Museum, em Nashville, inaugurou recentemente uma exposição, “Shania Twain: Rock This Country”, que estará patente até meados de 2018 e que inclui o guarda-roupa icónico do vídeo de “Man! I Feel Like A Woman!”, bem como a roupa que a cantora usou durante o espetáculo na final do Super Bowl em 2003, entre outras peças da artista.

Shania já venceu 5 prémios Grammy, sendo a Rainha da Country Pop. Com mais de 75 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo, Shania mantém-se a artista feminina de música country com mais vendas de sempre. Os álbuns de Shania incluem a estreia platinada de 1993, “Shania Twain”; o premiado nos Grammys e Duplo Diamante “The Woman In Me” (1995); “Come On Over”, o álbum de música country mais vendido de sempre com mais de 40 milhões de unidades vendidas mundialmente; e “UP!”, o terceiro disco consecutivo de Shania que atinge a marca de Platina.

 

A beleza da peculiaridade… "Maravilhas Humanas" em exposição em Lisboa

Tripp pedala, enquanto Bowen mantém o guidão do tandem, desenhando amplos círculos na pista da tenda lotada de público, que explode em risadas às brincadeiras deles: "Hey Bowen, cuidado onde pões os pés!" "Tripp, não me toques!" Em si, não seriam piadas tão divertidas, se não fosse que Bowen era um acrobata sem pernas, e Tripp nasceu sem braços.

tandem

O circo tem sido povoado por pessoas como Tripps e Bowen, caracterizadas por peculiaridades físicas incomuns, apelidadas de "freaks" pelos americanos, termo usado mais tarde por Tod Browning como título para o seu famoso filme de 1932. Um termo injusto, esse, que pressupõe uma divisão entre o que é considerado normal e o que não entra nos limites dessa definição: muito preferível é, em vez disso, o título que Frederick Dimmer escolheu para o seu livro "Very Special People", sobre as vidas surpreendentes e muitas vezes inspiradoras de muitos deles.

 

Trata-se de histórias de pessoas que escolheram transformar o que a massa consideraria como um defeito, na sua maior fortuna. Indivíduos que decidiram se levantarem e lutarem, recusando-se a se por ao lado para seguir as regras do rebanho, e quem ganharam. Essas histórias inspiraram o mais recente projecto artístico, em desenvolvimento, da pintora italiana Elena Valsecchi, que será apresentado pela primeira vez no dia 7 de Setembro na Galeria Beltrão Coelho em Lisboa, juntamente com o trabalho da excelente artista portuguesa Filipa Silveira.

 

"As minhas últimas pinturas são inspiradas pelo mundo do circo, uma metáfora bonita e viva para vários aspectos da vida. As histórias exemplares dessas 'Maravilhas Humanas' entraram recentemente neste meu universo, sendo para mim um símbolo da batalha contra a natural tendência humana para a uniformidade, agora amplificada pelos médias e, em particular, pelas redes sociais. Penso que todos deveriam, já em criança, ser educados e educar-se para valorizar as suas próprias peculiaridades, sem se julgar de acordo com os parâmetros comummente aceites e, acima de tudo, sem se comiserar. Este projecto, ainda em andamento e pela primeira vez em exposição, junto com outras pinturas relacionadas à imagem do circo, quer ser um convite para reconsiderar-se e libertar-se do julgamento, para viver uma vida plena como a experimentada pelos protagonistas dessas histórias ".

 

A série "Maravilhas Humanas" de Elena Valsecchi estará em exposição junto com outras séries da mesma autora e com as obras da artista Filipa Silveira na Galeria Beltrão Coelho, Rua Sarmento de Beires, 3A, Lisboa (Areeiro).

A inauguração, aberta ao público, será na quinta-feira, 7 de Setembro às 18h.

 

 

A exposição de Joan Miró chega a Lisboa!

Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, exposição comissariada por Robert Lubar Messeri, destacado especialista mundial na obra de Miro, abarca um período de seis décadas da carreira de Joan Miró, de 1924 a 1981, debruçando-se de forma particular sobre a transformação das linguagens pictóricas que o artista catalão começou a desenvolver nos anos 20 do século passado. São abordadas as suas metamorfoses artísticas nos campos do desenho, pintura, colagem e trabalhos em tapeçaria, observando-se em detalhe o pensamento visual de Miró, o modo como trabalha com sensações que variam entre o táctil e o ótico, bem como os processos de elaboração das obras.

destaque

A exposição incluirá um conjunto de 85 obras de Joan Miró, incluindo seis pinturas da famosa série sobre masonite de 1936, seis sobreteixims (tapeçarias) de 1972 e 1973 e uma das extraordinárias telas queimadas, de uma série de 5, criada para a grande retrospetiva de Miró no Grand Palais de Paris, em 1974.

 

Após o enorme sucesso alcançado na Casa de Serralves, a mostra chega agora à Galeria do Rei D. Luis I, no Palácio Nacional da Ajuda, de 8 de Setembro a 8 de Janeiro de 2018

Desenlata… um mês de arte urbana em Matosinhos

Foi no passado sábado, 2 de setembro, que arrancou a terceira edição do Desenlata - Festival de Arte Independente de Matosinhos, que este ano promete fazer Matosinhos sair da casca durante um mês inteiro, mostrando arte urbana dedicada ao tema “Mar e Horizonte”. Com curadoria de Filipe Granja, o evento promete desenlatar e devolver à cidade as antigas fábricas conserveiras, repensando e reinterpretando a relação de Matosinhos com esta indústria.

21192506_670278033178139_5227931969540901440_n

Entre as latas de sardinhas e as latas de tinta, o Desenlata contará com a participação de 34 artistas urbanos, entre os quais se contam nomes como os de Amadeus, André Silva, Bent, Bruno Lisboa, Dub, Dogmas, Guel, Mesk, MynameisnotSEM, Rafi, Hazul, Lapiz, Padure, Paulo Boz e Manuela Pimentel. O festival conta este ano com o apoio institucional da Câmara Municipal de Matosinhos, associando-se ainda à Fábrica de Conservas Portugal Norte, à Escola Secundária Augusto Gomes e à Unicer.

 

Da programação do festival destaca-se a pintura de um mural coletivo com 160 metros na Rua Edemundo Alves Ferreira, junto à Escola Secundária Augusto Gomes.

 

No dia 4 de setembro, pelas 17 horas, será inaugurada a exposição “Arte na Conserva: As melhores conservas do mundo”, que juntará na Loja Interativa de Turismo de Matosinhos (Praia do Titã) trabalhos de criativos artistas nacionais como Amadeus, André Silva, Bent, Bruno Lisboa, Dub, Godmess, Guel, Mesk, mynameisnotSEM e Rafi. Como não podia deixar de ser, as obras terão como objeto as tradicionais latas de conservas de Matosinhos, neste caso da variante de 2kg.