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Glam Magazine

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Foo Fighters apresentam… “Concrete and Gold”

“I wanted it to be the biggest sounding Foo Fighters record ever. To make a gigantic rock record but with Greg Kurstin’s sense of melody and arrangement… Motorhead’s version of Sgt. Pepper… or something like that.” Assim fala Dave Grohl sobre o nono registo dos Foo Fighters, intitulado “Concrete and Gold”, com edição agendada para 15 de Setembro pela Roswell Records/RCA Records. Assim como “Run”, o hino de Verão dos Foo Fighters, “Concrete and Gold” alia alguns dos riffs mais poderosos de sempre do grupo com as complexidades sumptuosas e harmónicas, cortesia da parceria inédita com o produtor Greg Kurstin (Adele, Sia, Pink).

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Esta aliança improvável surgiu através de uma sequência bizarra de obsessões musicais surpresa e encontros ocasionais: ao escutar rádio durante uma viagem há cerca de quarto anos, Grohl ouviu pela primeira vez “Again and Again” pela banda The Bird & The Bee, de Kurstin - “It blew my mind… it was so much more sophisticated than anything I’d ever heard and I became obsessed.” Meses depois, Grohl ficou ‘semi-obcecado’ pelo “tipo dos The Bird & The Bee!” aka Greg Kurstin. Os dois tornaram-se imediatamente amigos devido a gostos musicais em comum, com Grohl a tomar consciência de que a sua nova banda favorita estava em hiato devido ao excesso de trabalho de Kurstin como produtor. Enquanto os Foo Fighters gravaram e lançaram “Sonic Highways”, enchiam estádios e arenas numa das cinco maiores digressões de 2015, e presenteavam os fãs com o “St. Cecilia EP”, Ghrol relembra que "Greg was becoming one of the biggest producers in the world”.

 

Com a escrita e gravação do próximo álbum dos Foo Fighters no horizonte, Grohl estava ávido por encontrar novos desafios para a banda: “So I think maybe Greg is the guy that we ask to be our producer because he’s never made a heavy rock record before and we’ve never worked with a pop producer.” Darrel Thorp (Beck, Radiohead) foi rapidamente escolhido para a mistura. O colectivo concebeu um plano para o novo disco da banda como "Motorhead’s version of Sgt. Pepper... or something like that,” agendando secretamente os estúdios EastWest em Hollywood, para consumar um casamento de extremos... ou como Grohl descreve:  “Our noise and Greg’s big brain and all

 

Para ouvir “Concrete and Gold”  a partir de 15 de Setembro e quem sabe já algumas musicas novas no concerto da banda no NOS Alive'17

“Black Box”… O novo vídeo das Anarchicks

Final do verão de 2011. Helena Andrade, baixista, junta-se à vocalista Priscila Devesa, com o objetivo de formar uma banda de punk rock feminino – as Anarchicks. Convidam a baterista Catarina Henriques e começam a compor os primeiros temas. Poucos meses depois, travam conhecimento com a guitarrista Ana Moreira, ficando desse modo completa a formação do grupo.

2013 ficaria marcado pelo lançamento do primeiro álbum das Anarchicks, “Really?!”

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Em finais de 2015 lançam o EP “We Claim The Right”, e já em 2016 editam o seu segundo álbum de originais, “We Claim The Right to Rebel and Resist”, recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica.

Durante esse ano, as Anarchicks aumentam o seu line-up, com a entrada de mais uma guitarrista para o coletivo: Mariana Rosa. Já em 2017, a vocalista Marta Lefay abandona amigavelmente a banda, sendo substituída por Rita Sedas.

Em maio deste ano saiu o EP “Vive la Ressonance” que, para além do single “Black Box”, contém, a título de novidade, um tema em português apontando novas pistas para a sonoridade das Anarchicks.

Punch Session #1 no Musicbox

De rajada e sem pré-aviso, o Musicbox vai abrir as portas para uma nova festa da movida lisboeta. A curadoria é da Punch Magazine que, assim, pretende afirmar-se como alavanca cultural daquilo que de bom se faz por terras lusas. Erguendo este conceito de festa que tanto abraça a música tocada ao vivo como a cabine de som, entusiasmam-se em apresentar uvas do mais fino recorte: Eugene e Jonny Abbey. Estas serão as bandas que irão atuar no palco do clube do Cais do Sodré. A noite prossegue com Lewis M. e Rui Maia nos discos não pedidos até a sola ficar gasta. 

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João Abrantes em palco é Jonny Abbey, um projecto electro-indie-pop que conta com a participação também de Cecília Costa e que tomou de assalto a cena musical no nosso país. A electrónica crepuscular faz-se ouvir através dos sintetizadores analógicos que entre cabos emaranhados tropeçam em notas provocadoras de uma guitarra eléctrica. A voz sussurrada de João mantém um hipnotismo no ar até sentirmos os pés a moverem-se ao ritmo de batidas a meio termo que nos fazem balançar o corpo involuntariamente.

 

Eugene são cinco amigos que se juntaram em 2014 para fazer música relaxada, e relaxadamente foram gravando um álbum. Os interesses musicais em comum e a fresca amizade fizeram com que estes rapazes de diferentes regiões do país se juntassem para explorar o seu fascínio por fazer música, tornando o processo de composição natural e genuíno. Prestes a lançarem um álbum de oito musicas suaves, avançam com o primeiro single chamado “The Swim”. Esta é a musica que representa o lado mais aquático do álbum que será divulgado num futuro próximo

 

Com música anteriormente editada por editoras em Londres, São Francisco e outros pontos do cosmos, Lewis M. é uma materialização sónica de alguém que se perde por modulações de sintetizadores, caixas de ritmos e tudo o que fizer som. É como uma vontade despretensiosa de quem não assume regras e que, tanto se liberta em paisagens sónicas como se foca em quadraturas dançantes. Multi-instrumentista e produtor é refém da sua curiosidade e aliase á Madluv para uma série de releases no futuro próximo.

 

As sonoridades do clubbing vão ficar, em parte, a cargo de Rui Maia, músico, produtor e DJ, que respira música, sinónimo de XWife e Mirror People. Rui Maia explora os temas ao mais ínfimo pormenor com uma improvisão inigualável, criando elementos e atmosferas novas de acordo com o público, nomeadamente as sonoridades electrónicas, tecno, house e indie, fazendo com que seja um mestre da pista dança com sets incríveis cheios de energia.

 

Musicbox (Lisboa)

22 de Junho 2017 | 22.00h

Joao Hasselberg & Pedro Branco… Concertos ao Entardecer

João Hasselberg e Pedro Branco uniram-se como co-autores de um projeto que teve a sua estreia com o disco “Dancing Our Way to Death” (outubro 2016), álbum que mereceu as cinco estrelas do Nuno Catarino, publicadas pelo jornal Ípsilon em janeiro de 2017. Poucos meses depois deste lançamento, a dupla surpreende com um segundo disco "From Order To Chaos", lançando pela prestigiada editora Clean Feed.

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"Queríamos descobrir cada um dos temas, meus e do Pedro, tendo como premissa a de não excluir nenhum caminho interpretativo à partida. Esta foi uma atitude consciente na procura por esta música. Tentámos ter presente esta liberdade entre nós dois, durante a criação e a execução e ao mesmo tempo passá-la aos outros músicos que convidámos para esta aventura." confirma João, em seu nome pessoal e no do Pedro.

 

Para este espectáculo, João Hasselberg (contrabaixo/baixo eléctrico) e Pedro Branco (guitarra) têm a honra de ser acompanhados por Afonso Cabral (voz) e João Lencastre (bateria).

 

ArQuente Associação (Faro)

24 de Junho 2017 | 19.30h

Artistas portugueses unem-se em concerto solidário

No dia 27 de Junho, pelas 21h00, o MEO Arena recebe um concerto de homenagem às vítimas dos fogos florestais que continuam a lavrar em Pedrógão Grande e zonas limítrofes, e de angariação de receitas para reforço da ajuda às populações afectadas pela que é já considerada uma das maiores tragédias na história do nosso país. A receita obtida será entregue à União das Misericórdias Portuguesas.

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"Juntos Por Todos" é uma iniciativa civil, co-produzida pela Sons em Trânsito, Nação Valente, MEO Arena, Blueticket, RTP, SIC e TVI, e artistas participantes: AGIR, Amor Electro, Ana Moura, Aurea, Camané, Carlos do Carmo, Carminho, D.A.M.A, David Fonseca, Diogo Piçarra, Gisela João, Hélder Moutinho, João Gil, Jorge Palma, Luísa Sobral, Luís Represas, Matias Damásio, Miguel Araújo, Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Raquel Tavares, Rita Redshoes, Rui Veloso, Salvador Sobral e Sérgio Godinho.

