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Glam Magazine

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Vodafone Paredes de Coura 2017… Nick Murphy ou Chet Faker?

Se o primeiro dia do Festival funciona como uma espécie de warm-up, o que este ano fugiu completamente a essa tendência, o segundo iria revelar-se como o primeiro de 3 grandes dias desta 25ª edição do Festival Vodafone Paredes de Coura.

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O final da noite prometia com o regresso de Chet Faker como Nick Murphy, mas pelo meio a variedade musical, sempre característica de 25 anos de Festival. Seria ao segundo dia que as Vodafone Music Sessions regressavam a Paredes de Coura pela batuta dos Timber Timbre ao meio da tarde.

2-01

O calor brindava o final da tarde no 'Couraíso', como lhe chamam os apreciadores e seguidores e nada melhor que o indie folk lo-fi dos Nova Iorquinos Sunflower Bean para animar o arranque deste segundo dia, que prometia muitas emoções. O álbum de 2016, “Human Ceremony”, único da banda, era o disco que os norte americanos traziam na bagagem. Jacob Faber, Julia Cumming e Nick Kivlen desfilaram com energia as pinceladas psicadélicas de canções como “Easier Said”, “2013” ou ainda o tema título do disco de estreia “Human Ceremony”.

2-02

Na estrada do folk ou do indie pop, encontramos no palco Vodafone o rock nacional dos You Can’t Win, Charlie Brown. Liderados pela envolvência sonora de Afonso Cabral, os YCWCB souberam como ninguém cativar um público que tomava posição no anfiteatro natural de Paredes de Coura. “Marrow”, o terceiro capítulo do projeto iniciado em 2009, libertava as sonoridades mais ecléticas produzidas pela banda de Afonso Cabral, Salvador Menezes, David Santos, Tomás Sousa e João Gil. Depois da aventura na edição de 2011, a banda regressava ao palco principal do festival, 15 anos depois da primeira vez que estiveram no festival, na altura como público como confidenciaram na entrevista à Glam Magazine.

2-03

Saltávamos para o palco Vodafone FM onde os Nothing, banda norte americana constituída por Domenic Palermo, Bradon Setta, Kylie Kimball e Nick Bassett, apresentava o shoegaze do seu mais recente disco, “Tired Of Tomorrow”. Longe de atrair um público exigente, a banda de Filadélfia desfilou ao longo de 40 minutos alguns dos temas mais marcantes, não deixando de lado o agressivo “ACD (Abcessive Compulsive Disorder)”.

2-05

Regressando ao palco principal, o projeto de Will Toledo, Car Seat Headrest regressava a Portugal após a estreia apoteótica na edição de 2016 do NOS Primavera Sound. Existem 2 tipos de canções, as que passam e as que ficam na memória, e é esse segundo género que Will Toledo deixa em palco. Memórias musicais presentes no disco “Teens Of Denial”, o mais recente do projeto. A banda de Seattle, a trazer à memória sonoridades emergentes dos anos 90, conquistou um público ao som de “Drunk Drivers/Killer Whales” ou “Vincent”.

Sonoridades indie suaves,  como a suavidade do rock bucólico e genuíno, transmitindo uma sonoridade de esperança e de fraternidade, que demonstra que a música é para ficar na memória coletiva de todos.

2-06

Pelo palco Vodafone.FM, os Timber Timbre faziam a sua segunda apresentação no segundo dia do Festival, mas era Archy Ivan Marshall, o jovem britânico conhecido por King Krule (na foto) que subia ao palco principal do anfiteatro. O jovem, que já se chamou “Zoo Kid” trazia o velhinho “6 Feet Beneath The Moon”, disco que marcou a estreia de Archy nas edições discográficas. De aparência frágil mas sincera, é nas palavras que Krule encontra a fórmula de difundir os seus pensamentos, angústias e problemas. A sua música é o complemento a toda essa variedade de estilos que Krule faz questão de apresentar em palco. “A New Place 2 Drown”, o seu segundo trabalho discográfico, surge junto do público afastado de Krule assumindo aí o nome de Archy Ivan Marshall. Não sendo um dos nomes mais fortes para este segundo dia, Krule deixou no ar uma áurea de magnetismo que pode muito bem ir-se construindo e subir para um patamar mais elevado.      

2-04

Ainda no palco principal, os At The Drive-In, um dos cabeças de cartaz mais fortes deste segundo dia, surgiam para incendiar um público liderado ávido de energia e loucura em palco. Os Texanos, com uma já longa carreira mas parca em edições, apresentavam em palco “in•ter a•li•a” o seu registo de 2017, onde o rock e o blues musculados, com as suas incursões pelo post punk, espelhado em temas como “Governed By Contagions” foram responsáveis pela loucura instalada nesta segunda noite.

A banda liderada por Cedric Bixler, responsável pela união dos elementos, mais uma vez em 2015, provou em palco que os At The Drive-In estão solidificados e prontos para levar a sua energia cada vez mais contagiante. Algumas canções bastaram para que o ambiente de loucura, de moches, crowd-surfing se instalasse no habitat natural de música.

2-08

Os apreciadores incondicionais de Chet Faker estavam exaustos de tanto esperar, mas ontem ficaram sem fôlego, sim ele esteve no Festival, ele e também Nick Murphy, o seu novo nome e projeto. Programado e metódico Nick Murphy, ou por vezes Chet Faker foi Rei e Senhor numa noite em que mais de 20.000 pessoas vibraram ao som das canções de “Missing Link” o EP de estreia do Australiano, mas também das clássicas canções de “Built On Glass”, disco de 2014 de Chet Faker, de seu nome Nicholas James Murphy… Confusos, talvez sim ou talvez não.

Em 2012, surgia como Chet Faker, o australiano de Melbourne editava o seu primeiro registo “Thinking In Textures” e em 2013 o álbum (único) de estreia. Ao longo de 4 anos como Chet Faker, apesar de apenas um álbum editado, deixou uma obra de vários EP’s e ‘singles’ que revisitou em palco ao longo de 90 minutos. Em 2017, abrevia o seu nome de baptismo, Nicholas James Murphy, para Nick Murphy e constrói um EP com canções distantes das que brindou os seus inúmeros fãs ao longo dos últimos anos. A sua ‘performance’ em palco, resultou num casamento perfeito entre as duas eras tão distantes em termos musicais mas tão perto em conteúdos. Os recentes "Stop Me (Stop You)" e "Fear Less", passando pelos clássicos como "The Trouble with Us", “Talk is Cheap” ou “Gold” colocaram o concerto de Nick/Chet no topo dos concertos da segunda noite do festival.

 

Encerrava assim a segunda noite do festival com portas abertas para a música e para a aventura da dupla personalidade de Chet/Nick.

 

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Reportagem: Sandra Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo