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Glam Magazine

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Super Bock Super Rock… Terceiro dia… “The Funk Soul Brother”…

E ao terceiro dia o Rock fazia-se anunciar a alto e bom Som. A banda de Chico Moreno antevia mais um dia de rock nesta 23ª edição do Super Bock Super Rock. Mas o percurso durante o dia seria sinuoso com variações musicais abrangentes e diversas. Se o space jazz de Pernadas abria o dia, a old school de Norman Cook encerrava o palco principal do Festival.

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Bruno Pernadas regressava ao palco do festival,desta vez a liderar o seu próprio projecto, Bruno Pernadas tomou de assalto o palco EDP numa tarde quente, mas com um início morno em termos de público. “Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them” era o desafio lançado por Pernadas, disco de 2016 onde a mescla de sonoridades não deixa ninguém indiferente. Foi ao som de “Spaceway 70” que o combo de 9 elementos em palco iniciou, com ligeiro atraso, o concerto no último dia do festival. Em palco, o sincronismo entre os elementos é irrepreensível bem como a qualidade da música produzida. As vozes alternando entre Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) e Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown) criaram ao longo de 45 minutos uma viagem cósmica por sons que misturam, segundo o próprio Bruno, o rock, o jazz, o funky, o krautrock entre outros. Se as canções do novo álbum estiveram em destaque, o primeiro álbum do músico, “How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge” não foram esquecidas com o já memorável “Ahhhhh” a conquistar os primeiros festivaleiros que se aproximavam do palco.

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Lúcio Silva de Souza, ou simplesmente Silva, era o segundo convidado do palco EDP. Canções simples do álbum “Júpiter” e “Vista pró mar” marcaram o final de tarde que se preenchia à medida que as sonoridades folk tropicais ecoavam debaixo da pala do pavilhão de Portugal. De fora ficaram as canções de “Silva Canta Marisa” para tristeza de muitos. A simplicidade foi a chave do sucesso do concerto de Silva.

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No palco LG, com o rock a assinar o terceiro dia, os Stone Dead faziam as honras de abertura. A banda de Alcobaça trazia “Good boys” o disco de estreia lançado já em 2017 pela Lovers & Lollypops. Bruno Monteiro, João Branco, Jonas Gonçalves e Leonardo Batista reavivaram o rock em português perante um público hávido desse estilo musical, muitos a aquecer para o concerto dos Deftones. Temas como “Candy” e “Floating” libertaram a energia necessária para que o rock se afirmasse como o porta estandarte de um dia repleto de energia.

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De regresso ao palco EDP, a simplicidade em palco dos Taxiwars, o combo que junta Tom Barman, o homem dos belgas dEUS e Robin Verheyen. Uma mistura de jazz, spoken word e rap, marcaram a apresentação do projecto através das canções dos discos “Fever” de 2016. O percurso do final da tarde segue a linha iniciada por Pernadas onde a diversidade musical em palco conquistava uma cada vez maior audiência, ou se não estivéssemos em presença de Tom Barman.

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As portas do MEO Arena abriam para receber os norte-americanos Foster The People. Mais um nome que chegava da Califórnia para conquistar o palco Super Bock, antes do nome grande da noite tomar de assalto o palco. A irreverência de Mark Foster ao longo do concerto foi uma constante. Canções certeiras, orbitando no universo da indie pop britânica, embora faltando aquele ‘accent’, cumpriram na perfeição a apresentação das canções mais relevantes dos seus dois únicos discos, “Supermodel” de 2014 e “Torches” de 2011, não ficando de lado os sucessos “Don't Stop (Color on the Walls)”, “Coming Of Age” ou “SHC” (tema que abriu o concerto), recebidos com entusiasmo. Sendo um dos destaques do último dia do festival, Foster The People terminou com praticamente casa cheia ao som de “Loyal Like Syd & Nancy”.

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James Vincent McMorrow fazia as honras no palco EDP. Folk tradicional de um homem tímido que chegava da Irlanda para apresentar o seu mais recente disco, “True Care”. Sem grande produção, James Vincent apresentou a sua música de uma forma simples e direta e por vezes de uma forma bastante indiferente. Longe de encontrar uma plateia composta, pois nessa altura todos os caminhos apontavam o MEO Arena como ‘alvo’, James Vincent McMorrow trouxe acima de tudo canções honestas e envolventes.