 

O espírito solidário que se encontra na génese do evento sonhado pela Sons em Trânsito e pela Nação Valente, e desde logo apadrinhado por todos os artistas participantes, mobilizou a RTP, a SIC e a TVI, e todas as rádios portuguesas, garantindo a transmissão em directo para todos os portugueses residentes em Portugal continental, ilhas e um pouco por todo o mundo, através dos seus vários canais e plataformas online. É a primeira vez que todas as televisões e rádios portuguesas garantem uma cobertura conjunta de um espectáculo.

 

"Juntos Por Todos" conta com o contributo das editoras Sony Music Portugal, Universal Music Portugal, Valentim de Carvalho e Warner Music Portugal na sua divulgação artística.

 

A organização aproveita a oportunidade "para agradecer comovidamente as centenas de outras ofertas espontâneas de participação de músicos e artistas no concerto. Infelizmente é impossível acolher todos, sendo que o evento a todos pertence, independentemente dos que subirem ao palco".

 

Trêsporcento lançam novo vídeo e anunciam novas datas

Os Trêsporcento regressaram em Abril deste ano com “Território Desconhecido”, novo longa duração que marcou também a colaboração entre a banda e Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu este disco.

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photo: Francisco Caseiro

 

Depois do lançamento dos singles “O Sonho”, que passou várias semanas na liderança no ranking de temas mais votados pelos ouvintes da Antena 3, e “Tempos Modernos”, cujo vídeo realça a importância da preservação da nossa costa, chega o vídeo de “A Ciência”, um dos temas mais orgânicos do disco, que capta de forma mais crua a energia criada pela banda na sala de ensaios.

Realizado e editado por Francisco B. Froes, o vídeo é composto essencialmente por imagens do dia do concerto de apresentação de “Território Desconhecido” no Estúdio Time Out em Lisboa - o primeiro duma sequência de datas de apresentação do disco que incluirá ainda, entre outras a anunciar, presenças no Festival Mêda + (29 de Julho) e no Festival do Crato (26 de Agosto).

 

Território Desconhecido” é o terceiro longa-duração de originais da banda, seguindo-se a “Hora Extraordinária” (2011) e “Quadro” (2012), tendo estes sucedido ao EP de estreia “Trêsporcento” (2009). Neste intervalo, a banda editou ainda “Lotação 136”, um álbum gravado ao vivo no Teatro Aberto, em Lisboa, em 2014 e, em 2015, lançou dois singles, “Homem Novo” e “Aguentem-se os Fracos”.

 

Apresentação de “Radical Savage” de Garcia da Selva e “Nowruz” de João Lobo

Este sábado, dia 24 de Junho a Galeria Zé dos Bois recebe em primeira mão a apresentação dos novos trabalhos dos músicos João Lobo e Garcia da Selva.

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Garcia da Selva é o heterónimo de Manuel Mesquita. Seja na música, no cinema ou nas artes performativas, a sua presença já é ominipresente no panorama nacional. Na tela, podemos vê-lo em filmes de João Nicolau, Miguel Gomes ou Sandro Aguilar, enquanto contribui com frequência para diversas trilhas sonoras ou instalações artísticas. Uma obra desde logo multifacetada e pertinente, suficiente para o distinguir como um dos ‘genuínos’ dos nossos tempos. Esta apresentação no Aquário da ZDB, será realmente especial. Marca antes de mais o lançamento, em primeiríssima mão, de um muito aguardado novo disco. “Radical Savage” é mais uma peça no seu puzzle biográfico – e igualmente na produção musical deste ano feita por cá. 

 

Contemporâneo de outros fenomenais como Marco Franco ou Gabriel Ferrandini, a linguagem de Lobo assenta unicamente no acto de não assentar. O título “Nowruz” nasce de uma referência cultural ao Fim de Ano iraniano cujo significado poderá ser traduzido de ‘novo dia’. É definitivamente uma nova fase para o baterista. Após uma década de outras vidas e outras estórias, João Lobo apresentará pela primeira vez, o seu primeiro trabalho a solo “Nowruz”, lançado este ano. Gravado sem recurso a overdubs ou amplificação acústica, o sentimento telúrico fervilha como um vulcão. Esta apresentação singular levará o baterista a tocar precisamente no centro da sala, alterando assim a disposição habitual do espaço, criando uma atmosfera acolhedora e uma experiência distinta.

