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Glam Magazine

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Vagos Metal Fest…. 2º dia (Reportagem)

Os números oficiais indicam que dez mil pessoas passaram pela Quinta do Ega nesta primeira edição do Vagos Metal Fest, mas não me parece que tenham sido uniformemente distribuídos pelos dois dias, já que o segundo teve uma afluência claramente maior.

g1.jpgFoi o metal alternativo dos Godvlad que abriu as festividades. Mais uma vez a organização escolheu um nome não muito badalado mas capaz de surpreender, tanto pela sonoridade diferente, como pela atitude vistosa em palco. Tinha visto Godvlad no final de 2011 e tinha já apreciado a desenvoltura da vocalista Vanessa; agora, cinco anos depois, toda a banda parece mais segura de si.

Em Fevereiro o EP “Dark Streets Of Heaven” aumentou a sua discografia e foi o tema “Broken” desse mesmo trabalho que encerrou a sua actuação.

O concerto de Heavenwood soube a muito pouco, não tanto pelas músicas que ficaram de fora mas mais pela garra com que a banda tomou o palco. Abrindo com “The Arcadia Order” e fechando com “Suicidal Letters”, passando por “The High Priestess” (com a participação especial de Sandra Oliveira dos Blame Zeus) e o clássico “Emotional Wound”, gothic metal atingiu um novo nível de vigor no que toca a actuações ao vivo. É certo que “The Tarot Of The Bohemians” tem seis meses, mas “Diva” celebra este ano o seu 20º aniversário, pelo que esperava ouvir-se um pouco mais desse álbum; talvez num futuro próximo haja uma festa apropriada, com igual intensidade desta prestação em Vagos.

O black metal progressivo dos Tribulation traz uma lufada de ar fresco ao género, mas é sem dúvida o sua postura em palco - em especial do guitarrista Jonathan Hultén - que faz furor. Com um visual e agilidade andróginos, Jonathan cativou bastante a atenção do público, mas toda a performance da banda merece crédito. Variando entre temas de “The Formulas Of Death” e “The Children Of The Night”, os suecos deixaram uma impressão bastante positiva neste festival.

Fazendo jus ao nome, os Discharge foram uma descarga de adrenalina. Creio que foi “Fight Back” que o guitarrista Tezz dedicou ao falecido ícone Lemmy, mas os temas foram tocados em catadupa, sem dó nem piedade, e torna-se difícil não perder o fio à meada. A dada altura (“Hell On Earth”, talvez?), J.J. perguntou “are we metal enough for you?”, mas dada a violência do mosh e do crowdsurf, pouco ou nada importava a diferença entre metal e hardcore a quem estava a apreciar esta banda com quase 40 anos de carreira.

Finntroll é sempre um misto de agressividade com alegria, onde as rodas de mosh viram baile - o tipo de banda que é sempre bem-vinda num festival. Sem material novo para apresentar, os “trolls” reuniram então uma lista de hits que todos sabiam “arranhar” - ou pelo menos acompanhar nos “la-la-las”. “Nattfödd”, “Solsagan” e “Skogsdotter” são apenas alguns exemplos, e “Trollhammaren” teve até direito a um eufórico comboinho de pessoas a saltitar em torno das primeiras filas.

Fazia alguns anos desde a última passagem de Helloween por Portugal mas Andi Deris parecia estar a par da realidade do nosso país quando disse “fuck the banks!” e aconselhou-nos a não pagar a falência daquelas instituições... Toda a banda parecia satisfeita por regressar e o calor com que foram recebido era prova de que o público também sentira a sua falta. Já com quinze álbuns de estúdio, é cada vez mais difícil escolher o que tocar e os veteranos do power metal alemão, mesmo com hora e meia de concerto pela frente, vê-se obrigada a fazer medleys - Halloween / Sole Survivor / I Can / Are You Metal? / Keeper Of The Seven Keys. Daí a minha desaprovação pessoal dos solos de bateria de Daniel Löble e guitarra de Sascha Gerstner - aquele tempo poderia ter sido aproveitado com mais clássicos. Mas “Future World” e “I Want Out” continuam a encerrar os seus concertos e, no que toca a Vagos, foi memorável.

Os Moonspell “finalmente” - usando a sua própria expressão - tocaram em Vagos e tiveram a honra (palavras também de Fernando Ribeiro) de encerrar este novo festival. E como queriam apresentar algo especial, além do fogo a jorrar do palco, convidaram Mariangela Demurtas Amorim (Tristania) para cantar “Raven Claws” e Rui Sidónio (Bizarra Locomotiva) - coberto em plástico negro e apresentado como “apenas um amigo” - para “Em Nome Do Medo”. Fernando mencionou algumas das bandas com quem partilharam aquele palco - pedindo desculpa a todas as outras que não referiu - e ao falar (por duas vezes, até) nos “grandes Helloween”, confessou esperar que os Moonspell fossem capazes de tocar assim quando chegassem à idade deles. Já são quase 25 anos - mais, se contarmos com os tempos de Morbid God - e pelo que tenho visto, inclusive neste Vagos Metal Fest, diria que estão no caminho certo para concretizar esse desejo.

 

Cada uma à sua maneira, não houve uma única banda que tivesse desapontado, fazendo deste “renascer” do festival um indubitável sucesso; a confirmação de um Vagos Metal Fest para 2017 não foi, por isso, uma grande surpresa.

Mas é o tipo de notícia que sabe sempre bem ouvir. Até para o ano!

 

Reportagem e Fotografias: Renata Lino

Vodafone Paredes de Coura 2016… “Portugal. …”

E ao quarto dia o festival chega ao fim…

Uma aventura iniciada na passada quarta feira onde a música quebrou barreiras, onde um Coura perdeu as paredes e onde o surf em modo crowd for desporto rei como um rei em palco, James Murphy e alguns príncipes que mais uma vez transformaram as margens de um rio no habitat natural da música.

VPC00.jpgUm último dia que começa logo à hora de almoço no Monte da Pena, onde de um modo informal, a produção do Festival faz um balanço positivo desta 24ª edição do Vodafone Paredes de Coura. Assegurada ainda nesta conferencia de imprensa a edição de 2017, que mantém a parceria com a Vodafone, e que se avista como uma grande edição, comemorativa dos 25 anos do festival e dos 25 anos da Vodafone em Portugal.

As Vodafone Music Sessions deste dia estavam igualmente reservadas para o Monte da Pena. Numa paisagem única a mais de 300 metros de altitude, os russos Motorama levaram o seu psicadelismo de uma forma suave mas agreste até ao granito da Srª da Pena. As sonoridades post-punk urbanas de Rostov eram bem representadas nas canções de “Poverty”, o 3º disco da banda. Longe do palco mas perto do público, ao longo de 30 minutos as sonoridades deste trio russo não deixaram indiferentes os festivaleiros que debaixo de um sol quente e incomodo, digeriam as sonoridades impares de temas tão diversos como “Eyes” e “She is there”.

VPC03.jpgDe regresso às margens do Coura, a música espreitava no palco vodafone.fm, e de Braga os Grandfather’s House eram a aposta para um final de tarde, com a voz forte e concisa de Rita Sampaio a dar ‘cartas’ para um público exigente que ao quarto dia de festival esperava mais e melhor. “Slow Move”, o álbum estreia da banda, depois da aventura em 2014 com o EP “Skeleton”, trazia a energia necessária para contagiar o público, quer pelas suas canções, quer pela presença dos 3 elementos em palco. Mais uma aposta ganha na música moderna nacional que nesta 24ª edição do Festival marcou lugar de destaque no alinhamento dos concertos.

Este banner mata fascistas’… era assim que eramos recebidos junto do palco principal do Festival. Por lá os The Last Internationale preparavam a sua apresentação sempre em tom de revolta e de afirmação social. Formados em 2013 por Delila Paz e Edgey Pires, a banda com claras influências no blues com uma mescla de rock’n’roll, surge em palco como se de uma manifestação se tratasse. “We will reign”, o único trabalho discográfico dos Nova Iorquinos é o reflexo dessa revolta social por parte da banda. Ao som de “The Revolution Will Not Be Televised”, canção de Gil Scott-Heron, a banda entra em palco para fazer valer os seus direitos. “Life, Liberty, and the Pursuit of Indian Blood”, “We Will Reign” ou “Hard times” fazem parte desse universo revolucionário em palco e apresentado ao longo de 45 minutos.

Apesar de “terem os dias contados”, os Capitão Fausto era uma das bandas mais aguardadas para este último dia de Festival. Com um novo disco debaixo do braço, a banda que ‘morre na praia’ em 2016 arrasta consigo uma já enorme legião de fãs, que transformam a apatia da banda em palco numa apresentação cheia de energia e como era de esperar, o regresso do crowd surfing ao anfiteatro natural da música. Canções leves que percorrem os 3 discos da banda e com uma promessa, ‘amanhã estou melhor’, fazem deste concerto dos Capitão Fausto um dos grandes concertos ao final da tarde no Festival Vodafone Paredes de Coura.

Kristian Matsson auto intitula-se The Tallest Man on Earth, é sueco, não é o maior em altura mas poder ser em talento. Acima de tudo Kristian é um poeta, a sua musica transpira poesia e o talento folk das suas canções constroem-se com simplicidade e com simpatia. Transborda alegria, otimismo mas timidez em palco. Abre-se com o publico quando canta “Darkness of the Dream” ou “Fields of Our Home”, fala das suas viagens e aventura em “Sagres”, do lado oposta da Europa que o viu nascer, desce pelo campo com a natureza em “Dark Bird is Home”, tema que dá titulo ao seu último disco já de 2015, mas que confirma que Kristian pode não ser o mais alto, mas é certamente um dos mais talentosos ‘song writers’ da atualidade. As 11 canções apresentadas em palco vão ficar na memória de quem estava neste último dia no Festival.

A curiosidade era muita para receber novamente Portugal. The Man, que se apresenta envergonhado durante todo o concerto. John Gourley resguardou-se ao longo do concerto. Já estiveram cá em 2009 e regressam mais uma vez para apresentar um bem sucedido “Evil Friends”, já de 2013. Um alter-ego global, um desejo de ser do tamanho de uma nação, justificam o nome, que surge por acaso quando pensava num país, distante dos confins do Alaska, que ficou para trás quando a Gourley se muda para Portland. A sua música é rock, é do mundo e é do tamanho de todos. “Gloomin + Doomin” é o álbum que a banda tem agendado a edição, provavelmente para este ano, mas é ao som de “Hip Hop Kids” de 2013 que a banda inicia o seu concerto. “Atomic Man”, “Evil Friends” e “Modern Jesus” são algumas das canções de 2013 que a banda recupera em palco. Pelo meio fica um “Don't Look Back in Anger” (original dos Oasis) e até “All Your Light (Times Like These)” de Ghostface Killah.

Depois do rock e das suas infinitas variações, a pop electrónica surgia no espectro do encerramento da 24ª edição do Festival Vodafone Paredes de Coura. O regresso 2 anos depois do escoceses Chvrches. Se em 2014 trouxeram “The Bones Of What You Believe” em 2016 o disco era outro, “Every Open Eye”, mas os ritmos eram os mesmos.

A energia contagiante de jovem Lauren Eve Mayberry trouxe uma lufada fresca de sonoridades dançantes e ritmadas. Longe das descargas energéticas de guitarras e completamente distantes de loops, a música da banda escocesa conseguiu ainda motivar alguns jovens a praticar o desporto assumido nesta edição do festival. “Never Ending Circles”, abria 90 minutos cheios de ritmo e altamente dançáveis. “Keep You On My Side”, “Make Them Gold”, “Clearest Blue” e “Leave a Trace” foram algumas das músicas do seu mais recente disco que animaram a despedida do festival.

 

Para os mais ‘corajosos’ e ‘resistentes’, o final de noite terminava ao som do Sueco Lust for Youth e do chileno Matias Aguayo até ao amanhecer….

VPC20.jpgEra o terminar desta 24ª edição do festival. Mais uma vez o habitat natural da música foi o cenário perfeito. A música esteve presente desde a primeira hora, estendendo-se desde o palco jazz ao final da tarde, passando pelas Vodafone Music Sessions em lugares estranhos, Best Youth numa fábrica de calçado ou os Crocodiles à solta em pleno jardim particular. Numa análise final, o segundo dia com LCD Soundsystem como cabeças de cartaz acaba por ser o dia da maior enchente no festival. Foram 24.000 pessoas que vibraram com o regresso da banda de James Murphy. A música Portuguesa, representada ao mais alto nível, foi igualmente uma das figuras em destaque nesta edição com concertos a ocupar o palco principal e a trazer autenticas enchentes de público.

Os nomes emergentes nacionais primaram pela segurança em palco. Com mais ou menos altos e baixos, o cartaz desta edição acabou por ser homogénio apostando em regressos e em novas sonoridades.

 

Regressamos em 2017…. Até lá!!!

 

Texto de Sandra Pinho e fotografias de Paulo Homem de Melo