 

Praticamente contemporâneos dos seus vizinhos Red Hot Chili Peppers, a banda de Sacramento procedia às primeiras descargas de energia no Palco Super Bock. Formados em 1988 e liderados pelo carismático Chico Moreno, o rock apelativo e estruturado dos Deftones libertava a energia contida no público desde o final do primeiro dia. Longe de registar a afluência do concerto dos Red Hot, o concerto dos Deftones separou o público entre aqueles que estavam ali para ouvir a banda, e os que estavam à procura de sonoridades mais ecléticas.

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E é nessa procura eclética que junto dopalco EDP, se juntava uma parte dos festivaleiros que proliferavam no último dia do Festival. Seu Jorge surge em palco com a promessa de homenagear David Bowie. Sentado, relaxado, o carioca Jorge Mário da Silva, conhecido por Seu Jorge, apresentou as suas versões das 12 canções de Bowie incluídas na banda sonora do filme “The Life Aquatic”. Sentado, de violão na mão, Seu Jorge abriu o jogo, contando a aventura que o levou em 2005 a gravar as canções do até então desconhecido (para ele) David Bowie. Desta vez não houve canções para churrasco mas sim canções de Bowie como “Starman”, “Ziggy Stardust” e “Changes” entre muitas outras sempre na língua de Camões.

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O ambiente era o ideal… A arena cheia para receber o Senhor Norman Quentin Cook, homem de sete ofícios, que em Fatboy Slim descarrega as suas energias e contagia plateias imensas desde meados dos anos 90 com a sua vontade de viver e acima de tudo de se divertir e divertir o seu público. Uma carreira que pode ser definida como “You've Come A Long Way, Baby” mas que “Halfway Between The Gutter And The Stars” encontra pelo caminho “The Rockafeller Skank” sempre “Right Here, Right Now”.
Samplers de clássicos desde os Ramones, passando por “Radio Gaga” dos Queen, revisitando pelo meio James Brown, a energia contagiante de quem sabe colocar cerca de 15.000 pessoas a dançar, foi sempre acompanhada por vídeos que complementavam o ambiente de festa vivido. Aos 54 anos de idade Cook mostrou que o divertimento em palco é a chave para um vivência tipo “That Old Pair Of Jeans”.
Não estávamos em Brighton, mas ao longo de 90 minutos Brighton veio até Lisboa…

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Ao longo dos 3 dias do festival a afluência rondou os 58.000 festivaleiros (dados da promotora Música no Coração). Uma edição marcada por dois regressos a Portugal, no dia 13 dos Red Hot Chili Peppers e no dia 15 dos Deftones. Pelo meio o hip-hop dominou, bem como algumas novas propostas musicais mais abrangentes. A música Portuguesa mais uma vez esteve representada em proporções idênticas à que chegava de fora. Estreia ao vivo dos projectos Alexander Search e de Língua Franca, bem como a apresentação em estreia exclusiva do álbum “Misfit” de The Legendary Tigerman.

Em 2018 o festival regressa ao parque das nações entre os dias 19 e 21 de Julho e já com uma confirmação… Slow J.

 

(Deftones não autorizaram a captação de Fotografias do concerto)

 

Reportagem: Sandra Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo

Super Bock Super Rock… O Legado de Prince com os The New Power Generation

Falar dos The New Power Generation é falar do legado de Prince. A banda era uma das apostas para a 23ª edição do Super Bock Super Rock e trouxe a Lisboa uma homenagem ao músico de Minneapolis.

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Acompanhados de Bilal a banda que acompanhou Prince durante mais de 20 anos, a estreia aconteceu em 1991 com o disco “Diamonds and Pearls", abriu o concerto ao som de “Sexy M.F.”, um dos clássicos de Prince que em 1992 gravou juntamente com os The New Power Generation.
O desfilar de sucessos foi uma constante ao longo de 60 minutos onde a partilha das memórias musicais de Prince faziam o público vibrar ao som de clássicos intemporais como “Pop Life”, “Sign ‘o The Times” ou até do ‘velhinho’ “Uptown”.