 

Galeria Zé dos Bois (Lisboa)

24 de Junho 2017 | 22.00h

“1755”… Concertos de Lançamento do novo disco dos Moonspell

Os Moonspell e a Alma Mater Records orgulham-se de apresentar os três primeiros concertos da tour 1755 numa data dupla em Lisboa (30 e 31 Outubro) e num regresso muito aguardado ao Porto onde não tocam há mais de dois anos, no primeiro de novembro. Estes concertos são produzidos e organizados pela própria banda, em parceria com a sua editora própria Alma Mater Records, com o apoio da Napalm Records. Um regresso às origens a vários níveis, nomeadamente, no que diz respeito à ligação direta com os seus fãs e ao envolvimento total em todas as fases de construção deste espetáculo: desde o conceito à sua realização. Não sendo um típico caso de crowdfunding é o modo que consideram ideal para que o fã de Moonspell possa apoiar e comprar diretamente à banda.

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“1755” é o novo disco dos Moonspell, cantado em Português, acerca do Grande Terramoto de Lisboa. Uma reflexão poética, musical e filosófica da banda sobre o evento de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa e as suas repercussões no mundo civilizado. O novo disco será tocado na íntegra em Lisboa e no Porto, sendo que o alinhamento para estes concertos inclui também temas obscuros da carreira dos Moonspell.

 

Musicalmente, “1755” é um disco de raiz Metal, com riffs vibrantes, orquestrações épicas e vozes e letras que testemunham a agonia daquele dia. A banda preocupou-se também em recriar a época, existindo uma fusão com elementos percussivos e melódicos que remete para os fins do século e para a atmosfera que se vivia na capital Portuguesa na altura. Serão dez temas que na carreira da banda encontram ecos longínquos em discos como "Under the Moonspell" ou "Alpha Noir" mas que apresentam, sobretudo, uns Moonspell como nunca os ouviram a cantar um Portugal e uma Lisboa que não é solarenga, nem turística, nem luminosa.

 

É um disco histórico, rigoroso e sério. A besta negra que fazia falta à Música contemporânea em Portugal.

Os Swans despedem-se de Portugal em Outubro

A história faz-se também, invariavelmente, de despedidas – e os Swans, que Michael Gira ressuscitou em 2010 após treze anos de ausência têm, agora, um segundo adeus anunciado.

Desde a confrontacional abrasividade dos primeiros lançamentos, passando pela folk sombria e assombrada de discos como “Love of Life” ou “The Burning World”, até ao vórtice de rock hipnótico e majestático praticado desde a sua reunião – ouçam-se “The Seer” ou o mais recente “The Glowing Man” – os Swans firmaram desde sempre o seu nome como um dos mais influentes da música experimental.

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No que serão as derradeiras oportunidades  de testemunharmos a esmagadora presença em palco de Michael Gira e companhia, os Swans regressam a Portugal para duas datas; os concertos acontecem a 8 e 9 de Outubro no Hard Club (Porto) e no Lisboa ao vivo, respectivamente.

 

As primeiras partes, em ambas as datas, estarão nas mãos de Baby Dee. A artista e performer norte-americana, que já colaborou com nomes como Antony Hegarty, Current 93, Will Oldham ou Andrew W.K., apresentará uma obra que tem tanto de excêntrico como de desconcertante.

Shutter Down lançam disco de estreia… “Awake”

Shutter Down, a banda de rock originária de Viseu, lança o seu primeiro álbum de originais já no próximo dia 25 de Junho de 2017, “Awake”. “Awake” é composto por 12 canções, originais, incluindo um acústico.

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Os elementos da banda (Sérgio Maia, ‘Bó’ André Lázaro, Gonçalo Coelho, ‘Bux’ Jorge Pinto e ‘Cajó’ Carlos Andrade) apresentam nesse dia, às 15h, uma emissão online em directo, para anunciar ao público o lançamento de “Awake”.
A emissão poderá ser visualizada na rede social Facebook, na página da banda.

Awake” está já disponível para pré-venda nas diversas plataformas digitais. O lançamento de “Awake” foi possível graças ao financiamento obtido por Shutter Down em 2015, através da plataforma portuguesa de crowdfunding PPL.

Couple Coffee editam álbum "Fausto Food" no dia 23 de Junho

"Fausto Food" é o nome do novo álbum e single dos Couple Coffee com edição marcada para dia 23 de Junho.

CC Capa

Sobre o disco, aqui ficam as palavras de Viriato Teles

“Este disco pode ser um choque. E será, seguramente, um “caso” que vai fazer-se ouvir e dar que falar por muito, muito tempo. Não apenas porque é indecentemente bom, mas porque abre uma porta que, até agora e no mundo inteiro, muito poucos se atreveram a transpor com êxito: (o)usar e mexer no que já é perfeito, retomando uma dúzia de velhas canções e transportando-as para uma outra dimensão sem que a essência de cada uma delas em momento algum se dilua ou se desfigure.

Este disco é um trabalho de inteligência. Propõe-nos, a partir de um conjunto de temas de um dos maiores criadores portugueses, uma outra escuta e uma outra leitura, universal e contemporânea, que as engrandece e acrescenta. Se dúvidas houvesse sobre a perenidade adjacente à obra de Fausto Bordalo Dias, bastaria ouvir estas canções, refeitas com muito engenho e grande arte: está aqui tudo o que já estava, mais o que lhes foi acrescentado, e o mais que se ouvirá.

Este disco é, pois, a prova de vários factos: que esta música está (esteve sempre) muito para lá do tempo e do espaço em que foi feita; que estas palavras e estes sons carregam em si toda uma visão dinâmica do mundo; que com talento e génio em doses certas não há mesmo limites para o que a música pode ser.

Este disco é o passo seguinte de uma das mais notáveis bandas de língua portuguesa. Luanda Cozetti e Norton Daiello são os Couple Coffee, ou pelo menos a sua parte mais visível. Na verdade, o duo é frequentemente um agregador de talentos vários (como aqui acontece, e aconteceu também nos registos anteriores), juntando vozes de diferentes quadrantes e sensibilidades, associando músicos com distintos percursos, e criando a partir daí como que uma outra identidade, concreta e definida, onde o total é sempre muito mais do que um somatório de partes avulsas.

Este disco é um caso de perfeita simbiose entre o amador e a coisa amada: entre Luanda, Norton e todos os músicos que tão prazenteiramente se nos apresentam, e o autor e as canções que escolheram para dar corpo a uma obra que é, só podia ser, um acto de amor. E, por isso, também um acto de partilha. Tomai e comei.

Este disco chama-se “Fausto Food”, e isso não é um acaso – como nada do que a Luanda e o Norton fazem é por acaso. Para os que, por simplicidade ou preguiça, se apressem a fazer a analogia fonética óbvia com qualquer tipo de comida rápida, dir-lhes-ei que esta “food” é antes uma refeição gourmet, para saborear intensa e vagarosamente como é próprio dos bons manjares. E, já agora, com o som bem alto, de preferência. 

Este disco não é próprio para ouvidos calcificados, como não o é nenhum outro disco de Fausto ou dos Couple Coffee. Digo, com a certeza que me dá tudo o que (ou)vivi, que este é dos melhores trabalhos a que a língua portuguesa e música dela deram origem neste século.

Este disco pode ser um choque, e oxalá que sim. O Fausto, a Luanda, o Norton, e todos quantos lhe deram corpo e alma, merecem. E nós, ouvintes felizes, só temos de lhes agradecer este (en)canto.

Posto isto, apertem os cintos, e lá vamos nós. Descarada e alegremente, que o tempo não é de ais, mas de querer mais.”

 

Moda Americana… "Magia de Cabeça Encostada" é o novo single

Magia de Cabeça Encostada” é uma ode à infantilidade e ingenuidade dos Moda Americana, uma banda que recusa apatia – o que é bem visível nos seus concertos – e toda a rotina associada à vida mundana. Este é o terceiro single do disco de estreia da banda, “Singapura”, que depois de uma tournée por todo o país com casas cheias, querem demonstrar que vieram para ficar.

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O Realizador do vídeo, João Barriga, adapta-se à visão da banda deixando o seu cunho pessoal, retratando de uma maneira infantil e cómica, uma banda de amigos, completamente aptos para ser putos outra vez e sonhar em extravagâncias.

A música faz parte do disco Novos Talentos da Fnac 2017, que tem a curadoria do bem conhecido Henrique Amaro da Antena 3 e que é lançado hoje ao público.

Os Moda Americana fazem também parte do alinhamento para o festival Fnac Live 2017 que vai acontecer no próximo Sábado no Village Underground Lisboa e que conta com nomes como Capicua, PZ, Noiserv, Flying Cages ou George Marvinson, só para enumerar alguns.

A entrada é livre.

Charles Bradley de volta aos palcos e a Portugal

Oito meses depois de ter cancelado a digressão mundial, após lhe ter sido diagnosticado um cancro no estômago, Charles Bradley anuncia o seu regresso aos palcos com a energia que todos lhe reconhecemos. Em Novembro, o cantor de soul e funk estará em Portugal para um concerto no Coliseu do Porto, dia 23.

19793201_1ZjR7.jpegphoto: Paulo Homem de Melo

 

A expressão "força da natureza" é muitas vezes desperdiçada em certos artistas, mas totalmente adequada se se procurar descrever a intensidade da arte de Charles Bradley. O cantor, associado da mesma Daptone Records da saudosa Sharon Jones, é uma espécie de monumento vivo, testemunho directo de uma cultura e de um tempo que de facto mudou o curso da história americana. Apesar de contar 68 anos de idade, o veterano de Brooklyn, Nova Iorque, só conta três álbuns no seu currículo uma vez que só em 2011 foi descoberto nas ruas da grande cidade por Gabriel Roth, o homem do leme da Daptone que nunca deixou de procurar autenticidade para a música que teimosamente foi criando e lançando, mesmo quando a soul e o funk de recorte mais clássico não tinham ainda (re)conquistado audiências internacionais. Claro que tudo mudou depois de Roth ter sido chamado a dar uma ajuda no segundo e histórico álbum de Amy Winehouse, "Back to Black". A cultura em que a cantora de "Love is a Losing Game" se inspirou e com que obteve um extraordinário sucesso, circula há décadas nas veias de Charles Bradley.

 

Natural da Flórida, o futuro cantor foi cedo para Nova Iorque e contava apenas 14 anos quando viu, levado pela irmã, James Brown ao vivo no mítico Apollo, no Harlem, corria o ano de 1962. Brown nunca mais deixou de ser uma referência máxima para Bradley. Com jeito para cantar, Charles tentou que a música fosse um escape para o seu ganha pão como cozinheiro, mas uma das suas primeiras bandas acabou por ver o futuro comprometido pela guerra do Vietname. Nas décadas seguintes, Bradley foi cruzando a América - do Alaska à Califórnia - fazendo pequenos concertos e aceitando o trabalho que ia surgindo, como cozinheiro ou pedreiro ou outra coisa qualquer.

 

Foi com a "máscara" de Black Velvet, um imitador de James Brown, basicamente, que Gabriel Roth o descobriu num pequeno clube de Nova Iorque. O editor e produtor, que também assina Bosco Man, viu real talento em Bradley e levou-o para a Daptone, com "No Time For Dreaming", de 2011, a revelar-se a primeira entusiasmante etapa desta nova fase da sua vida. Em palco, Charles Bradley foi confirmando todas as esperanças de Roth e rapidamente se afirmou como um artista fulgurante e uma das principais figuras do revival Soul que tem marcado o planeta.

 

Charles foi protagonista do documentário "Soul of America" em 2012, editou "Victim of Love" em 2013, arrasou palcos nos maiores festivais do mundo - de Coachella ao Primavera Sound, passando por Glastonbury e pelo Vodafone Paredes de Coura - e afirmou-se como artista de corpo inteiro, representante no presente de uma tradição musical que se estende até James Brown e que foi uma verdadeira ferramenta de afirmação dos direitos da minoria afro-americana.

 

O ano passado, Charles Bradley editou "Changes", álbum que incluía uma versão do tema dos Black Sabbath com o mesmo título, e combateu e derrotou um cancro no estômago, regressando agora em força para um concerto no Coliseu do Porto, a 23 de Novembro. É em palco que se percebe a imparável energia deste gigante, a mesma energia que músicos como Jay Z tentaram capturar ao samplar as suas canções. Charles Bradley é de facto um portento, uma força da natureza. E como se faz perante qualquer outra força da natureza, a nós, comuns mortais, só nos resta admirar a sua magnificência.