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Glam Magazine

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Vodafone Paredes de Coura 2017… “Para Sempre”… A celebração….

Para Sempre” era a frase que recebia os festivaleiros da 25ª edição do Festival Vodafone Paredes de Coura, edição da celebração dos 25 anos do Festival. O regresso a Paredes de Coura é sempre um regresso a “casa” para muitos, mesmo ao fim de 25 anos, o regresso ao Habitat natural da Música.... o Couraíso.

Como habitualmente, o primeiro dia contou com apenas 1 dos palcos a fazer parte da programação. Um dia de enchente, muito longe dos anos anteriores em que a ‘quarta-feira’ funcionava como o warm up do festival.

_PHM2440 (Cópia)

Um primeiro dia com 2 nomes nacionais, celebrando a música de maneiras distintas, por um lado a juventude em palco do projeto de Paredes de Coura, Escola de Rock, por outro lado a celebração de 25 anos, idade do festival, da obra seminal dos Mão MortaMutantes S.21”

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Pouco passava das 18.30 horas quando as grades se abriram para deixar entrar todos aqueles que chegavam, com pressa, ao anfiteatro natural da música. Em palco a prata da casa apresentava o projeto Escola de Rock, idealizado e concretizado em Paredes de Coura. Podia ser uma escola sobre Duke Elington, Mozart ou Mahler ou até sobre John Cage ou John Adams. Mas em Paredes de Coura decidiram criar uma escola de música municipal (o próprio Presidente da Câmara Municipal faz parte do grupo) sobre Led Zeppelin, Beatles, Pixies, Nirvana, Morphine, Motorhead, Tame Impala, Franz Ferdinand, Bob Dylan, Neil Young, Rage Against the Machine e muitos outros. Sob direção dos Space Ensemble, os jovens apresentaram o projeto desenvolvido com temas de algumas das bandas que nos últimos anos passaram pelo Festival. Uma abertura em grande da edição comemorativa do festival.

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Com os britânicos de The Wedding Present somos convidados a viajar até aos anos 80 onde a banda em palco convida todos a dançar ao som de “George Best”, o álbum de estreia, editado em 1987 e a celebrar 30 anos. A indie pop dançável de um dos melhores álbuns de sempre seria a primeira celebração da noite onde temas imortais da banda de Leeds como “Anyone Can Make A Mistake” ou “My Favourite Dress” marcaram a revisitação do disco dedicado ao futebolista George Best. Ao longo de 45 minutos, David Lewis Gedge e a sua banda trouxeram a nostalgia a Paredes de Coura.

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De celebrações vive-se a 25ª edição do festival, motivo para os Mão Morta escolherem as margens do rio Tabuão para a apresentação na íntegra, com alguns desvios, segundo o próprio Adolfo Luxuria Canibal, do álbum seminal da banda de Braga editado em 1992, “Mutantes S.21”. De “Lisboa” a “Amsterdão”, de “Paris” a “Budapeste”, viajamos entre sonoridades agressivas e misteriosas da obra prima dos Mão Morta. Único em palco, Adolfo lançou algumas farpas, mas congratulando-se efusivamente pelos 25 anos do Festival, que é o mais antigo com edições regulares em Portugal, sendo que os Mão Morta figuram como uma das bandas que com maior frequência marcaram presença nestes 25 anos.  

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A folk britânica e electrónica dos Beak> surgia no alinhamento da primeira noite, o trio de Bristol, constituído por Billy Fuller, Matt Williams e Geoff Barrow, apresentaram pela primeira vez em Portugal as canções de “Couple In A Hole”, disco editado em finais de 2016. “Battery Point”, “I Know” ou “Eggdog” fizeram parte do alinhamento que a banda preparou para a primeira noite de festival. Algo distantes do público, o concerto acabou por ser um aguaceiro sob o fogo iniciado pelos Mão Morta 60 minutos antes.

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Apontados como os cabeças de cartaz da primeira noite, os Future Islands traziam na bagagem o seu mais recente disco “The Far Field” editado já em 2017. A banda norte americana liderada por Samuel T. Herring recuperou igualmente os clássicos da banda como “A Dream Of You And Me”, “Spirit” e “Seasons” do álbum “Singles” de 2014. Irreverente em palco, Samuel viveu de uma forma intensa e expressiva as canções que de uma maneira simples e concisa fazia ouvir no anfiteatro natural de Paredes de Coura. Desde o início apelou ao espírito mais dançável do público para o acompanharem ao longo do concerto. Numa sonoridade única e ímpar, por vezes recordando os colegas de editora The National, onde cada detalhe de cada canção é apresentado de uma forma elaborada e sentida apelando diversas vezes ao amor. O concerto dos Future Islands marcou sem dúvida o arranque da 25ª edição do Festival Vodafone Paredes de Coura.

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Com o ambiente composto para a primeira noite, e já de madrugada, Kate Tempest motivou o Festival. Agressiva, interventiva e bastante polémica, a música de Kate assente na contestação abordou os temas mais preocupantes da sociedade. A poeta e cantora desfilou ao longo de 60 minutos “Let Them Eat Chaos”, o seu mais recente trabalho. O seu som tornou-se ainda mais viciante em Paredes de Coura, onde se revelou um ambiente de troca absoluta com o público.

Foi o culminar de uma primeira noite onde a juventude se misturou com os veteranos, a celebração com a contestação nesta edição dos 25 anos do Festival Vodafone Paredes de Coura.

 

Reportagem: Sandra Pinho
Fotografias: Paulo Homem de Melo