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Bilal, musico já com provas dadas em projetos tão diversos como Beyoncé, Jay-Z, Erykah Badu, The Roots ou Kendrick Lamar, recuperou o tema de 1984 incluido na banda sonora “Purple Rain”, “The beautiful Ones”.

A surpresa da noite acontecia com a subida ao palco de Ana Moura, numa interpretação sem reparos do tema de 1983 “Little red Corvette”. Sem duvida uma homenagem da fadista Portuguesa que teve a oportunidade de cantar com Prince na edição de 2010 do Super Bock Super Rock.

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O desfile de clássicos de Prince prosseguiu a bom ritmo, faltando mesmo Prince em palco.

A fechar, Bilal traz “Kiss” para um final apoteótico do concerto.

Sendo desde sempre uma banda de suporte, os The New Power Generation conseguiram um estatuto único no universo musical.

 

Reportagem: Sandra Pinho

Fotografias: Paulo Homem de Melo

Super Bock Super Rock… Chuva de poemas com Alexander Search

A responsabilidade de abertura do 23º Super Bock Super Rock esteve entregue a Alexander Search.
Alexander Search, projeto que “chega” da Africa do Sul, e que recupera o heterónimo de Fernando Pessoa, idealizada por Júlio Resende e composto pelo próprio e Salvador Sobral.

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As expectativas eram grandes, sabendo-se de antemão de que quem estaria em palco seria Salvador Sobral, mas houve também quem não tivesse presente quem iria atuar como Alexander Search, ouvindo-se com surpresa expressões, “olha quem é…”. Salvador Sobral é Benjamin Cymbra e dá voz às canções da autoria de Júlio Resende ou melhor, de Augustus Search. O guitarrista Daniel Neto assumiu o papel de Marvel K., cabendo a André Nascimento a personagem de Sgt. William Byng na vertente eletrónica. A bateria e percussão esteve a cargo do talentoso baterista de jazz Joel Silva, encarnando o misterioso Mr. Tagus. Parco em palavras, Benjamin (Salvador) apresentou a banda e disse… “estamos aqui para cantar”..

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Sem grandes surpresas, e vestindo a pele de Cymbra, Salvador superou todas as expectativas e conseguiu levar o público a acompanhá-lo nos desafios que colocava.

Percorreu todos os estilos musicais em palco, passando por temas com “Apollo Unto Neptune”, “If Only You Tell Me All”, “Comedy” ou “Why Did You Fall? If Only You Tell Me All”, e soube brincar com a sua própria personagem de Fernando Pessoa que encarnava e vestia dos pés à cabeça. Chegou a dizer que a sua roupa não estava adequada, e que estava com bastante calor, seria da roupa ou do ambiente de festival?

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O seu humor tão próprio e inteligente foi surgindo ao longo do concerto, mas foi sem dúvida uma prova dada da sua capacidade de mobilização que se viu.

No final do concerto fez questão de fazer chover os poemas de “A Day Of Sun”, uma das faixas do disco de estreia, para levarmos para casa. Confessou que no seu pensamento essa “chuva” correria melhor…

 

Reportagem: Sandra Pinho
Fotografias: Paulo Homem de Melo

MEO Marés Vivas… Ao segundo dia os Amor Electro dominam…

O Festival MEO Marés Vivas… e a fasquia está muito elevada. Será que o nível se manterá até ao final?

Depois do dia de ontem se ter revelado uma pura surpresa, hoje esperávamos um público mais uniforme, mais adulto. Não necessariamente um público calmo ou com um passado tranquilo. Antes, aguardávamos um recinto cheio de "Cotas Malucos!". Os Scorpions não são desta geração, mas quiseram dizer aos novos apreciadores de (boa) música, que a verdadeira essência musical vem de trás!

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Mundo Segundo

Edmundo Silva, com o seu projeto paralelo aos Dealema, Mundo Segundo, jogou em casa. Nascido na mesma terra que acolhe o festival MEO Marés Vivas, teve a presença dos seus conterrâneos e admiradores. Depois de assistirmos ao concerto de Mundo Segundo, percebemos que o Hip-Hop nacional ainda tem muito para dar. Há muita qualidade na música nacional, também neste estilo (talvez) menos comercial. Contudo, o espaço destinado aos espetadores do Palco Santa Casa revelou-se curto para tanta gente. Muitos assistiam ao concerto do outro lado da rua, tal era a falta de espaço. Uma agradável surpresa, num concerto simples, mas sentido.

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Amor Electro

Não há muito a dizer sobre esta banda... Foi, sem dúvida, o ponto alto da noite. Os Scorpions apresentavam-se como cabeças de cartaz, mas o espetáculo dado pela banda de Marisa Liz elevou o nível do segundo dia e, mais ainda, de toda a edição do MEO Marés VivasAmor Eletro é um dos principais responsáveis pela qualidade musical neste pequeno paraíso à beira mar plantado. E para todos os que pensavam que a participação da vocalista (Marisa Liz) enquanto júri do programa "The Voice Portugal" era para promoção própria, ... esqueçam! Ela não precisa (mesmo) disso. A Marisa é apenas a cara de uma estrutura bem oleada e com um nível profissional invejável. Detentora de uma capacidade comunicacional de excelência, tudo o que faz em palco é de elevada qualidade. Ao contrário do que eles próprios cantam, "A máquina NÃO parou"... e não acreditamos que algum dia venha a parar!

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Lukas Graham

O dinamarquês de 29 anos é a prova de que não é preciso ser espalhafatoso para ter presença em palco. Apareceu com uma simples t-shirt branca e calças de ganga para cativar o público que esperava ansiosamente pelos Scorpions. Apaixonado pelas vistas, até brincou pelo facto de quem recebe é quem tem as melhores vistas... referindo-se ao facto do público pagar um bilhete para estar de costas para um por do sol magnífico e uma vista encantadora para a margem norte do Rio Douro. Com um estilo de "puto rebelde", o "menino do coro" como nos fez lembrar, assumiu uma postura puramente de Entertainer. Qual Marco Paulo, passou o concerto todo a balançar o microfone de forma acrobática. A sua aparente inexperiência não o afetou. Não sabemos qual o nível de veracidade das declarações, mas certo é que comparou o concerto da Praia do Cabedelo com o que deu em Lisboa no passado dia 13 de abril, dizendo que aqui a temperatura que se sente vinda do público é bem mais quente... O resto foi música... Música proveniente da sua experiência pessoal que faz questão de cantar (e contar) para que os rapazes e raparigas de hoje saibam o quão "ricos" são...

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Scorpions

O grande momento chega e Vila Nova de Gaia revela-se uma província germânica. Todos conhecem os Scorpions. E mesmo os que não tem idade para tal, trazem os ensinamentos de casa, dos pais e outros familiares que os educaram a apreciar música de qualidade. Quanto aos músicos... esses já "morreram" várias vezes e, sempre que ressuscitam, calam as bocas dos mais críticos. Não são novos, não estão na flor da idade, mas acreditamos que muitos músicos de "pelo na benta" não conseguiriam aguentar tanto tempo em cima do palco àquele ritmo. São 50 anos de muita música. Têm mais anos de experiência do que muitos de nós (que estamos a ler este artigo) tem de idade. Aprendamos com os mais velhos. As (aproximadamente) duas horas de concerto foram vividas de uma forma frenética. Talvez Mikkey Dee (baterista) seja de outro mundo... só assim se explica como foi  único, em todo o concerto, que nunca saiu de palco, sempre com a mesma força. A ele desejamos uma excelente noite de descanso; bem precisa, e merece! Quanto ao resto, um concerto digno da grandiosidade da banda e que faz justiça aos anos de experiência.

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Expensive Soul

Os Expensive Soul são a segunda banda de Leça da Palmeira, depois de ontem, dos Souls of Fire,  a tocar nesta edição do MEO Marés Vivas. Com um público já cansado, tiveram alguma dificuldade (mas pouca) em colocar a Praia do Cabedelo de braços no ar. Com um à vontade em palco que pouco se costuma ver, todos sem exceção demonstraram que vieram para se divertir e não só divertir os outros. É que tocar no Marés Vivas é um marco importante na história de qualquer músico. Mais, ... se a isso juntarmos o facto desta ser a última edição que se vai realizar neste local (pelo menos assim foi anunciado pela organização), obriga a que este seja um concerto especial. ... e foi! Somos um povo que vive da saudade e não é só no fado... E por isso, com "Que Saudade" e outros êxitos da banda fizeram questão de marcar o fim de um ciclo. É importante fazê-lo de forma a que seja, de futuro, lembrado e neste caso, não há qualquer razão para que não o seja!

