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Glam Magazine

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Vodafone Paredes de Coura 2016… “Crowd Surfing”

Crowd Sufing ”… E ao terceiro dia o Festival Vodafone Paredes de Coura fica marcado pelo crowd surfing. O cartaz era apelativo ao ‘surfing’ e praticamente não existiu nenhum concerto que tenha escapado ao dito surf por cima das cabeças dos festivaleiros, talvez Kevin Morby tenha sido um dos poucos que não assitiu a essa manifestação, mas com Crocodiles a animação não se fez esperar. De uma maneira mais ou menos ordenada, o Crowd Sufing movimentava os festivaleiros entre o mosh que surgia a meio caminho entre o palco e a régie, e o fosso onde os ‘assistentes’ davam tudo por tudo para acolher os aventurosos (e aventurosas) nesta viagem pelas cabeças do público.

VPC00.jpgAo contrario do segundo dia, o dia 19 iniciava-se no palco vodafone.fm. com a sonoridade indie rock da banda de Leiria, First Breath After Coma. Isto depois do já habitual passeio pelas margens do rio Coura na praia fluvial do taboão, onde enamorámo-nos com a musica e voz de Nega Jaci no Palco Jazz na relva onde a audiência assistia, fazia piquenique num ambiente saudável e refrescante e onde a voz doce de Jaci conquistava corações.

VPC00a.jpgMas voltando ao palco vodafone.fm, onde “Drifter”, o segundo disco da banda de Leiria ecoava por entre as luzes de um final de tarde.

Os últimos meses têm sido bastante preenchidos para os First Breath After Coma. “Salty Eyes” e “Umbrae” com Noiserv em palco foram a prova evidente do amadurecimento da banda neste seu segundo disco editado pela Omnichord.

Kevin Morby subia ao palco pelas 18.30h, algo tímido com um disco novo debaixo do braço. “Singing Saw”, o 3º disco de originais do músico que trocou Brooklyn por Los Angeles. Conciso em palco, o folk rock com influencias no rock fm norte americano, acabaram por ser o oposto daquilo que se iria ver, e ouvir ao longo da noite. A simplicidade melódica de ”Dorothy” ou os dilemas de “Harlem River” marcaram um concerto curto, eficaz mas com pouca receptividade. Um nome para ouvir novamente, quem sabe num espaço mas intimista lá para os meses de Novembro.

Afonso Rodrigues e o seu alterego Sean Riley faziam-se ouvir a partir das 19h no palco vodafone.fm. Álbum novo, canções novas, rapidamente a envolvência sonora de Sean Riley & The Slowriders marcavam o dia de ontem. Como um grito de revolta “Dilli” ecoava com as suas pinceladas de um blues/rock inspirado na tradição folk americana, mas com uma mensagem forte e implicita. A banda de Coimbra teve ainda oportunidade de revisitar alguns dos seus temas mais antigos e em palco contou com um amigo, Paulo Furtado (The Legendary Tigerman) nos temas “This Woman” e “Got to Go” ambos do álbum de 2009 “Only time will tell”.

Até á data um dos melhores concertos nesta 24ª edição do Festival e a “pedir” um palco maior.

Depois de andarem à solta em Paredes de Coura, os Crocodiles saltaram para o palco principal do Festival ao final da tarde. A banda de San Diego aquecia o ambiente e tal como era previsível, serviu de warm-up às primeira tentativas de Crowd Sufing. Apelidados por muitos como os The Jesus and Mary Chain da era moderna, o noise/pop/indie, qual mescla de estilo, marcava de forma concisa os acordes de Brandon Welchez e Charles Rowell. “Boys”, o disco de 2015, era a cartilha que o duo apresentava em palco. O psicadelismo de “Foolin' Around” ou pop indie de “Telepathic Lover” foram presença obrigatória na set list destes animais de palco.

Saltávamos novamente para o palco vodafone.fm que rapidamente enchia para o concerto dos Nova Iorquinos Psychic Ills. O psicadelismo experimental de Tres Warren e Elizabeth Hart, aliado a simplicidade em palco, surgia com a apresentação do seu novo disco “Inner Journey Out”. Formados em 2003, o duo assenta a sua música em formulas desconexas fruto das experiências de Warren. Percorrendo a américa rural, “Baby” mostrou em palco uma sonoridade divergente da que a banda já nos habituou, complementada com “Another Change”. Temas fortes e marcantes do moderno psicadelismo que busca influencias no tradicional de uma América profunda e esquecida.

