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Glam Magazine

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Vagos Metal Fest 2017… Foi assim o primeiro dia…

A segunda edição do Vagos Metal Fest arrancou na passada sexta-feira e prolongou-se por três dias - um a mais que no ano anterior. O cartaz diário também foi alongado, contando com a participação de 9 bandas em vez de 7, mas manteve o princípio de agradar a gregos e troianos, continuando a apostar na diversidade de subgéneros do metal.

 

Embora no mesmo local, a disposição deste foi melhor aproveitada, dando a sensação de maior amplitude. De destacar a criação do Beer Garden onde, conforme o nome indica, três barraquinhas serviam variados tipos de cerveja. A única fraqueza do festival - já que contra melgas e mosquitos não há nada que possa ser feito - reside provavelmente nos quartos de banho, que deveriam ser um pouco mais numerosos e o sistema de água dos mesmos deveria estar a funcionar.

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Coube aos Tales For The Unspoken abrir o festival, para o maior público registado àquela mesma hora - parece que o discurso insistente do vocalista Marco Fresco relativo ao apoio do underground nacional está a dar frutos. E não apenas em termos de presença mas também de participação, tanto com mosh circles incansáveis como a acompanhar refrães de temas como “Say My Name” ou “Soul For A Soul”, e ainda o cântico indígena de “N’Takuba Wena”. A completar 10 anos de carreira, Fresco disse não haver melhor maneira para a banda celebrá-los e essa sensação de contentamento era bem visível.

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Talvez para dar descanso a esses festivaleiros, os ânimos acalmaram radicalmente com a entrada em palco dos alemães And Then She Came. Não que tenha sido um concerto apagado, pelo contrário, mas foi uma vivacidade diferente; ‘adrenalectrica’, para usar o seu próprio termo. O rock moderno e dançante de “Five Billion Lies” ou “Hellfire Halo”, aliado aos movimentos a condizer da vocalista Ji-In Cho entretiveram o público mas não foi propriamente o feedback mais entusiástico a que assistimos em Vagos.

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Sem querer fazer um trocadilho manhoso (mas já fazendo), Vagos entrou em revolução com os feirenses Revolution Within. O pesadelo dos seguranças - crowdsurfers uns atrás dos outros - começou logo com a primeira música, “Suicide Inheritance”, e não abrandou nem mesmo em “From Madness To Sanity”, cujo ritmo mais arrastado enquadra-se melhor num headbang sincronizado. Mas é esse o efeito desta banda que, por cá, dispensa apresentações. Mais para o final, Raça chamou Marco Fresco dos Tales For The Unspoken para cantar com ele “Pull The Trigger”, e o pedido de uma wall of death em “Pure Hate”, que já pode ser considerado uma tradição, foi plenamente atendido.

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O que é que acontece quando juntamos alegres e bons bebedores irlandeses a thrash metal? Gama Bomb! Philly Byrne estava contente por ver tantas raparigas, uma vez que “em casa” só tipos feios e cabeludos iam aos seus concertos. Foi com este tipo de bom humor e com o seu fato amarelo que arrancou bastantes gargalhadas, mas foi a qualidade da sua música e a energética maneira com que a banda a interpretou que fizeram do concerto de Gama Bomb um sucesso e de “Zombi Brew” um hino neste festival.

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Não é a primeira vez que uma banda se divide em duas e ambas as partes assumem o mesmo nome até a batalha dos direitos de autor ser resolvida. Esta batalha pareceu ser pacífica com os Rhapsody em 2006, quando o fundador Luca Turilli adicionou o seu nome ao da banda, e os restantes membros continuaram como Rhapsody Of Fire. De modo que a notícia de uma tour de aniversário - o 20º - em simultâneo com a despedida, sob o simples nome Rhapsody, enquanto que nas redes sociais é referido o nome Rhapsody Reunion, a primeira coisa que nos ocorre é que vamos assistir a um concerto do alinhamento original. Mas estávamos errados. A reunião é entre os Luca Turilli’s Rhapsody e Fabio Lione, ex-vocalista de Rhapsody Of Fire. Mas certamente que ninguém terá ficado desapontado, uma vez que foi precisamente Fabio que gravou todos os clássicos da banda e, ao fim destes 20 anos, ouvir “Emerald Sword”, “Wisdom Of The Kings” ou “Dawn Of Victory” com o mesmo timbre soube muito bem. E para nós, portugueses, teve um gostinho especial ouvi-lo dirigir-se ao público em português quase perfeito - ser vocalista dos brasileiros Angra nos últimos quatro anos foi uma boa escola.

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Com edição de novo álbum marcada para inícios de Setembro, ainda era cedo para os Arch Enemy apresentarem-no em Vagos. Ainda assim, tendo o primeiro single “The World Is Yours” mais de cinco milhões de visualizações no YouTube num mês, até parecia mal não estar integrado na setlist. Foi precisamente esse o tema de abertura do concerto, passando para um dos mais antigos logo de seguida - “Ravenous” - e levando assim o público ao êxtase, como sempre que actuam em terras lusas, independentemente da sua formação (que, de qualquer modo, é sempre de elite). Como cabeças de cartaz, tiveram oportunidade de visitar a maior parte da sua discografia, fazendo uma selecção que, a julgar pelo volume dos coros, agradou a todos - ainda que quisessem mais, depois de soarem os últimos acordes de “Nemesis”.