 

O último dia de festival reserva-nos as atuações de Sting e de Miguel Araújo no Palco MEO. A eles desejamos boa sorte e muita inspiração. Será um desafio ultrapassar a prestação dos Amor Electro que, queremos reforçar, foi até então a melhor atuação desta edição do festival MEO Marés Vivas.

 

Reportagem: Ana Machado

Fotografias: Nuno machado

Carolina ao vivo… No Caixa Alfama 2017

Carolina actua ao vivo no CAIXA ALFAMA no dia 15 de Setembro, no Palco Amália (Auditório Abreu Advogados). A fadista apresentará ao vivo o seu novo álbum “enCantado”, editado no passado dia 2 de Junho. O single de apresentação do novo trabalho é “Falar de Amor”, da autoria de Carolina Deslandes e Diogo Clemente, produtor deste registo.

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O ‘enCantamento’ de Carolina com o Fado começou em Trás-Os-Montes enquanto criança, continuou pelo Porto já como adolescente e jovem adulta, e permaneceu em Lisboa, quando rumou do Norte para a capital, com uma mala cheia de sonhos, ficando pelo meio a participação no coro (ópera), o teatro, o conservatório e os musicais “Amália” e “Canção de Lisboa”. Ao convite de Mário Pacheco para cantar no Clube de Fado, respondeu que sim e, desde então, Carolina tem vindo a concretizar sonhos, um dos quais, este novo trabalho: “enCantado”.

Composto por onze temas, seis inéditos e dois fados tradicionais, com letras inéditas, o álbum “enCantado” fala essencialmente de Amor. Amores, desamores, o amor encantado e desencantado, amores perfeitos e imperfeitos, uns impossíveis de concretizar.

Falar de Amor” foi a música que mais emocionou Carolina, ao ser-lhe apresentada por Carolina Deslandes e Diogo Clemente, e foi o ponto de partida para as restantes músicas do álbum. Segundo a fadista, “houve um encantamento, uma paixão pela letra e melodia, pela simplicidade da música e palavra directa, sem contornos (…), não tem nada que não se entenda e não se compreenda à primeira”. Conta a história de um amor quase perfeito. A aceitação de um amor não concretizado, sofrido, que acaba em separação porque o ‘gostar’ não é suficiente. A letra fala também do acto de fugir da dor, desprender-se e despedir-se do outro sem rancor.

 

Mas este “enCantado” apresenta outros dez temas que vagueiam pela temática do amor, como “Coração com Coração”, um original do conjunto António Mafra, que faz parte do imaginário de infância de Carolina. A cantora lembra-se que a ouviu vezes sem conta enquanto criança, pela voz de seu pai, e que hoje esta surge como recordação marcante e emotiva, razão pela qual a quis registar neste álbum. Em “Traição”, o tom muda e a canção acentua a revolta, a dor do abandono amoroso, a recusa em abrir o coração a mais alguém, e a posterior resignação como consequência. Essa história que acaba e os sentimentos que emergem no momento em que surge um reencontro, é narrada em “Ninguém”.

Longe daqui” é uma criação de Amália Rodrigues e, nesta interpretação, Carolina canta a existência de um amor que se quer abraçar e ter por perto mas cuja distância obriga à separação. Um amor que se concretiza em pensamento e a saudade do mesmo.

 

A meio da audição de “enCantado”, Carolina apresenta “Vou querer saber de mim”, da autoria de Diogo Clemente, que descreve o amor incondicional e ‘cego’ que nos faz percorrer um caminho que não é o nosso, faz-nos esquecer de nós próprios. “A noite e o dia”, da autoria do compositor e guitarrista Mário Pacheco, regista uma ambiguidade de sentimentos e emoções, tão presentes nas nossas vivências: a tristeza e a alegria, a escuridão e a luz, o choro e o riso, o despertar de uma ilusão. Em “As tranças da Maria”, retrata-se o jogo da sedução da protagonista Maria para com outros homens. Mas a ela, só lhe interessa João, o único que consegue desfazer a trança. É só ele que a consegue desarmar, pedindo-lhe a mão. De seguida, desfila “Gota d’ Água”, tema da autoria do compositor Flávio Gil que, para Carolina, é reminiscente das grandes músicas de Alain Oulman, de José Fontes Rocha, dos poemas de David Mourão Ferreira ou José Luis Gordo.  

 

Saudades de mim” foi escrito pela própria Carolina e, de alguma forma, revisita de um outro prisma a ausência e negligência do ser, entorpecido tantas vezes pelo toque do amor. “enCantado” termina com “Segue o teu destino”, uma música da brasileira Sueli Costa, que compôs temas como “Coração Ateu”, que suporta poema intenso de um dos heterónimos de Fernando Pessoa sobre o acto de amar e aceitar o que a vida oferece. Com “Segue o teu destino”, conclui-se que a resposta ao significado da vida está para além dos Deuses.

 

Carolina editou o seu álbum de estreia a 7 de Abril de 2014 e tem feito um percurso de prestígio, actuando em vários festivais e palcos de referência nacional e internacional.

ZDB müzique… Janka Nabay and the Bubu Gang

Se a música pode ser um ponto de encontro entre uma nuvem de pontos dispersa de geografia, expressão cultural e até massa geracional, então Janka Nabay é uma força convergente. O espólio sonoro de África calcula-se que seja eterno e ao longo dos últimos anos, muitos têm sido os resgates valiosos ao tempo e à memória – com a consagração, ainda que tardia, mas sempre bem vinda, de grandes mestres. Cabo Verde, Nigéria, Angola ou Etiópia foram regiões que figuraram nessa operação de revalorização, com impulso de carreiras ou uma série de reedições de luxo de material esquecido. Todavia a região da Serra Leoa ainda parece um refúgio exótico de onde ainda consta parca documentação musical.

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Reconhecida pelo highlife, género tradicional emerso entre múltiplas guitarras e cores garridas, a região guarda ainda a chamada bubu music em que Nabay se estabeleceu como expoente máximo. Actualmente apresenta-se com a sua banda suporte, os Bubu Gang, de onde se incluem membros de bandas como Skeletons, Gang Gang Dance ou Starring.

 

Após uma passagem pela pequena mas influente editora True Panther, o mago David Byrne convidou-o para ingressar no catálogo da sua Luaka Bop. É de lá que chega o último disco “Build Musi”’, editado em março deste ano. Provavelmente o seu álbum mais consistente até à data, nele a transparência das guitarras enlaçam-se na palete cromática dos sintetizadores, abrindo espaço às vozes pontuais e portadoras de uma verdade regenerativa, para ser partilhada no colectivo. Esta é música que celebra, pacifica e adorna, com as formas mais elegantes, qualquer momento de silêncio como uma tela em branco. Haja sol, calor e Janka Nabay que o Verão já arrancou.

 

Galeria ZDB (Lisboa)

21 de Julho 2017 | 22.00h

 

Filipe Sambado e os Acompanhantes de Luxo…

Filipe Sambado apresenta o disco de estreia lançado pela Spring Toast Records, “Vida Salgada”.

São nove temas atravessados pela ideia de perda, entre o desamor e a esperança, numa pop que tem tudo lá dentro, desde a música de baile ao psicadelismo. E letras muito bem urdidas. Segue-se uma viagem salgada às faixas deste disco que se dança...

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photo: Paulo Homem de Melo

 

Entrada Gratuita. Uma organização conjunta com a Associação Zé dos Bois

 

Pátio do Dimas (Setúbal)

21 de Julho 2017 | 22.00h

“Verão Danado”… primeira longa-metragem de Pedro Cabeleira em competição no Festival de Locarno

Verão Danado”, primeira longa-metragem de Pedro Cabeleira, foi seleccionada para o Festival de Locarno (de 2 a 12 de Agosto), onde será exibida na secção competitiva Cineasti del Presente, dedicada a primeiras e segundas obras de jovens cineastas. “Verão Danado” é a única longa-metragem portuguesa em competição na 70ª edição do Festival de Locarno.

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Com realização e argumento de Pedro Cabeleira, direcção de fotografia da também realizadora Leonor Teles (Urso de Ouro para Melhor Curta-Metragem, no Festival de Berlim 2016, entre outros prémios), produção de Pedro Cabeleira, Marta Ribeiro (dois dos cinco fundadores da VIDEOLOTION, produtora que nasceu ao mesmo tempo que o filme) e Abel Ribeiro Chaves (OPTEC), o filme – um híbrido entre o documental, o stoner e o psicadélico - apresenta-nos Chico e as suas tardes de ócio infinito, drogas, desamores imersos nas vibrações da música. Um ímpeto de adrenalina e Lisboa como pano de fundo de uma juventude à deriva, ao ritmo do descarrilamento do protagonista.

 

Pedro Cabeleira iniciou o processo do filme quando tinha 21 anos, no momento em que terminou o curso de realização na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC) e, pouco mais tinha do que o curso e a vontade de fazer cinema, sem grandes recursos, mas com um leque de amigos e jovens actores que queriam fazer o mais possível com pouco. Segundo o realizador, “é um filme que não tem a ambição de representar toda a juventude nem todas as tendências do momento, mas acima de tudo é um filme que foi criado no seio de jovens, sobre os jovens, onde expusemos a nossa forma de viver e de ver o mundo naquele momento, tudo aquilo que nos fascina e tudo aquilo que nos destrói”. Eram momentos e sentimentos que também eles estavam a viver na realidade, com muitos episódios que realmente aconteceram entre Maio e Novembro de 2014 e tiveram influência e entraram na narrativa – quer pelo conteúdo, quer por questões de produção.

 

O papel principal (Chico) é também o primeiro desempenho de Pedro Marujo que, juntamente com Lia Carvalho, Ana Valentim, Daniel Viana, Sérgio Coragem, João Robalo, Luís Magalhães, Maria Leite, Ana Tang, Rodrigo Perdigão, Eugeniu Ilco, Cleo Tavares ou Isac Graça, compõe o elenco, havendo ainda uma participação especial do actor Nuno Melo.

 

Com um orçamento extremamente limitado, o filme foi possível graças a material emprestado, amigos de infância, muitos actores – o elenco é composto por mais de 150 intérpretes – rodagem em casas de conhecidos e outros espaços cedidos gratuitamente. A equipa, composta por gente com empregos e outros trabalhos, foi rotativa de forma a tornar possível 43 dias de rodagem espalhados ao longo de 7 meses e mais de 400 dias de pós-produção. Uma referência especial também para a banda sonora, que acompanha toda a narrativa, onde os jovens são também a parte determinante, contando com temas de Éme (Cafetra), DJ Nigga Fox (Príncipe Discos), entre outros.

 

A distribuição nacional vai estar a cargo de Filmin Portugal, a recém-nascida plataforma VoD de cinema independente e de autor, que com este filme se lança na distribuição alternativa de novos talentos portugueses

Da California para Águeda… Ugly Kid Joe

Desde 2006 que Águeda dá as boas-vindas a um vasto leque de artistas - famosos e no caminho da fama - de diversas naturezas. A representar o rock/garage na edição deste ano estiveram os californianos Ugly Kid Joe, perante um público numeroso e de todas as idades. De facto, Whitfield Crane estava genuinamente impressionado com a presença de tantas crianças, valendo aos seus pais os parabéns do vocalista e a dedicatória de “Cats In The Cradle”, que não só os referidos pais acompanharam a plenos pulmões.

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Whitfield estava ainda curioso com os guarda-chuvas que decoravam o tecto, mas sendo uma explicação algo longa, alguém gritou que devido a sermos loucos e Whit ficou satisfeito com a resposta. Aliás, elogiou por diversas vezes a energia do público português e a banda reiterou a afirmação no Facebook no final do concerto.

Um alinhamento que visitou toda a discografia dos Ugly Kid Joe, em que o número de músicas que constituiram o encore dependeu de como gritámos pela banda “em jeito de cântico de futebol” (palavras de Whit).

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Ganhámos o prémio máximo - três - na forma da cover de Motörhead “Ace Of Spades”, “Funky Fresh Country Club” e o hino “Everything About You”.

 

Reportagem e fotografias: Renata Lino