A noite prometia e era de Melbourne que chegava King Gizzard & the Lizard Wizard. Rock energético puro e bruto, psicadelismo qb e uma presença em palco capaz de mobilizar dezenas de festivaleiros a desafiar a gravidade e literalmente “voar” em direção ao palco. “Nonagon Infinity” já de 2016 e “Quarters!” e “Paper Mâché Dream Balloon”, os dois álbuns de 2015 foram o suporte para uma hora de energia contagiante com loops frenéticos. Foi ao som de “People-Vultures” que as descargas tiveram inicio mas o ‘orgasmo sonoro’ do concerto acontece com o tema de 2014 “Cellophane”. Crowd Sufing desenfreado, moshes e muito pó… no ar. Repetia-se a dose da noite anterior à semelhança do concerto dos Thee Oh Sees.

A espera pelos The Vaccines era grande. Desde o final da tarde que era visível o apoio à banda inglesa liderada por Justin Young, patente no sem numero de t-shirts que desfilavam pelas margens do Coura. Uma das atuais referencias da cena indie rock londrina, os The Vaccines traziam a palco o seu disco de 2015 “English Graffiti”. Não sendo cabeças de cartaz desta terceira noite, a banda mostrou em palco que estava ali para fazer um dos melhores concertos que apresentaram em Portugal. “Handsome” do mais recente disco abria o concerto para logo de seguida a banda recuar até 2012 com “Teenage Icon”. Um desenrolar de sucessos fulminates que percorreram a, ainda recente, história da banda de Londres. “Dream Lover”, “20/20” e “Melody calling” não faltaram à chamada em palco. “Norgaard” encerrava o concerto onde desfilaram 17 canções do universo indie de Justin Young e dos seus The Vaccines.

A noite chegava ao fim e eram os Cage The Elephant que ansiosamente entravam em palco com um ambiente composto e acima de tudo animado pelos concertos anteriores. Se a noite anterior 24.000 pessoas concentraram-se no regresso dos LCD Soundsystem, um numero mais reduzido aguardava o regresso a Portugal da banda de Matt Shultz. “Tell Me I'm Pretty” a pergunta feita resposta em disco era mais que bem vinda para um final de noite. Rock e mais rock era o que se saudava e “Cry Baby” abria a porta da gaiola.

O já clássico “Come a Little Closer” não podia falar e lá surgia pelo meio de tantas outras excelentes canções como os mais recentes “Trouble” e o melódico “Cigarette Daydreams”. 90 minutos e 16 canções depois, os Cage the Elephant fizeram valer, e bem a sua ‘posição’ de cabeças de cartazes da 3ª noite do festival, onde não faltou “In One Ear”, um dos primeiros registos da banda já no longiquo ano de 2008. “Teeth” de 2013 surgia como a cartada final do concerto do dia.

VPC20.jpgUm terceiro dia algo tímido no arranque, com a chuva a visitar os campistas pela manhã mas a terminar com muita energia e vivacidade e sobretudo, a imagem que marca este terceiro dia, o Crowd Sufing desenfreado dos festivaleiros. Ao que consta, o after hours de Moullinex foi igualmente presenteado com o dito surfing.

 

Texto de Sandra Pinho e fotografias de Paulo Homem de Melo

Festival Paredes de Coura…. Informação

Verificou-se, entre a noite de ontem e a manhã de hoje, um foco limitado de ocorrências, entre o público que se dirigiu ao posto médico avançado, de sintomas de vómitos e indisposição gastro-intestinal.

Os serviços de saúde presentes no local prestaram a assistência devida e encaminharam, como medida de precaução, um número de pessoas não confirmado para os serviços de saúde do distrito - dado que os de Paredes de Coura encerram às 22h - onde têm sido observadas, recebido tratamento e tido alta, estando a maioria a regressar ao festival.

DSC_1248 (Cópia).jpgphoto: Paulo Homem de Melo


Até ao momento não foi possível estabelecer uma causa comum entre os casos, uma vez que não se verifica um padrão de idade, proveniência ou consumo de alimentos e bebidas, e os referidos sintomas são comuns a várias causas possíveis. Segundo os serviços de saúde a situação estará estabilizada.


A organização continua em articulação permanente com as entidades responsáveis para garantir toda a assistência a quem dela necessite e apurar, se possível, a causa.

Terrakota editam "Oxalá" a 7 de Outubro

Terrakota estão de volta aos álbuns de energia limpa, formação renovada, baterias recarregadas e ainda mais força! Desde que voltaram à estrada em 2015, fervilhando com mais influências musicais trazidas das viagens e cruzamentos pessoais que deram corpo à nova formação, têm estado a trabalhar neste novo álbum sem pressas e com o distanciamento e a respiração necessárias para caminhar com a tranquilidade do Índio.

terra.jpgTal como nos últimos três álbuns da banda, trata-se de uma edição completamente independente, só possível graças à dedicação multidisciplinar dos membros da banda, à contribuição de pessoas que gostam da arte criada pelos Terrakota através de uma campanha de CrowdFunding e à generosidade e entrega dos engenheiros de som e músicos de Lisboa que colaboraram na sua génese.