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Seguiram-se os Wintersun, pela primeira vez em Portugal. Formada em 2003, a banda de Helsínquia tem apenas 3 álbuns editados - um deles no mês passado - pelo que não foi difícil tocar todos os temas preferidos dos fãs, o último sendo “Time”, como era esperado. Jari Mäenpää puxou pelo público mas não era preciso muito para obter os gritos e cânticos desejados, tal era a satisfação dos presentes.

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Mas eram os Therion o alvo das maiores expectativas, depois de toda a trapalhada em torno da sua última passagem por cá, no Lisbon Dark Fest 2013. O próprio guitarrista Christofer Johnsson mencionou o “incidente” e como estavam felizes por desta vez tudo ter corrido bem. Chamou ainda a atenção para o baterista não ser o mesmo, que esse iríamos ver duas noites depois, já que os Hammerfall o tinham roubado; mas que não fazia mal, eles tinham o de Amon Amarth.

Perto do final, Thomas Vikström perguntou retoricamente se já sabíamos como terminava um concerto de Therion - a resposta seria “To Megatherion” - mas após esse clássico Vikström disse a Johnsson que não lhe apetecia ir já embora e tocaram então “Cults Of The Shadow” para terminar. Quem perdeu este grande concerto ou gostaria de ver Therion novamente ao vivo, há já duas datas marcadas - Porto e Lisboa - para Fevereiro, em promoção do novo álbum “Beloved Antichrist”.

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Uma boa parte do público debandou mas outros tantos ficaram para o bondage-grind dos Grunt - e ainda tinham forças para uma roda bem violenta, conforme o som exige. Boy-G foi o último a entrar em palco, arrastando consigo uma moça em trajes menores; mas dado que o teor lírico dos seus temas é pornografia e devassidão, tratava-se de uma ilustração de tais temas - dificilmente seria com o intuito de chocar ou inferiorizar as mulheres, como alguns pensaram, em especial quando perto do final a rapariga ficou nua da cintura para cima e Boy-G deu algumas pancadas nas nádegas. Pormenores visuais à parte, foi a música de “Scrotal Recall” e “Codex Bizarre” que os levou a integrar o cartaz de Vagos e que patrocinou o já referido mosh.

Terminava assim o primeiro dia, no que toca a concertos - a festa continuou noite fora no parque de campismo.

 

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Reportagem e Fotografias: Renata Lino

Vodafone Paredes de Coura 2017… Benjamin Clementine para sempre…

E ao quarto dia a celebração chega ao fim…

Mais uma vez a música quebrou barreiras, o rio refrescou as tardes e onde o surf em modo crowd for desporto rei como um rei em palco, de seu nome Benjamin Clementine, o simpático ‘gigante’ e algumas bandas que  transformaram as margens de um rio no habitat natural da música.

4-01

Um último dia agitado, principalmente para a imprensa que tinha um longo dia, que começou logo à hora de almoço com a conferencia de imprensa (transmitida em direto pela Glam Magazine) e onde de um modo informal, a produção do Festival faz um balanço bastante positivo desta 25ª edição do Vodafone Paredes de Coura, em que a Vodafone celebrou igualmente os 25 anos em Portugal. Assegurada ainda nesta conferência de imprensa a edição de 2018, que prolonga assim a parceria com a Vodafone.

4-00

As Vodafone Music Sessions deste dia estavam reservadas para junto do rio onde Noiserv encantou as ‘sereias’ que ao início da tarde populavam a praia do Taboão.

Mas a tarde prometia e numa apresentação muito especial, a Universal juntamente com o Vodafone Paredes de Coura apresentavam à imprensa, no Auditório Municipal, em exclusivo e primeira mão, o novo disco de Benjamin Clementine, “I tell a fly” com edição agendada para meados de Setembro. Uma audição na íntegra com a presença do músico britânico que falou deste novo trabalho, elogiando de igual forma Portugal e o apoio que tem recebido no nosso país.

4-02

De regresso ao palcos das emoções e dos ‘afectos’, a noite prometia, e muito, um cartaz apelativo, com nomes que iriam prender os mais de 27.000 festivaleiros esperados para este dia 19 de Agosto. Um dia esgotado como a organização já tinha referido dois dias antes. Um dia com 4 nomes nacionais a marcar o alinhamento, Toulouse, White Haus, Manel Cruz e Throes+The Shine.

A celebração iniciava-se precisamente em português com o palco Vodafone.FM a receber os vimaranenses Toulouse. Canções soltas presentes no mais recente disco da banda “Yuhng” e também canções novas, tocadas “antes do concerto de Manel Cruz” como referiram em palco. A espontaneidade das melodias marcou os primeiros 40 minutos da noite.

4-03

No palco Vodafone, as (primeiras) expectativas da noite eram grandes. Manel Cruz regressa a Coura, sem Ornatos mas com um conjunto de canções que traduzem de um modo sonoro as novas vivências de Manel Cruz. Em jeito descontraído e até relaxado, Manel, que veio ‘diretamente do rio para o palco’ mostrou sem grande produção que o palco de Coura ainda lhe pertence 5 anos depois, numa edição sem muitos nomes de peso, em 2012, em que esse papel coube aos Ornatos. Em 2017, a música andou à volta da Estação de Serviço, projeto a que Manel deu vida em 2015. O público a dar provas que o misticismo ainda continua vivo.

4-04

Do outro lado do recinto, João Viera com o seu projeto White Haus trazia os primeiros sons dançáveis da noite. O indie pop eletrónico, com influências new age, fazia-se ouvir à medida que os minutos avançavam no final da tarde. “Greatest Hits” incluído em “Modern Dancing” foi um dos temas mais apelativos que se fez ouvir, sempre a bom ritmo, bem como “This is Heaven”. A energia de João Vieira e Graciela Coelho não deixaram ninguém indiferente ao apelo da dança.

4-07

Com o ritmo contagiante da dança no ar, não era difícil de prever que os Foxygen não aproveitassem o embalo. Jonathan Rado e os seus Foxygen traziam a palco “Hang”, disco editado em 2017 com “Follow the Leader” a marcar presença logo no início do concerto. A banda da Califórnia, sempre bem disposta em palco, por culpa de Rado, desfilou canções que retratam a vivência na América e principalmente na Califórnia. Em 2013 traziam a máxima “We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic” e foi isso que aconteceu em palco ao longo de 60 minutos de magia e muita música fugindo ao psicadelismo de uma forma suave e retro.

4-06

No palco vodafone.FM, o australiano Alex Cameron fazia a apresentação do seu novo trabalho “Forced Witness” com edição agendada para a primeira semana de Setembro, mas era o palco principal que se ia enchendo para receber aquele que viria a ser o rei da noite e da 25ª edição do festival. De seu nome Benjamin Sainte-Clementine era o nome mais aguardado pelo público. O músico e poeta, com uma enorme legião de fãs em Portugal, foi recebido em ovação. Fugindo dos ‘standards’ dos seus anteriores concertos no nosso pais, Benjamin aliou-se aos fãs, partilhando com o público a sua felicidade por estar ali, em palco, a apresentar algumas novas canções do seu novo disco, bem como alguns já clássicos temas do seu disco de estreia, tais como “Condolence”, onde o público cantou de igual para igual com o artista, ou “Cornerstone” e até “I Won’t Complain” sem esquecer “Nemesis”, “Phantom Of Aleppoville”, uma das novas canções, marcada pelos novos elementos musicais presentes em “I tell a fly”, é um dos temas mais fortes, e que conquistou rapidamente um público que ovacionou Benjamin por diversas vezes. 60 curtos minutos plenos de magia e afectos espalhados pelo artista que definitivamente se afirmou em Portugal.

4-08

E se a noite já tinha um Rei, os Foals quase que o destronavam. A banda britânica, originária de Oxford e liderada pelo carismático Yannis Philippakis contagiou rapidamente o público que enchia o anfiteatro natural de Paredes de Coura. Sem novidades debaixo do braço mas com dois discos que marcaram a carreira da banda, “What Went Down” e “Holy Fire”, os Foals descarregaram energia bruta em palco, passando pelas canções mais apelativas à dança como “My Number” ou o psicadelismo envolvente de “Inhaler”. O público respondia ao apelo de Yannis e foi constante o “surf” com destino ao palco por parte do público. O fechar do festival trazia também o encore e a celebração dos Foals quando Yannis se junta ao público presente junto ao palco. A fechar a noite, os Foals a deixar uma marca importante na história do Festival, um concerto que foi sem dúvida um dos melhores.

4-09

A encerrar a noite, a celebração dos 25 anos ao som de “All my friends” e de muita magia… No palco Vodafone.fm, convertido em after hours, o rock-kuduro dos Throes + The Shine, mesmo sem Diron, fazia a festa pela noite dentro ao som “Guerreros”, “Capuca”, “Keep it in” e muitos outros sempre com muita energia contagiante.

 

Era o terminar desta 25ª edição do festival. Mais uma vez o habitat natural da música foi o cenário perfeito. A música esteve presente desde a primeira hora, estendendo-se desde o palco jazz ao final da tarde, passando pelas Vodafone Music Sessions em lugares públicos. Numa análise final, o último dia com Benjamin Clementine e Foals como cabeças de cartaz acaba por ser o dia da maior enchente no festival. A música Portuguesa, representada ao mais alto nível, foi igualmente uma das figuras em destaque nesta edição com concertos a ocupar o palco principal e a trazer autênticas enchentes de público, como o caso de Manel Cruz, Bruno Pernadas e YCWCB.

Os nomes emergentes nacionais primaram pela segurança em palco. Com mais ou menos altos e baixos, o cartaz desta edição acabou por ser homogénio apostando em regressos e em novas sonoridades, nomeadamente o jazz.

 

Regressamos em 2018…. Até lá!!!

 

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Texto de Sandra Pinho e fotografias de Paulo Homem de Melo