Num processo literalmente espontâneo, os Terrakota desta vez compuseram um álbum em que a maioria dos temas são em português e no qual a mensagem é transmitida com mais clareza. Curiosamente, encontramos uma sonoridade mais rock em alguns momentos, embora a busca de constantes cruzamentos sonoros dentro do caldeirão multi-étnico continue! O ponto de partida é, como sempre, África, de onde se sai e aonde se volta, trilhando rotas de escravos em sentido inverso e bebendo da fantástica diversidade musical que daí nasceu e se espalhou pelo mundo fora.

Terrakota é a constante procura de uma  alquimia musical geradora de um roots moderno, de uma música sincera e actual, executada integralmente por seres humanos. Secção rítmica pujante, diálogos constantes entre as linhas vocais, as guitarras, o kora, o sitar, o ballafon, as percussões e outros instrumentos provenientes de diferentes culturas que consolidam a linguagem worldrootskota, num mundo interligado e tricotado, onde são suprimidas todas as fronteiras, distâncias e barreiras.

Um álbum de Terrakota tambem é sempre um espaço aberto à arte trazida por outros músicos, artistas visuais e escritores. Desta vez destacam-se as participações vocais de Vitorino, Mahesh Vinayakram, Selma Uamusse e Anastácia Carvalho, Florian Doucet, uma letra de Luaty Ikonoklasta e algumas contribuições visuais de Pedro Feijão e Caelyn Robertson. Para além da inspiração permanente de culturas de raíz, o estado das sociedades humanas e do planeta serve, mais uma vez, de base a uma mensagem crítica e consciente, de que a banda não abdica. É fazer parte deste projecto maior, em que a arte é assumidamente uma tomada de posição perante o mundo, que funciona como um apoio sustentado da criação, para que esta se possa manter livre, pura e universal.

O novo álbum de Terrakota, intitulado "Oxalá", será editado em Outubro e será apresentado ao vivo dia 7 de Outubro no Time Out Mercado da Ribeira em Lisboa, e dia 8 de Outubro, no Hard Club no Porto.

Prestes a esgotar 2000 passes promocionais… Festival F anuncia programação stand up comedy

Os 2000 passes colocados à venda por um preço promocional, há menos de um mês, para a 3ª edição do Festival F estão quase esgotados. O cartaz, que conta com os principais nomes da música lusófona, como Ana Moura, Pedro Abrunhosa, GNR, Richie Campbell, Criolo, Gisela João, Jimmy P, Mundo Segundo & Sam the Kid, e a estreita ligação com a Vila Adentro, zona histórica de Faro, têm determinado a forte procura de bilhetes.

foto4.jpgAlém da música, a aposta na diversidade da programação é um dos factores distintivos do último grande festival de Verão, que integra actividades ligadas às artes plásticas, street food, literatura, cinema, artesanato de autor, tertúlias e grandes talentos da nova geração de comediantes, são agora anunciados: Red Light Comedy com Carlos Pereira, Diogo Batáguas, Nuno Mesquita, Guilherme Fonseca, Carlos Coutinho Vilhena, Miguel Neves, Guilherme Duarte & convidado.

 

A qualidade deste evento foi reconhecida pela Europe Festivals Association, que o distinguiu com o selo EFFE - Europe for Festivals, Festivals for Europe, tendo ainda sido galardoado com o selo Escolha do Consumidor '16 na categoria Festivais de Música Não Urbanos.

Vagos Metal Fest…. 1º dia (Reportagem)

Desde 2009 que o município de Vagos acolhe um dos mais emblemáticos festivais de metal do país; quando a organização original desse festival decidiu transferi-lo para Corroios, não foi uma grande surpresa que outros promotores surgissem para manter Vagos no mapa da comunidade metaleira - a surpresa foi como, em tão pouco tempo, conseguiram tão eficientemente dar vida à primeira edição do Vagos Metal Fest.

VMF.Bizz00.jpgÀs cinco da tarde as filas para levantar passes e pulseiras eram ainda longas e avançavam lentamente, fazendo com que um considerável número de pessoas - no qual me incluo - “assistisse” ao concerto de Correia do lado de fora do recinto. Esta banda de stoner rock tem pouco mais de um ano, mas a carreira dos irmãos que a fundaram, Mike e Poli Correia, justificam a aposta da organização. E embora tenha perdido a sua prestação, é precisamente pelo que conheço do primeiro com More Than A Thousand e Man Eater, e do segundo com Devil In Me, Sam Alone e Dimension que posso afirmar que Correia deu um bom espectáculo. A promover o seu álbum de estreia, “Act One”, temas como “Deliver Us”, “Down By The Lake” e “Deceivers Of The Sun” certamente que foram bem recebidos pelo público.

A organização está também de parabéns pela política de “agradar a gregos e troianos”, tendo apostado numa vasta diversidade de géneros. Assim, depois do stoner nacional, veio o deathcore dos franceses Betraying The Martyrs. O tão aguardado sucessor de “Phantom” só verá a luz do dia no início do próximo ano, mas o novo single “The Great Disillusion” foi lançado mesmo a tempo de ser apresentado nos festivais de Verão. A condizer com a musicalidade, também os concertos de BTM são carregados de energia bruta, entrecortada por refrães melódicos, ao que o público respondeu efusivamente. E em “Let It Go”, a cover da banda sonora de “Frozen”, mesmo quem não conhecia a banda pôde acompanhara letra; para os mais familiarizados, desde “Because Of You” a “Legends Never Die”, tudo era motivo para estar satisfeito.

Os norte-americanos Vektor apresentaram uma sonoridade mais “da velha guarda”, intensificando o headbanging, o mosh e o crowdsurf com o seu thrash técnico e algo progressivo. Concentraram-se em “Terminal Redux”, não só por ser o seu mais recente trabalho mas porque o tempo não deu para muito mais - cada tema deste álbum prolonga-se além dos cinco minutos. Mas para não negligenciar mais de uma década de existência, terminaram com o clássico “Hunger For Violence”.

Sim, é verdade que os R.A.M.P. não lançam nada novo desde 2009 (“Visions”) e mesmo a colectânea dos 25 anos já foi editada há três; mas quem sabe do que estes “meninos” são capazes em palco, também sabe que, com material novo ou não, é sempre uma aposta ganha incluí-los no cartaz - ainda que numa slot de duração inferior a uma hora. Como tal, Rui Duarte teve de encurtar a sua característica comunicação com o público, mas ainda houve tempo para uma piada sobre “o outro Vagos, da nossa terra” ou ainda outra, comparando o metal a uma religião e o seu concerto a uma missa. A devoção dos presentes pode sim, lembrar uma religião, mas dado o volume dos berros com que cantaram todas as músicas, “missa” é provavelmente das últimas comparações que nos passa pela cabeça...

O som dos Fleshgod Apocalypse foi longe de ideal, a voz de Tommaso Riccardi a ecoar apenas de um lado quando o concerto começou. Eventualmente a sua voz passou a ouvir-se em stereo, mas o som geral continuou algo embrulhado. É, no entanto, a única razão de queixa já que a prestação em si e a escolha de alinhamento deixou os fãs com um sorriso de orelha a orelha - mesmo com a edição de “King” em Fevereiro passado, visitaram os dois álbuns anteriores através de temas como “Pathfinder” ou “The Forsaking”. O seu death metal sinfónico pode até custar a entrar nos ouvidos menos eclécticos, mas ao vivo torna-se difícil desviar a atenção destes italianos.

O black metal de Dark Funeral já não é tão cativante para quem não gosta do género, mas por outro lado serviu para arrastar uma pequena legião pela primeira vez a Vagos. Também os suecos levaram um novo trabalho na bagagem, “Where Shadows Forever Reign”, e falando em bagagem num sentido mais literal, a Brussel Airlines levou um “recadinho ofensivo” de Heljarmadr por ter perdido os instrumentos da banda pelo caminho. Todos os seus seis álbuns foram relembrados naquela noite - o tema-título do álbum de estreia “The Secrets Of The Black Arts”, lançado há 20 anos, a ter uma recepção particularmente calorosa - e a postura com que o fizeram provou aos mais cépticos que uma banda de black como cabeça de cartaz não foi, afinal, uma má ideia.

Cabeça de cartaz, hoje em dia, significa “encabeçar o horário nobre” e não ser a última banda em palco; e assim os Bizarra Locomotiva entraram em cena já passava das 00:30. No entanto, dada a excelência do seu concerto, ninguém deverá sentir-se tentado a corrigir quem chamar “cabeças de cartaz do primeiro dia” à banda industrial de Lisboa. Também eles são o tipo de banda que nunca desilude. A interacção de Rui Sidónio com os fãs é bem conhecida e foram várias as vezes em que saltou para o meio deles, para que cantassem com ele. Em “O Escaravelho” a ajuda foi especial, uma vez que foi Muffy dos Karbonsoul que a prestou (semanas antes, em Famalicão, já o tinha feito mas em palco). O concerto, de uma merecida hora e meia, terminou com Alpha a destruir o seu teclado portátil e lançar as sobras pelo ar - não propriamente numa atitude de rock star mas sim de frustração, pois o instrumento tinha deixado de funcionar. Alguns fãs deverão ter guardado teclas como recordação.

 

Reportagem e Fotografias: Renata Lino